8 de fevereiro de 2009

Fim de Semana

Matrix? Speed Racer? Esqueçam o cinema, irmãos Wachowski, a vossa obra-prima está feita.



6 de fevereiro de 2009

Slumdog Millionaire


Percebo que se possa ter uma reacção quase de preconceito ideológico contra Slumdog Millionaire. Temos visto demasiados filmes em que, justamente, a pobreza do olhar esconde a manipulação das nossas emoções. Depois temos a hiper-saturação da fotografia, os efeitos à videoclip baratucho, o final feliz, enfim, todos os ingredientes que afastam o crítico bem pensante de uma fita, qual Maomé a fugir do toucinho. No entanto, sendo um filme menor, Slumdog Millionaire não é assim tão mau. Está construído de maneira inteligente e consegue criar no público alguma empatia com os actores. Tem alguns momentos (cfr. a cena no metro com a nota Benjamin Franklin) que, sem chegarem a ser entusiasmantes, contêm verdadeiras ideias de cinema (e não de uma publicidade para a MTV). Não chega para fazer um bom filme? Provavelmente, não. Mas vê-se sem grande desagrado.
Em tempo: mas o que verdadeiramente me espanta é constatar que o João Lopes perde o tempo dele a ler comentários trogloditas.

5 de fevereiro de 2009

Oliveira Casanova

Confesso que me tem causado alguma perplexidade um trailer que tem passado na SIC, anunciando uma série sobre uma suposta vida privada de Salazar. No trailer, o velho ditador aparece, em pose de sedutor, com várias mulheres, todas – cada uma no seu estilo – giraças e atiradiças. O nosso ditador não se faz rogado: como é impossível resistir a tanto charme, ele é mãozinha malandra na coxa, ele é beijinho no pescoço e com certeza outras actividades mais próprias da bolinha vermelha que dos manuais de Finanças Públicas que o lente de Coimbra tanto prezava. Poderá com efeito causar algum espanto esta nova imagem do Presidente do Conselho, cuja vida (a)sexual conhecida passava, até agora, pelos serões em São Bento com a Dona Maria. Erro meu, pois com um pouco de reflexão, tudo se explica. Com efeito, a direita clássica saudosa da lei, da ordem e do respeitinho sempre gostou de Salazar: essa está conquistada. A classe média, mesmo farta do regabofe supostamente democrático, tem hesitações naturais quando toca a apoiar um ditador; mas afasta a má consciência convencendo-se que se trata, apenas e só, de uma personagem histórica, tão asséptica quanto D. Dinis ou D. Sancho II; pois se até a televisão disse que foi Salazar o maior português de sempre! Faltava pois a jovem direita arrogante, de faca nos dentes e Burke no bolso do blazer. Então podia alguma vez um grande ditador como o nosso Oliveira ser um quase capado, um daqueles gajos de cabelo grisalho que aparece nos intervalos dos jogos da Sport TV pedinchando por um milagre contra a disfunção eréctil? Obviamente, não podia. Salazar é tão, tão grande que até o lendário celibato é enganador: o homem era um engatatão, o Brad Pitt de Santa Comba, pronto, com uma simples inclinação da cabeça, a fazê-las suspirar. Rapidamente e em força.


Salazar (formerly known as Hef) posa entre deus, pátria e família

4 de fevereiro de 2009

Act locally, think globally

Obrigado pelas revelações. O Mundo escandaliza-se pelas conclusões do DCIAP. Washington Post e New York Times já enviaram alguns dos seus mais ferozes jornalistas. Cândida Almeida já não se desloca sem a carrinha da Fox News atrás.

3 de fevereiro de 2009

Diário

Motivos de orgulho nacional. Estamos presentes entre os monges do Shaolin e na West Wing. Faz sentido querer mais?

30 de janeiro de 2009

Cá se fazem cá se pagam

Cá se pagam
Não é impunemente que há uns tempos atrás Portugal pôs meia Inglaterra a dizer, com um sotaque esquisito, a palavra “arguido”. Chegou a hora da verdade: é o momento dos portugueses andarem agora a dizer uns aos outros, de cenho carregado, “suspect”. E tal como os ingleses em 2006, não temos a menor ideia do que isso possa querer dizer. No entanto, trata-se de uma contribuição enorme para o desenvolvimento do estudo do Direito Penal Comparado, pondo qualquer jornalista de um qualquer Diário de Carcavelinhos com uma licenciatura em Comunicação Quase Social da Universidade da Mula Russa a discorrer com grande naturalidade sobre as diferenças entre os sistemas penais português e inglês. O mesmo polivalente jornalista arrasará instantes depois a opinião de um professor de Direito Administrativo, concluindo pelo argumento supremo “amigo do Sócrates”.
Cá se fazem
Mais uma vez se deve no entanto reconhecer – e repudiar com veemência – a escandalosa falta de celeridade da justiça. Uma carta rogatória enviada em 2005 e ainda não cumprida? Não há palavras, caros leitores. Como? A carta rogatória foi enviada a quem? Aos ingleses? Aahh...

29 de janeiro de 2009

Caução Cultural

Pussycat Dolls em concerto recente. Repare-se no pormenor – essencial – da garrafa de água.


pois

O Fantasma

É possível – e mesmo provável – que a intenção principal de Oscar Wilde em The Canterville Ghost tenha sido a de satirizar o materialismo estúpido da sociedade americana. In the process, todavia, Wilde é particularmente feroz com os maneirismos e a decadência de uma “anglitude” que só existe na cabeça de alguns ingleses mais tontinhos.
Esta posta serve também, para lá de tentar dar uma certa caução cultural a este blog ignorante, para me penitenciar por só agora – quase com a idade de Sir Simon – conhecer as autênticas pérolas que são os contos de Wilde, injustamente subvalorizados por quem só tem olhos para as peças e os romances.
E serve ainda para especular: o que não diria o velho Oscar do ridículo em que se transforma a anglofilia militante daqueles que consideram ter sofrido a enorme injustiça de ter nascido, por um infeliz acidente genético-geográfico, em Portugal. Ó país mesquinho que não me mereces, pois sou demasiado grande para tanto provincianismo e estupidez.

Não leram bem? Eu disse que ia tentar dar uma caução cultural. Não disse que ia conseguir.


raio da mancha de sangue...

28 de janeiro de 2009

Princípios e Realidade

Todos os posts que o João Miranda tem escrito sobre Guantánamo (o último aqui) estão obviamente errados, como aliás um dos próprios colegas de blog dele tem tentado explicar. Até a felicidade que o João Miranda não consegue esconder pelas dificuldades – evidentes – que a administração Obama terá para lidar com os prisioneiros contra os quais existem indícios evidentes de perigosidade é completamente deslocada. Essas dificuldades têm um culpado: a administração Bush. Com efeito, ao autorizar a tortura, a administração Bush conseguiu apenas que todas as provas obtidas por esse meio sejam inválidas num tribunal federal ou mesmo num tribunal militar. É a incompetência da administração Bush que estará na origem de pessoas eventualmente perigosas para a segurança americana poderem escapar entre as malhas do sistema. Como o João Miranda deveria saber, a tortura não é apenas moralmente errada e juridicamente impossível. A tortura é igualmente ineficaz.


Hitchens confessa: "sim, deus existe!"

27 de janeiro de 2009

The Crying Light


Tentei, sem conseguir, ouvir o disco antes de ler isto. Agora, depois do que li e do que ouvi, tenho que confirmar. Não é todos os dias que nos aparece – a nós que amamos a música – um artista como Antony e os Johnsons dele. Inventividade, subtileza e uma voz absolutamente única fazem dele uma das melhores coisas que aconteceu à música popular nos últimos anos. Sou também obrigado a reconhecer que The Crying Light é o álbum da maturidade: comparado a I Am A Bird Now, é um álbum mais trabalhado, com arranjos mais subtis e delicados. É sobretudo um álbum de independência: contrariamente a I Am A Bird Now, que contava com a colaboração de amigos (Rufus) e heróis (Lou Reed, Boy George), The Crying Light é o grito do Ipiranga de Antony, que assume a responsabilidade que lhe pedem.
Sim, confirmo.
Então porque é que continuo a gostar mais de I Am A Bird Now?
A reconfirmar ao vivo em Abril (o bilhete já cá canta).

26 de janeiro de 2009

Free? De certeza?

Da mesma maneira que mais dez milhões de portugueses, também tenho uma opinião sobre o Freeportgate. Como alguns deles, também acho que me vou escusar a fazer comentários. A não ser este. Quatro milhões de contos? QUATRO milhões de contos? 20 milhões de euros de “luvas” para licenciar uma obra? Mas isso não chegava para construir dois ou três Freeports?

25 de janeiro de 2009

Fim de Semana

- toc toc...
- sim?

22 de janeiro de 2009

Day 1

- Lixados, pá, lixados...

- Huummm...

Changes

Tentou mexer-se mas não conseguiu. Concentrou-se no que o rodeava. Estava deitado na cama, nu. Em frente, o plasma debitava, em silêncio, imagens de clips de hip-hop. À esquerda, parecia ser a casa de banho. À direita, a entrada para a sala. Sobre uma cadeira, repousava uma peça de lingerie. Ao lado do plasma, um cinzeiro com duas ou três beatas. Começou a lembrar-se quando ouviu os saltos dela a ecoar no soalho, logo ali ao lado. O aquecimento estava, como sempre, demasiado alto e ele começava a transpirar. Havia pouca luz, mas ele conseguia ver uma silhueta cada vez que ela parecia aproximar-se da entrada do quarto. Fez mais uma tentativa para se mexer, desta vez só a perna direita. Nada. Quando finalmente ela entrou, a prmeira coisa em que ele reparou foi no peito nu, a balançar lentamente à medida que ela avançava. Ela sorriu-lhe, depois pegou em qualquer coisa – um maço de cigarros? – e saiu. Mas antes disso, ele ainda viu, distintamente, sem margem para dúvidas, uma enorme maçã de adão deformando a garganta dela.

Desde esse dia, a vida daquele peluche nunca mais foi a mesma.

19 de janeiro de 2009

Inauguration (3)

Programa das festas, às quais se seguirão as tradicionais bifanas, couratos e ginginha.
Event: Swearing-In CeremonyThe President-elect and Vice President-elect and their families will participate in the traditional inaugural ceremonies and events. Begins at 11:30 a.m. at the West Front of the U.S. Capitol. No tickets are required to view the Inaugural Ceremony on the National Mall west of 4th Street.
Musical Selections: The United States Marine Band, followed by The San Francisco Boys Chorus and the San Francisco Girls Chorus
Call to Order and Welcoming Remarks: Senator Dianne Feinstein
Invocation: Dr. Rick Warren
Musical Selection: Aretha Franklin
Joseph R. Biden, Jr. will be sworn into office by Associate Justice of the Supreme Court, the Honorable John Paul Stevens
Musical Selection: John Williams, composer/arranger with Itzhak Perlman, (violin), Yo-Yo Ma (cello), Gabriela Montero (piano) and Anthony McGill (clarinet)
Barack H. Obama will take the Oath of Office, using President Lincoln’s Inaugural Bible, administered by the Chief Justice of the United States, the Honorable John G. Roberts, Jr.
Inaugural Address
Poem: Elizabeth Alexander
Benediction: The Reverend Dr. Joseph E. Lowery
The National Anthem: The United States Navy Band "Sea Chanters"

Event: LuncheonPresident Obama will escort outgoing President George W. Bush to a departure ceremony before attending a luncheon in the Capitol’s Statuary Hall.
Event: ParadeThe 56th Inaugural Parade will then make its way down Pennsylvania Ave. from the Capitol to the White House with groups traveling from all over the country to participate. While there is no official start time for the parade, it traditionally begins around 2:30 p.m.
Event: Inaugural BallsThe Presidential Inaugural Committee will host 10 official Inaugural Balls throughout Washington. A ticket is required for admission to each ball.

Inauguration (2)

Alguns incréus duvidam, mas o efeito Obama já começou. O Diplomata descobriu o primeiro milagre aqui. O desejo do Random Precision, que pede castigo para os crimes da Administração Bush, também já começou a ser concretizado, como se vê por esta foto.

Jack Bauer ouvido pelo Senado sobre actos de tortura que teria praticado

Inauguration

William Harrison, o nono Presidente dos EUA, fez, em 1841, o mais longo discurso inaugural de que há memória: falou cerca de duas horas, num dia excepcionalmente frio e ventoso, que é aliás o tempo previsto para amanhã. O Presidente Harrison fez depois o mais curto mandato de sempre da História dos Presidentes americanos. Morreria cerca de dois meses mais tarde. De pneumonia.

17 de janeiro de 2009

16 de janeiro de 2009

Mas o Ronny joga à bola??

Não sei se aquele ganda maluco do Debord concordaria com esta definição de situacionismo. Mas com a Taça da Liga a decorrer, tenho coisas mais importantes com que me preocupar.

15 de janeiro de 2009

Burn After Reading

Deve ser a lei dos ciclos: depois de uma obra-prima, não mais que serviços mínimos. Não deixa de haver uma certa dignidade nesta preguiça criativa.


Anyone but

Ainda arranjarei tempo para escrever sobre o estranho mundo dos grupos do Facebook. Enquanto isso não acontece, fiquem-se com este.




E lembrem-se: provavelmente, Deus não existe

Quando se é líder religioso, é suposto, como referido - muito bem - aqui, ter uma certa atenção ao que se diz. É inevitável, ainda mais se a asneira é grande, que as consequências se multipliquem, sobretudo num contexto difícil, marcado por mais uma crise no Médio Oriente. Nem o Cardeal Patriarca é blogger, nem a Igreja que ele representa é um blog. Aqui sim, admite-se que o pessoal possa dizer umas bojardas, para gáudio e regozijo da audiência islamofóbica e marialvo-trauliteira do costume.

12 de janeiro de 2009

Repetição

Um dos grandes problemas de ter vivido um – chamemos-lhe incidente – durante o período natalício é a quase obrigação de descrever o rumo dos acontecimentos a quem nos pergunta como passámos as Festas. Isto é mais difícil do que parece. Com efeito, deparam-se-nos em geral três hipóteses: a) não contar nada e responder o tradicional “correu bem”; b) fazer um breve resumo, desvalorizando implicitamente a importância do acontecimento; c) contar detalhadamente o que aconteceu.
Se a escolha de uma destas três hipóteses é já uma operação delicada, tudo se complica quando devemos adaptar cada uma destas versões à pessoa que nos coloca a pergunta. Atente-se no seguinte: se o nosso interlocutor tem um certo grau de intimidade, embora não do primeiro círculo, connosco, será admissível responder, sem mais, “correu bem”? E quando outra pessoa da mesma categoria – isto é, um não membro do primeiro círculo – lhe contar no dia a seguir “e então, que me dizes do que aconteceu ao bloom?”, como é que nos vamos safar da justa indignação do amigo que foi deixado no desconhecimento das peripécias bloomianas de Natal? É duvidoso que a explicação que primeiro nos ocorre – a distância que nos separa do acontecimento é inversamente proporcional à quantidade de tempo e à profusão de detalhes que estamos dispostos a dar – consiga salvar-nos de uma embaraçosa reprimenda.
Por outro lado, dar a versão c) – detalhada e sumarenta – a quem conhecemos superficialmente vai pôr o nosso interlocutor a morrer de tédio, pensando enquanto consulta não muito discretamente o relógio “mas o que é me interessa saber o que aconteceu a este palhaço?”
E assim comecei 2009, mergulhado na angústia, na dúvida e, infelizmente, na repetição.

10 de janeiro de 2009

Fim de Semana

Será normal preferir o riff de Sweet Jane aos concertos de Brandenburgo? Impacientes, avançai até ao 1,40 min.

7 de janeiro de 2009

Top Filmes 2008

ou Os pobres também têm direito aos tops.

1. No Country for Old Men (o melhor penteado desde Eduardo Mãos de Tesoura)

2. The Darjeeling Limited (o melhor empregado – por acaso indiano – desde The Servant)

3. We own the Night (a melhor cena de perseguição automóvel desde Bullitt)


4. Two Lovers (a melhor cena de sexo no terraço desde Holly does Hollywood)

5. Les Chansons d’Amour (as melhores cenas à chuva desde Seven)

Como se vê, James Gray mete dois filmes neste Top bloom. É de homem!

Saber perder

E se a dignidade estivesse em saber que já não podemos fazer mais nada, que não conseguimos? Ter a coragem de não dizer tudo. Não dizer.

Num segundo momento, saber partir para uma terra distante, onde só o frio e a neve nos despertem do incómodo de existir.

5 de janeiro de 2009

Trânsito Fluido

Como se comprova pelo ano novo, que inevitavelmente sucede ao ano velho. Ou pela morte de um blogue, no mesmo dia em que um outro nasce. Aqui estamos. Aqui continuamos.




30 de dezembro de 2008

O que fica por fazer

Em 2008, afigura-se difícil chegar às 365 postas. Todavia, haverá sempre aqui lugar para as boas canções.


26 de dezembro de 2008

20 de dezembro de 2008

Natal (província)

Ou: mestre ensina discípulos.


17 de dezembro de 2008

Intervalo (cont)

Continuando na análise política, não sei se o Pitta já examinou o sucesso da Prop 8. E, no entanto, a demonstração que segue convenceria até o João Miranda. There's money to be made.


Intervalo

Para sublinhar a análise política certeira onde menos se esperaria. E todavia o Pitta tem razão. Mais: para os que sonham com uma versão portuguesa do Linke do senhor Lafontaine, lembrem-se qual o resultado que ele conseguiu. Não, a resposta certa não é 8% nas legislativas. A resposta certa é: a coligação CDU/SPD. Como é que isso se chama em Portugal? Pois, o Bloco Central.

12 de dezembro de 2008

Passagem de Ano

Quem nunca passou assim o fim de ano que atire (?) a primeira pedra

Fim de Festa

10 de dezembro de 2008

No entanto

Por vezes dou por mim a pensar que poderei necessitar, com uma certa urgência, de um mecanismo eficaz de auto-censura. E isto não tem a ver com blogues ou escritas.

No hay banda

9 de dezembro de 2008

Quis custodiet ipsos custodes?

Só mesmo uma das piores bandas de sempre para gerar tanta controvérsia e (quase) nos fazer perder o latim. Uma agência independente britânica que vigia conteúdos pedófilos na Internet aconselhou, e os fornecedores britânicos de acesso à Internet seguiram, bloquear esta página, doravante inacessível aos internautas no Reino Unido (ver a história aqui). Esta capa do álbum Virgin Killer dos famigerados Scorpions é de facto culpada do crime de mau gosto. Daí a ser censurada vai um passo gigantesco: o que transforma as boas intenções em censura pura e simples. É já um lugar comum dizer que se Nabokov tivesse escrito Lolita hoje, em pleno caldo cultural de histeria contra tudo o que possa vagamente parecer-se com exploração sexual da imagem das crianças, o livro nunca teria sido publicado. Começamos no entanto a ficar preocupados quando são os fornecedores de acesso à Internet eles próprios, e nem sequer o Estado, a praticar a censura.
Para aligeirar esta posta, ver aqui outras capas controversas.


Basel (remix)

Por vezes – e só por vezes – sentimos que tudo está já decidido: quem passa a eliminatória, quem fica pelo caminho e quem se dá por satisfeito com o que alcançou. Andamos pela vida a cumprir calendário.

4 de dezembro de 2008

1930-2008


ainda tentou resistir até 20 de Janeiro mas já não conseguiu

3 de dezembro de 2008

Pano Vermelho

E não comecem a provocar o pessoal, que falar de tops aos maluquinhos da música é como acenar com o pano vermelho ao terrível touro.


Songs of Love...

As melhores canções de amor? Toma e embrulha toi-même.




2 de dezembro de 2008

Maravilhas da indústria química

Aahh, Basileia e as suas AVO sessions, tão chiques e burguesas. Mas uma bela sala, sem dúvida, com aquela elegante decadência tão simpática. Há um ano foi mais ou menos assim. Depois fui-me embora porque não fui lá para ouvir a senhora e sim este aqui em baixo.







que aparentemente ninguém se lembrou sequer de filmar (aliás, esta canção não fez parte da setlist). Pois, o Mundo ao contrário...

Resta-nos esta fotografia...



Spanish Tie and no other stories

Quando entra, são as narinas que primeiro se lhe contraem. O apartamento é minúsculo, mas ela indica-lhe imediatamente o quarto, sem que ele consiga descobrir onde é a cozinha, ou se cozinha sequer existe. Mas é provavelmente dessa invisível cozinha que chega aquele cheiro que é estranho, diferente e exótico: especiarias desconhecidas no mundo ocidental. Enquanto espera por ela, ele não consegue deixar de pensar que algures naquela casa se encontra um cozinhado a apurar, lentamente; não sente culpa, mas um leve e desagradável remorso antecipado porque aquele prato misterioso, seja ele qual for, ficará certamente demasiado cozido. Continua a pensar nisso, mesmo quando se apercebe que terá sido ela a meter um velho disco esquecido de Chris de Burgh.
(…)
Só quando chega à rua, puxando a gola do casaco para cima para proteger o pescoço do frio gélido, o cheiro lhe abandona as mucosas nasais. Mas continua a matutar que prato seria aquele. Por muito tempo. Mais – muito mais – tempo que o ideal.

1 de dezembro de 2008

Dezembro

O último mês.

29 de novembro de 2008

27 de novembro de 2008

Two Lovers

São as histórias banais as mais interessantes? Quem devo escolher, a loura ou a morena, uma vida incerta ou o conforto do meu emprego, a quem devo o meu respeito e lealdade, como conseguirei ter coragem para desapontar a minha família, que confia e conta comigo nos tempos difíceis.
E como resistir à tentação de me deixar cair nas águas escuras e geladas de Brighton Beach? Como esconder as cicatrizes que me povoam os pulsos, a não ser com as luvas que só tirarei em Março.
Tudo isto mais a Estranha Forma de Vida, que ouvimos de repente no restaurante junto à praia.
Mais Joaquin Phoenix, que diz que para ele o cinema acabou com este filme. Quem sabe se não será ele que tem razão?
Estranha Forma de Vida

22 de novembro de 2008

Programa de protecção de testemunhas

Ser enviado, com nova identidade, para uma terra distante onde poderia refazer a minha vida, com novos amigos, uma nova ocupação, quiçá uma nova filosofia? Tentador, mas insuficiente. Podemos até reunir a coragem necessária para testemunhar contra o grande chefe dos criminosos, mas não nos peçam para integrarmos o programa de protecção de testemunhas. Seria demasiado… aleatório.



21 de novembro de 2008

jesus baby

Na categoria Rock cristão, aqui celebrada, mais que os Pontos Negros (e espero que o produtor deles não me desminta), ainda ningém fez melhor que Cartman: “é só fazer uma canção pop normal e em vez de gritares baby gritas jesus!” E assim nasceram os Faith + 1.


17 de novembro de 2008

Alice

Olho-me ao espelho, as mãos apoiadas no lavatório. Se de facto, como dizem, não há vida do lado de lá, estarei a perder tempo? Não, pois sei bem que o tempo não se perde; apenas se reflecte, mas de maneira invertida, como a imagem que o espelho me devolve. Já voltei as costas ao espelho quando decido que estou a precisar de um corte de cabelo. Eu sei: a maior parte das minhas decisões vêm demasiado tarde.




14 de novembro de 2008

O que tu queres sei eu

Diário de Notícias: sempre na ponta da investigação jornalística. Graças ao ISCTE, sempre na ponta tout court.

13 de novembro de 2008

Amigos por procuração

Continuemos então com a regra da intermitência, muito irregular, da aparição da política neste paralelo. A causa próxima é este artigo do Pedro Lomba, mas o assunto – a procuração do ministro Pinho ao presidente da Autoridade da Concorrência Sebastião – tem sido glosado nestes últimos dias na imprensa (por exemplo aqui) e nos blogs (ver por exemplo aqui e aqui).
Antes de mais, não é seguramente muito inteligente que um administrador de um banco passe uma procuração a um administrador do Banco central, mesmo se para tratar de um negócio aparentemente claro como água e perfeitamente legítimo. Tal descuido não abona muito sobre a aptidão de tais indivíduos para exercer cargos de natureza política.
Dito isto, não consigo perceber como é que esse facto pode influenciar as condições de exercício de cargos que nem um nem outro exerciam na altura; e muito menos consigo perceber como é que tão tenebroso negócio – uma procuração para compra de uma casa passada a um amigo por quem vivia no estrangeiro – poderia afectar, anos depois, a imparcialidade objectiva (digo objectiva porque é isso que está em causa: aparentemente não existe nenhum problema de imparcialidade subjectiva, na medida em que ambos os interessados possuem currículo mais que suficiente para exercer os cargos em questão) que se exige do presidente da autoridade de concorrência.

Tudo isto, certamente por defeito meu, eu não percebo. Mas o que me espanta verdadeiramente é toda a gente achar normal o exercício sucessivo de certas funções que essas sim podem afectar as condições objectivas mínimas de imparcialidade:
- juízes nomeados para chefiar forças policiais que regressam de seguida, como se nada fosse, à magistratura penal;
- assessores de imprensa que regressam imediatamente a seguir ao fim da comissão de serviço à profissão de jornalista para cobrir as actividades exactamente das mesmas pessoas ou partidos que serviram;
- jornalistas com participações importantes em empresas sobre as quais não hesitam em escrever nos seus jornais;
e etc.

Tudo isto, considerado em Portugal perfeitamente normal por quase toda a gente, seria impensável em muitos dos países que a maior parte destes comentadores ofendidos tanto – e com razão – apreciam. Já para não falar de chegar a sofisticações destas.

Mas isto – repito – deve ser problema meu: é que vivo fora de Portugal e tenho às vezes que dar procurações a amigos.

11 de novembro de 2008

Anamorfose

Falta anamorfose por todo o lado. Não é difícil suspeitar que a realidade pode parecer diferente, consoante o sítio onde nos encontramos. Mas só o tempo nos ensina a acreditar que as coisas são mesmo diferentes, só por mudar a nossa perspectiva sobre elas. E não é preciso apanhar um filme medíocre na televisão para nos lembrar isso.






Esta pintura de Holbein é o exemplo perfeito da anamorfose renascentista. Só nos apercebemos que a mancha no tapete é uma caveira quando olhamos o quadro a partir de um ângulo muito específico.

9 de novembro de 2008

Fim de Semana

e antes do meu pequeno almoço psicadélico

7 de novembro de 2008

Unheard Of!

Um Português totalmente desprovido de sentido de humor? “Unheard of!”, diz uma colega inglesa. Não sei qual dos motivos – não a querer desapontar ou preservar a boa imagem da Nação nestes tempos difíceis – que me levou a sorrir e não responder. Mas, by Jove, ela está tão enganada…

6 de novembro de 2008

It's not so f…ing simple to remove cow s… out of a Prada purse

Apreciemos então toda a arte dessa imensa jurisdição, o Supreme Court. Ou como discutir a constitucionalidade de punir a utilização de linguagem indecente sem nunca pronunciar, nem ao de leve, as palavras em causa. Sendo que ele há situações, como a que é ilustrada pela frase que figura em título desta posta, atribuída a Nicole Richie, que deixam poucas alternativas. E queixam-se alguns de bandeiras nazis expostas em santuários da democracia...

Balanço

O melhor balanço da noite eleitoral é dado pelo Público de hoje (artigo sem link): "Bom dia. Dja no ganha. Primo preto dja ta na topo, ta na comando."

4 de novembro de 2008

3 de novembro de 2008

Confessions of a Dangerous Mind

Sim, confesso: no meu tempo, também tomei muitos Dinintéis...

1 de novembro de 2008

Fim de Semana

Desafinada



Dança Comigo

30 de outubro de 2008

W.

Contrariamente ao que se diz aqui – obviamente sem razão nenhuma – W. não é uma merda. Comparado aos recentes opus do Oliver Stone (sobretudo ao tenebroso telefilme World Trade Center e ao ridículo ensaio de fim de curso Alexandre), é até muito razoávelzinho. Não só o tom acaba por ser o mais acertado possível, tendo em vista o tema do filme e o facto do personagem principal ser o actual presidente dos Estados Unidos da América, como o objectivo se percebe perfeitamente: as coisas não são sempre totalmente brancas ou pretas e todos nos movemos entre vários tons de cinzento; só assim um all american boy como Bushie pode chegar ao cargo mais importante do Mundo. A grande crítica que se poderá fazer a W. é o facilitismo: o simplismo da explicação freudiana (inveja + complexo de Édipo), a excessiva caricaturização dos membros da Administração Bush e a incerteza do papel reservado a algumas personagens (Laura, na sua primeira aparição e na cena seguinte do debate entre W. e o candidato democrata, deixa antever ser uma mulher forte e com opiniões mas essa sua faceta desaparece, inexplicavelmente, à medida que o filme avança). Ainda assim, W. vê-se com algum agrado, o que é mais que se pode dizer de 80% da produção actual que chega às salas escuras. E sim, Josh Brolin é genial sem ser cabotino (embora continuemos sem esquecer o grandíssimo Dr. Block!).




Timeline


Tempo, esse enorme escultor? Ou esse pedreiro inapto que põe tijolo sobre tijolo, colado com uma argamassa demasiado aguada?
Coisas de Primeiro Aniversário.

29 de outubro de 2008

Do you want to be my friend? Please confirm

M. zanga-se quando digo que já conheço gente em número suficiente e que dispenso novos amigos. Mas aquilo que ela toma por um chiste mais ou menos inofensivo, a merecer uma reacção falsamente indignada, é a mais pura verdade. Torna-se cada vez mais difícil suportar o trabalho que dá uma nova amizade e todo o cortejo de pequenas preocupações que a acompanham, que nos deixam ocupados quase a cem por cento: parecer interessantes – e interessados –, simpáticos e inteligentes ou até, tão simples mas simultaneamente tão complicado, apenas estar e ter paciência para ouvir o outro. Donde, não creio conseguir suportar muitas mais novas amizades ou até meros conhecimentos sociais. No fim de contas, até no Facebook temos que confirmar os novos amigos.

Condenado à homenagem

A condenação de um clube a homenagear um ex-jogador abre perspectivas interessantíssimas. Por exemplo, o futuro presidente Obama poderá ser obrigado a homenagear em público Sarah Palin e o Sindicato dos Humoristas Portugueses o ministro Mário Lino. É que a ingratidão é uma coisa muito feia.

27 de outubro de 2008

Vicky Cristina Barcelona

Como sempre, um mau Woody Allen é melhor que 90% dos filmes do ano. Mesmo quando não consegue evitar a opção postalzinho de férias, com muitas imagens do que os americanos pensam ser a Espanha. Mesmo com os clichés ready-made. Mesmo com aquela sensação de já ter visto tudo aquilo em algum lado. É que um filme sobre triolismo será sempre um filme agradável, ligeiro como uma taça de champanhe gelado ou como Jules e Jim em Paris no Outono. E, para os fãs da Scarlett, em que se inclui este blog, fica a surpresa de ser Penélope Cruz a alma do filme.


26 de outubro de 2008

25 de outubro de 2008

So Sunny

Com um fim de semana tão cheio de Sol, sejamos indulgentes com as raparigas bonitas que gostam de cantar. Mas só por 45 segundos, não comecemos a habituá-las mal.


22 de outubro de 2008

Miguel’s Eleven

Pelo DN de hoje ficamos a saber que roubaram da casa do Miguel Sousa Tavares o laptop que continha a última grande obra do popular opinion maker, escritor e Rui Santos da TVI. A dada altura, MST recorda, a propósito desta situação, "o caso verídico de T. E. Lawrence (conhecido como ‘Lawrence da Arábia’) que, em 1919, numa mudança de comboios na estação de Reading, em Inglaterra, perdeu a sua mala e com ela grande parte do manuscrito que iria, mais tarde, dar origem à obra autobiográfica Os Sete Pilares da Sabedoria. Lawrence teve de escrever praticamente tudo de novo, de memória uma vez que já tinha deitado fora as notas originais, e isso não impediu que este livro, onde relata a sua experiência com as forças rebeldes árabes (1916-1918), se tornasse uma obra de referência e desse origem ao famoso filme de 1962, Lawrence da Arábia, realizado por David Lean"

Gosto da modéstia de MST, quando se compara desta maneira quase acidental ao T.E. Lawrence e, já agora, o Riacho das Flores ao 7 Pilares. Faltará agora apenas acrescentar o passo que falta: comparar-se ao Philip Roth (referindo-se ao The Dying Animal?) e encontrar-se pronto a não receber, de maneira absolutamente injusta, o Nobel da Literatura daqueles pategos de Estocolmo que não percebem nada de nada!

Mais indignações com este inqualificável acto criminoso e solidariedade com o nosso simpático e popular escritor aqui (via Câmara Corporativa).


Candidatos falhados a escritor planeiam assalto a residência chique na Lapa




21 de outubro de 2008

Hoje sinto-me generoso (2)

Volta, JPP, que depois de uma posta bonita assim tudo se te perdoa.

Hoje sinto-me generoso

Portanto dou uma prenda ao Pedro Marques Lopes, que perguntava há uns tempos, comentando o Rui Tavares, acerca do agravamento das desigualdades :
Ó aqui este estudo mailindo...

20 de outubro de 2008

I love Washington in the Spring

Que se passa nos austeros corredores das instituições financeiras mundiais para isto acontecer outra vez? Primeiro o seriíssimo Wolfowitz e agora o bon vivant Strauss-Kahn. Não sei se, como diz o João Miranda – que sabe tudo – esta crise financeira era, ao contrário da aventura do Sr. Strauss-Kahn, impossível de prever. Mas percebo melhor essa falta de capacidade de previsão dos peritos da finança mundial, ocupados como estavam a engatar gajas. Dito isto, devo frisar que sou a favor da alegria no trabalho, como rezava o slogan da velhinha FNAT. E Washington é quase tão bonito na Primavera como Ermezinde.

Cisões

Uma das coisas boas das cisões é passarmos a ter dois bons blogues em vez de um. Independentemente de eu ainda não ter percebido muito bem as origens da dita cisão. Mas também não me preocupo muito com isso, pois estou já com as atenções dirigidas para Donetsk. Ainda assim, estarei atento às reacções jugulares a tal acontecimento importante da semana.

17 de outubro de 2008

But I am Green

Depois de ter sobrevivido a três tentativas de suicídio, o sapo Cocas deixou de ligar a Nine Inch Nails e passou a ouvir Radiohead. E mais nada.

The Shadow Knows (3)

Chupou com força o cigarro, expeliu o fumo e continuou “No entanto, sobre as causas da decadência dos pénis peninsulares ninguém fala.” Sacudiu a cinza. “E não se apreende logo a premência de tal assunto?” Mais uma passa “Era uma pergunta retórica…”
Ela coçou levemente a base do seio esquerdo. Tinha vontade de dar um peido mas conteve-se.
“Não falo da omnipresença do Viagra, que se limita a levantar temporariamente o entusiasmo de uns quantos órgãos mais preguiçosos.” Ele continuava a falar. “É antes uma letargia, uma espécie de cansaço existencial. É uma descrença que se insinua devagarinho, larvar, subreptícia e tinhosa. É um mal que se instala, a Península que se estiola. E, repito, sobre isto ninguém fala.”
Era demais para o corvo. Entrou a voar pela janela e deu-lhe uma bicada nos tomates.

16 de outubro de 2008

I focus on the Pain



The Needle tears a Hole

O Sapo Cocas - quem não se lembra, meninos e meninas - teve recentemente uma vida difícil, a que não terá sido estranha a morte do seu criador e mentor, Jim Henson. Droga, loucura, prostituição e talvez morte. Sobretudo depois de ter descoberto Nine Inch Nails. Na versão Cash, claro.


O Momento da Verdade

I told you so?

O resultado foi obviamente mau. Aquela bola chutada pelo suplente albanês deveria ter entrado. Com 0-1, o tenebroso "Prof." Queiroz estaria a fazer as malas.

15 de outubro de 2008

Noite Escura

“North Philly, May 4, 2001. Officer Sean Devlin, Narcotics Strike Force, was working the morning shift. Under­ cover surveillance. The neighborhood? Tough as a three­ dollar steak. Devlin knew. Five years on the beat, nine months with the Strike Force. He’d made fifteen, twenty drug busts in the neighborhood. Devlin spotted him: a lone man on the corner. Another approached. Quick exchange of words. Cash handed over; small objects handed back. Each man then quickly on his own way. Devlin knew the guy wasn’t buying bus tokens. He radioed a description and Officer Stein picked up the buyer. Sure enough: three bags of crack in the guy’s pocket. Head downtown and book him. Just another day at the office.”

O novo Lehane? O pitch da nova temporada de The Wire? Errado: é o primeiro parágrafo do voto de vencido do Chief Justice Roberts em Pennsylvania v. Dunlap (via Volokh)!!
Senhores Juízes Conselheiros, ‘bora lá tornar esses acórdãos menos áridos?

14 de outubro de 2008

I Ringo

O inesquecível Ringo anunciou no seu site pessoal que vai deixar de dar autógrafos, por estar demasiado ocupado para isso. As pessoas da minha geração lembrar-se-ão de uns desenhos animados dos Beatles em que o Ringo era apresentado como pouco menos que o Rain Man: era o burro da companhia, o gajo, sempre gozado pelos colegas, a quem era preciso explicar tudo. Músico e instrumentista medíocre, como se sabe, terá atingido o seu momento de glória no que foi simultaneamente um gozo descarado dos colegas de grupo: com efeito, só mesmo com A Little Help from His Friends é que Ringo conseguiria enfim ter um papel de algum relevo numa canção dos Beatles. Este anúncio disparatado só prova que Ringo continua igual a ele próprio: encontra-se num mundo paralelo, de que é Rei e senhor absoluto e onde revive em permanência a ilusão de ter sido a alma mater da banda mais conhecida do Mundo.
Nestas alturas, perguntamo-nos se não seremos nós também os Ringos das nossas próprias vidas, olhando estupidamente para acontecimentos que não percebemos e recusando dar autógrafos porque julgamos não ter o tempo que entretanto perdemos em minudências.

13 de outubro de 2008

9 de outubro de 2008

The Mad Hatter

Através do Diplomata cheguei a uma reportagem fotográfica interessante do LA Times sobre o Townhall debate desta semana. Mas depois verifiquei que, muito mais importante que esse debate, é um pouco mais abaixo que se encontra o autêntico serviço público providenciado pelo grande jornal da West Coast: as fotos do cast de Alice in Wonderland, o novo Tim Burton. Aqui.

8 de outubro de 2008

3 regressos

Que devem ser devidamente assinalados.


O País Relativo

Canhoto

Frech Kissin'

Entretanto, na SIC-N

Berardo fala, ou melhor, emite sons, com Mário Crespo. Voz maldosa sopra-me que se o capitalismo é isto, não é de admirar que esteja a morrer.

6 de outubro de 2008

...

Maria Emilia, pára de brincar com os comprimidos do pai!

12.See Emily Play - Martha Wainwright

4 de outubro de 2008

Mudar de Vida

Nesta cena de Garden State, Sam (Natalie Portman) estende os auscultadores a Andrew (Zach Braff) para que este possa ouvir uma música que terá mudado a vida dela (Sam). Como já vi escrito algures, não há memória de música alguma ter mudado a vida seja de quem for. Mas quando o ecrã é inundado pelo sorriso de Natalie Portman, quase acreditamos que, mais que tornar a nossa vida suportável, certas músicas podem salvá-la.


3 de outubro de 2008

Entretanto, há exactamente 100 anos e um dia

The Shadow Knows (2)

“Devia ter adivinhado que algo se iria passar mal quando ela me deu um aperto de mão.”, disse ele pousando o copo. “Afinal de contas, que raio de puta é que te estende a mão quando chegas ao bordel?”, e abanou a cabeça tristemente.
O corvo bateu duas vezes as asas e planou até ao ramo mais alto da árvore mais próxima, farto de ouvir banalidades.

2 de outubro de 2008

Entretanto, na blogosfera...

... gostamos muito de blogs especialistas. E quem não precisa de perder peso?

1 de outubro de 2008

A Vida 1.0

De todas as inovações parvas que nos foram trazidas pela renovação das redes sociais, provocada pela Web 2.0, as flash mobs são uma das mais tolas. Presenciei uma, completamente por acaso, na praça principal de uma grande cidade europeia: de repente, meia dúzia de alminhas imobilizaram-se, levantaram as cabecinhas e ficaram a olhar para o céu durante um minutinho, para imediatamente – e felizmente, acrescentaria eu – se dispersarem e se dedicarem, para quem as tivesse (o que não é seguro), às suas ocupações habituais. Existem outros exemplos mais ou menos conhecidos: da multidão que de repente se baixa para atar os atacadores dos sapatos na Grand Central Station de Nova Iorque aos patuscos que se dedicaram a uma batalha de almofadas no Champ de Mars, logo ali ao lado da torre Eiffel, em Paris.
Poderá talvez dizer-se que as flash mobs, apresentadas por alguns como uma performance de rua, pretendem realçar o absurdo da existência humana, através da repetição simples – e sempre por um colectivo mais ou menos numeroso – de um gesto deslocado do contexto; seriam assim mais um sinal da vacuidade do consumismo, no fito de nos convencer da inutilidade de outros gestos quotidianos – comprar, trabalhar, visitar – que parecendo ter sentido, não o têm de facto, não conseguindo mais que ser os actores secundários da imensa Comédia Humana.
Sim, poderá dizer-se isso. Mas estaríamos enganados. Porque lá no fundo as flash mobs são apenas um disparate pegado que leva pessoas que não têm mais nada com que se entreter a fazer, regra geral, figuras tristes na via pública.
Assim, quando a Ana Matos Pires convoca o people para uma flash mob em defesa do “acesso ao casamento civil”, está a enganar-se a ela e às pessoas que pretende convidar. Com efeito, por definição, uma flash mob não tem objectivo; é completamente desprovida de intenção militante ou reivindicativa. No fundo, como se dizia num comentário à posta da Ana, o que ela fez é nem mais menos que uma velhinha convocação de uma manif por interposto blog e, quiçá, por SMS.
Menos hype, sem dúvida. Mas com mais sentido.

Semana Santa

Já só falta agora que o grandíssimo Nápoles cumpra a sua missão para a semana ser uma boa semana. Sem precisar de saber o resultado de hoje à noite.

30 de setembro de 2008

Grandes Capas

Agradecimentos sentidos à imprensa polaca

(tirado daqui)

29 de setembro de 2008

Subprimes

Uma blogger do Atlântico chama a atenção para este grave problema que, confesso, me tinha escapado até agora. Com efeito, não é admissível que os turistas e/ou estudantes americanos em viagem pela Europa sejam vítimas dos tratamentos xenófobos descritos pela Ana Margarida Craveiro. Ele é “desdém e desprezo”, ele é “uma espécie de Santa Inquisição, com os (…) americanos na fogueira”. A Ana faz uma crítica mordaz mas firme de todos aqueles hipócritas que “vociferam contra directivas de retorno e manifestações de xenofobia” mas ficam caladinhos quanto às graves manifestações desta mesmíssima xenofobia anti-americana. Eu, aqui no meu cantinho, uno a minha voz à da Ana Margarida e grito bem alto: não à xenofobia anti-americana. E se, mau grado os esforços doutros como nós, este infeliz estado de coisas persistir, proponho, como solução de recurso, que se enviem os americanos maltratados pelos xenófobos europeus para uma espécie de “país-abrigo”, onde estarão a salvo dos bárbaros. Porque não a Itália, onde haverá muito sítio para os arrumar depois do Sílvio ter expulso a ciganada toda?

28 de setembro de 2008

25 de setembro de 2008

Clare again

And now, especialmente dedicado aos nossos amigos liberais (no sentido não-americano da palavra):


The Shadow Knows

“Penso que o sexo é muito sobrevalorizado…”, disse ela depois de soltar uma nuvem de fumo.
“Estás parva? Nem por sombras…”, respondeu ele coçando o escroto vagarosamente.
“A Humanidade está muito sobrevalorizada”, pensou o corvo recém-chegado, a equilibrar-se sobre a balaustrada da varanda.

24 de setembro de 2008

Lucy e Magalhães

Não pensem que este blog não é sensível a este problema. Como se lê aqui :

"Então e se os putos pesquisarem no Magalhães por: Lucy, Luciana Abreu ou Floribella? como é que a SIC deixou escapar estas? Nem parece deles ... 16 heures ago from web "
Seguem as ditas cujas "estas" (tiradas daqui, com a devida - e enormíssima - vénia).


O Pecado Original

Neste contexto, lembra-se aqui de novo o Grande Pecado Original de que padece o Pacheco Pereira: quem tentou expulsar os jornalistas dos Passos Perdidos não poderia, nunca mais e para todo o sempre, dizer seja o que for sobre liberdade de imprensa. A não ser, digo eu, que se tratasse apenas, nesses tempos que já lá vão, de expulsar exclusivamente jornalistas da RTP. A ser assim, isso seria apenas presciência.