29 de abril de 2009

What Crisis?

Sendo o valor “Trabalho” muito relativo neste blog, e o ritmo de postas cada vez mais espaçado, não por falta de tempo mas por ausência de talento, folgarão os poucos leitores que temos em saber que se prepara mais uma das várias pausas com que os temos brindado. Sorriam pois, caros leitores, que o Bloom já só pensa no seu weekend em Londres. Aahh, as belezas campestres de Hampton Court, os seus charmosos palácios e músicos decadentes. Aahh, o saltinho da ordem ao mercado de Camden e aos seus vendedores de vinil e CD’s de bootlegs that you won’t find elsewhere, mate, no fucking way! E, enfim, must dos musts, uma pequena visita ao Hawley Arms (sim, meus amigos, já reabriu, não há fogo que dê cabo do Hawley), rezando para que a Amy esteja bem disposta. Crise? Qual crise?

No fucking way, mate...

Todos os Nomes

Com nomes assim, falar torna-se uma formalidade desnecessária. Ainda assim, gostaria de saber se o autor deste artigo o abriria da mesma maneira se o “gang da Lapa” fosse composto por ucranianos.

27 de abril de 2009

Há sempre qualquer coisa que está para acontecer

Pois está (especialmente dedicado ao Vacas).



Liberdade de Expressão

É bom saber que nestes tempos sombrios, em que se pretende amordaçar políticos corajosos e destemidos jornalistas, o pluralismo televisivo encontra-se bem defendido pelos paladinos da Verdade. Por exemplo, ontem Domingo pelas 9 da manhã mais coisa menos coisa, RTP1, TVI e SIC-N transmitiam em directo do Vaticano a mesmíssima cerimónia, que eu não cheguei bem a perceber qual era.

Balanço

“Começo pelo “devem” para desde já afastar a ideia absurda, que, por notória conveniência Vital Moreira exprimiu (acompanhado por Laurinda Alves), de
que só se devem discutir “questões europeias”.”

Esta é sem dúvida alguma a frase mais mázinha do fim de semana. Reparem com efeito no prazer que JPP não consegue esconder ao escrever aquele parêntesis: “acompanhado por Laurinda Alves”. Acompanhado por Laurinda Alves?! Francamente, Pacheco Pereira, isso não se faz, o candidato Vital não merece.

23 de abril de 2009

Dia do Livro

yeah, right...

Primeira Imagem

Primeira, pois estas de que se falava aqui já não estão disponíveis. Imagem roubada (com a devida e gigantesca vénia) daqui.


Vou? Não vou?



22 de abril de 2009

20 de abril de 2009

Fragmentos

Porque é que o fenómeno Susan Boyle é tão grande? Como Debord explicou, o Real só avança enquanto lhe(nos) derem um espectáculo (uma narrativa, diriam os pós-modernos) capaz de manter a perenidade da reprodução da alienação capitalista (cujo fim não é já a acumulação da riqueza mas tão só da imagem). Porque é que a voz de Susan Boyle emociona alguns até – literalmente – às lágrimas? Porque não concebemos que aquela voz possa sair daquele corpo feio, disforme e inadaptado. Daí as reacções faciais dos membros do júri à medida que Susan canta: cada um deles rivaliza com o colega do lado na tentativa de mostrar o maior espanto possível. Vêm a seguir, como num mau filme, as fases da auto-comiseração e depois da condescendência. Como diz a louríssima e bela jurada Amanda Holden, do alto da sua experiência de actriz do West End, se alterarem a imagem de Susan, dando-lhe um suplemento de glamour, perde-se a magia. Quanto a nós, as pessoas “normais”, somos confortados pela ideia que toda a gente poderá ter, um dia, os seus 15 minutos de fama. Sem pensar – para quê? – que esse quarto de hora de sonho, como os que se lhe seguirão, está já programado ao milímetro na agenda universal da sociedade do espectáculo.



Susan Boyle - Singer - Britains Got Talent 2009
by moovieblog

Valores Seguros

Farto de comentadores adeptos da gracinha marialva e trauliteira? Cansado de opinion makers armados ao pingarelho? A solução é voltar aos valores seguros.
Por exemplo, aqui. Deixe-se dito: é para mim um completo mistério a indiferença com que são recebidos os textos do Nuno Brederode Santos, sempre inteligentes e informados.
Ou aqui. Se é verdade que por vezes aquela tendência para reduzir tudo à iminência do inevitável “Apocalipse que aí vem se não seguirem os meus conselhos” enerva um bocadinho, quando António Barreto escreve sobre seja o que for não escapamos à evidência que o talento foi muito mal distribuído.

16 de abril de 2009

O milagre da multiplicação das libras

Existe de facto um grande problema de iliteracia em Portugal. Este artigo já se encontra em linha há umas quantas horas. O misterioso documento intitulado “Memo”, não assinado e feito numa folha de papel simples, sem header ou logótipo, também se encontra disponível aqui. Mas ainda não vi ninguém vir explicar como é que 1.250.000 PTE (soma citada no documento) podem ser as 4 milhões de libras de que fala alegremente tanto jornal.

15 de abril de 2009

Teoria do Caos

Em 7 de Setembro de 1951, o escritor beat William Burroughs, durante uma sessão de copos com alguns amigos e com a mulher, Joan Vollmer, na casa que ambos habitavam em Mexico City, terá dito à referida Joan: “It’s time for our William Tell act.” Joan colocou então um copo com água na cabeça e Burroughs puxou da pistola, apontou e disparou. Falhou o copo mas acertou em cheio na cabeça de Joan, que viria a falecer uma hora depois. Burroughs esteve preso duas semanas e foi posteriormente condenado pela justiça mexicana, por homicídio por negligência, a dois anos de pena suspensa. Burroughs tinha na altura 37 anos e Joan 27.
No mesmo ano de 1951, nascia Linda Wong, a primeira pornstar de origem asiática. Depois de uma carreira rápida e recheada de alguns sucessos do género, Linda viria a morrer de uma overdose, depois de misturar qualuudes, Xanax e álcool, todos em quantidades irrazoáveis. Linda tinha 35 anos e era, como Burroughs, grande consumidora de heroína.

William Burroughs num pequeno papel em The Drugstore Cowboy de Gus Van Sant

Recriação da cena William Tell

Linda Wong antes da Queda

14 de abril de 2009

Enfim

Enfim, com alguns anos de atraso, descubro este portento. Sim, têm toda a razão estes rapazes. E vicia quase tanto como heroína, aposto. C., que vê comigo apenas uns minutos de um episódio da primeira temporada, diz-me que tenho de lhe passar o DVD quando acabar. Este vício apanha-se num instante.



13 de abril de 2009

Gran Torino

O problema das expectativas muito altas é que, quase inevitavelmente, acabamos desiludidos. Não sendo um mau filme (e, sejamos claros, Clint Eastwood já demonstrou ser capaz de fazer maus filmes), Gran Torino é relativamente banal. Aquilo a que alguns chamam classicismo revela-se afinal simples academismo, a que se junta alguma ausência da inventividade formal que no entanto Clint já demonstrou no passado. Por exemplo, o tema da redenção já foi melhor explorado pelo próprio Clint: pense-se apenas no fabuloso A Perfect World. Algumas metáforas - o cadáver do personagem de Clint, braços abertos em cruz - chegam a ser insuportáveis de banalidade. Ficamos assim com um filme razoável, que se vê com um certo agrado, mas muito inferior a outras obras incomparavelmente superiores do mesmo Clint. Daí algum espanto da minha parte com alguns dos encómios da blogosfera a Gran Torino. E, sem querer ligar uma coisa à outra, não se deixa de sentir algum desconforto quando se pensa que alguns poderão interpretar as "bocas" racistas do personagem de Clint literalmente, como um expoente da nova obsessão politicamente correcta que é ser politicamente incorrecto. Gostar de um bom filme por más razões é mau. Fazer o mesmo por um filme mediano é pior.




9 de abril de 2009

A Madonna tem, a Angelina tem e o Bruno quer ter

Comentador avisado que sou (porque mentes, Bloom?), preparava-me para deixar um comentário jocoso e extremamente inteligente nesta posta do Delito de Opinião. Preparava-me, dizia eu. Desisti a tempo quando vi esta resposta da autora da posta a um anónimo:

“De Anónimo a 9 de Abril de 2009 às 10:41
Mesmo assim, prefiro a adopção de um Cão de Água português pela família Obama.
responder a comentário discussão
De João Carvalho a 9 de Abril de 2009 às 11:01
Compreende-se o anonimato: não é propriamente um comentário de bom gosto para o tema abordado.
responder a comentário início da discussão discussão
De Teresa Ribeiro a 9 de Abril de 2009 às 15:19
Pois é, João. Alguns anónimos às vezes deixam-nos sem palavras.”

Este pobre Anónimo, assim reduzido à sua insignificância pela seriíssima Teresa Ribeiro, grande especialista em Estudos Neocoloniais e Ritos Adoptivos Africanos, fez-me desistir de armar ao pingarelho em casa alheia. Donde, passarei o fim de semana pascal aqui por minha casa.
“Pois”, perguntam vocês, “mas who the fuck é o Bruno do título desta posta, Bloom?” Perguntam bem, queridos leitores mas, meus desatentos leitores, se tivésseis visto esta posta, não necessitaríeis de perguntar.

A contar vindo do céu

7 de abril de 2009

The Automatic Generator strikes again

A vítima mais recente do gerador automático de postas (ver aqui) é o Abrupto. É a única explicação que se encontra para uma posta tão ridícula. Pacheco Pereira, volta por favor, não deixes o teu blog ser invadido por geradores automáticos.

6 de abril de 2009

(Un)Motivational speech

Um lampejo, um início de solução? Ou um paliativo, uma espera indolente e indolor? Actos importantes – daqueles que podem mudar uma vida – só deveriam provocar efeitos após confirmação oficial. Com selo branco e lacre.



5 de abril de 2009

2 de abril de 2009

Fim de Semana Alucinante

Viver numa base militar não deve ser muito diferente disto: só hoje já vi cerca de 60 polícias, 40 barreiras, 5 ou 6 patrulhas, 4 helicópteros a passar no céu (2 dos quais daqueles americanos grandes que mais ninguém tem e que deixa a tropa europeia verde de inveja) e uns 20 motards. Também vi, tentando passar despercebidos a nadar no rio, 3 patos que me pareceram agentes do Serviço Secreto americano disfarçados. Donde: apeteceu-me postar, para prenúncio deste fim de semana alucinante, a mulher quarentona em todo o seu esplendor. Penso ser menos somítico que oferecer um IPod.

Cindy C., 43 anos, não se lembra onde pôs o IPod

(clicar na foto para a ajudar)

1 de abril de 2009