30 de outubro de 2008

W.

Contrariamente ao que se diz aqui – obviamente sem razão nenhuma – W. não é uma merda. Comparado aos recentes opus do Oliver Stone (sobretudo ao tenebroso telefilme World Trade Center e ao ridículo ensaio de fim de curso Alexandre), é até muito razoávelzinho. Não só o tom acaba por ser o mais acertado possível, tendo em vista o tema do filme e o facto do personagem principal ser o actual presidente dos Estados Unidos da América, como o objectivo se percebe perfeitamente: as coisas não são sempre totalmente brancas ou pretas e todos nos movemos entre vários tons de cinzento; só assim um all american boy como Bushie pode chegar ao cargo mais importante do Mundo. A grande crítica que se poderá fazer a W. é o facilitismo: o simplismo da explicação freudiana (inveja + complexo de Édipo), a excessiva caricaturização dos membros da Administração Bush e a incerteza do papel reservado a algumas personagens (Laura, na sua primeira aparição e na cena seguinte do debate entre W. e o candidato democrata, deixa antever ser uma mulher forte e com opiniões mas essa sua faceta desaparece, inexplicavelmente, à medida que o filme avança). Ainda assim, W. vê-se com algum agrado, o que é mais que se pode dizer de 80% da produção actual que chega às salas escuras. E sim, Josh Brolin é genial sem ser cabotino (embora continuemos sem esquecer o grandíssimo Dr. Block!).




Timeline


Tempo, esse enorme escultor? Ou esse pedreiro inapto que põe tijolo sobre tijolo, colado com uma argamassa demasiado aguada?
Coisas de Primeiro Aniversário.

29 de outubro de 2008

Do you want to be my friend? Please confirm

M. zanga-se quando digo que já conheço gente em número suficiente e que dispenso novos amigos. Mas aquilo que ela toma por um chiste mais ou menos inofensivo, a merecer uma reacção falsamente indignada, é a mais pura verdade. Torna-se cada vez mais difícil suportar o trabalho que dá uma nova amizade e todo o cortejo de pequenas preocupações que a acompanham, que nos deixam ocupados quase a cem por cento: parecer interessantes – e interessados –, simpáticos e inteligentes ou até, tão simples mas simultaneamente tão complicado, apenas estar e ter paciência para ouvir o outro. Donde, não creio conseguir suportar muitas mais novas amizades ou até meros conhecimentos sociais. No fim de contas, até no Facebook temos que confirmar os novos amigos.

Condenado à homenagem

A condenação de um clube a homenagear um ex-jogador abre perspectivas interessantíssimas. Por exemplo, o futuro presidente Obama poderá ser obrigado a homenagear em público Sarah Palin e o Sindicato dos Humoristas Portugueses o ministro Mário Lino. É que a ingratidão é uma coisa muito feia.

27 de outubro de 2008

Vicky Cristina Barcelona

Como sempre, um mau Woody Allen é melhor que 90% dos filmes do ano. Mesmo quando não consegue evitar a opção postalzinho de férias, com muitas imagens do que os americanos pensam ser a Espanha. Mesmo com os clichés ready-made. Mesmo com aquela sensação de já ter visto tudo aquilo em algum lado. É que um filme sobre triolismo será sempre um filme agradável, ligeiro como uma taça de champanhe gelado ou como Jules e Jim em Paris no Outono. E, para os fãs da Scarlett, em que se inclui este blog, fica a surpresa de ser Penélope Cruz a alma do filme.


25 de outubro de 2008

So Sunny

Com um fim de semana tão cheio de Sol, sejamos indulgentes com as raparigas bonitas que gostam de cantar. Mas só por 45 segundos, não comecemos a habituá-las mal.


22 de outubro de 2008

Miguel’s Eleven

Pelo DN de hoje ficamos a saber que roubaram da casa do Miguel Sousa Tavares o laptop que continha a última grande obra do popular opinion maker, escritor e Rui Santos da TVI. A dada altura, MST recorda, a propósito desta situação, "o caso verídico de T. E. Lawrence (conhecido como ‘Lawrence da Arábia’) que, em 1919, numa mudança de comboios na estação de Reading, em Inglaterra, perdeu a sua mala e com ela grande parte do manuscrito que iria, mais tarde, dar origem à obra autobiográfica Os Sete Pilares da Sabedoria. Lawrence teve de escrever praticamente tudo de novo, de memória uma vez que já tinha deitado fora as notas originais, e isso não impediu que este livro, onde relata a sua experiência com as forças rebeldes árabes (1916-1918), se tornasse uma obra de referência e desse origem ao famoso filme de 1962, Lawrence da Arábia, realizado por David Lean"

Gosto da modéstia de MST, quando se compara desta maneira quase acidental ao T.E. Lawrence e, já agora, o Riacho das Flores ao 7 Pilares. Faltará agora apenas acrescentar o passo que falta: comparar-se ao Philip Roth (referindo-se ao The Dying Animal?) e encontrar-se pronto a não receber, de maneira absolutamente injusta, o Nobel da Literatura daqueles pategos de Estocolmo que não percebem nada de nada!

Mais indignações com este inqualificável acto criminoso e solidariedade com o nosso simpático e popular escritor aqui (via Câmara Corporativa).


Candidatos falhados a escritor planeiam assalto a residência chique na Lapa




21 de outubro de 2008

Hoje sinto-me generoso (2)

Volta, JPP, que depois de uma posta bonita assim tudo se te perdoa.

Hoje sinto-me generoso

Portanto dou uma prenda ao Pedro Marques Lopes, que perguntava há uns tempos, comentando o Rui Tavares, acerca do agravamento das desigualdades :
Ó aqui este estudo mailindo...

20 de outubro de 2008

I love Washington in the Spring

Que se passa nos austeros corredores das instituições financeiras mundiais para isto acontecer outra vez? Primeiro o seriíssimo Wolfowitz e agora o bon vivant Strauss-Kahn. Não sei se, como diz o João Miranda – que sabe tudo – esta crise financeira era, ao contrário da aventura do Sr. Strauss-Kahn, impossível de prever. Mas percebo melhor essa falta de capacidade de previsão dos peritos da finança mundial, ocupados como estavam a engatar gajas. Dito isto, devo frisar que sou a favor da alegria no trabalho, como rezava o slogan da velhinha FNAT. E Washington é quase tão bonito na Primavera como Ermezinde.

Cisões

Uma das coisas boas das cisões é passarmos a ter dois bons blogues em vez de um. Independentemente de eu ainda não ter percebido muito bem as origens da dita cisão. Mas também não me preocupo muito com isso, pois estou já com as atenções dirigidas para Donetsk. Ainda assim, estarei atento às reacções jugulares a tal acontecimento importante da semana.

17 de outubro de 2008

But I am Green

Depois de ter sobrevivido a três tentativas de suicídio, o sapo Cocas deixou de ligar a Nine Inch Nails e passou a ouvir Radiohead. E mais nada.

The Shadow Knows (3)

Chupou com força o cigarro, expeliu o fumo e continuou “No entanto, sobre as causas da decadência dos pénis peninsulares ninguém fala.” Sacudiu a cinza. “E não se apreende logo a premência de tal assunto?” Mais uma passa “Era uma pergunta retórica…”
Ela coçou levemente a base do seio esquerdo. Tinha vontade de dar um peido mas conteve-se.
“Não falo da omnipresença do Viagra, que se limita a levantar temporariamente o entusiasmo de uns quantos órgãos mais preguiçosos.” Ele continuava a falar. “É antes uma letargia, uma espécie de cansaço existencial. É uma descrença que se insinua devagarinho, larvar, subreptícia e tinhosa. É um mal que se instala, a Península que se estiola. E, repito, sobre isto ninguém fala.”
Era demais para o corvo. Entrou a voar pela janela e deu-lhe uma bicada nos tomates.

16 de outubro de 2008

I focus on the Pain



The Needle tears a Hole

O Sapo Cocas - quem não se lembra, meninos e meninas - teve recentemente uma vida difícil, a que não terá sido estranha a morte do seu criador e mentor, Jim Henson. Droga, loucura, prostituição e talvez morte. Sobretudo depois de ter descoberto Nine Inch Nails. Na versão Cash, claro.


O Momento da Verdade

I told you so?

O resultado foi obviamente mau. Aquela bola chutada pelo suplente albanês deveria ter entrado. Com 0-1, o tenebroso "Prof." Queiroz estaria a fazer as malas.

15 de outubro de 2008

Noite Escura

“North Philly, May 4, 2001. Officer Sean Devlin, Narcotics Strike Force, was working the morning shift. Under­ cover surveillance. The neighborhood? Tough as a three­ dollar steak. Devlin knew. Five years on the beat, nine months with the Strike Force. He’d made fifteen, twenty drug busts in the neighborhood. Devlin spotted him: a lone man on the corner. Another approached. Quick exchange of words. Cash handed over; small objects handed back. Each man then quickly on his own way. Devlin knew the guy wasn’t buying bus tokens. He radioed a description and Officer Stein picked up the buyer. Sure enough: three bags of crack in the guy’s pocket. Head downtown and book him. Just another day at the office.”

O novo Lehane? O pitch da nova temporada de The Wire? Errado: é o primeiro parágrafo do voto de vencido do Chief Justice Roberts em Pennsylvania v. Dunlap (via Volokh)!!
Senhores Juízes Conselheiros, ‘bora lá tornar esses acórdãos menos áridos?

14 de outubro de 2008

I Ringo

O inesquecível Ringo anunciou no seu site pessoal que vai deixar de dar autógrafos, por estar demasiado ocupado para isso. As pessoas da minha geração lembrar-se-ão de uns desenhos animados dos Beatles em que o Ringo era apresentado como pouco menos que o Rain Man: era o burro da companhia, o gajo, sempre gozado pelos colegas, a quem era preciso explicar tudo. Músico e instrumentista medíocre, como se sabe, terá atingido o seu momento de glória no que foi simultaneamente um gozo descarado dos colegas de grupo: com efeito, só mesmo com A Little Help from His Friends é que Ringo conseguiria enfim ter um papel de algum relevo numa canção dos Beatles. Este anúncio disparatado só prova que Ringo continua igual a ele próprio: encontra-se num mundo paralelo, de que é Rei e senhor absoluto e onde revive em permanência a ilusão de ter sido a alma mater da banda mais conhecida do Mundo.
Nestas alturas, perguntamo-nos se não seremos nós também os Ringos das nossas próprias vidas, olhando estupidamente para acontecimentos que não percebemos e recusando dar autógrafos porque julgamos não ter o tempo que entretanto perdemos em minudências.

13 de outubro de 2008

9 de outubro de 2008

The Mad Hatter

Através do Diplomata cheguei a uma reportagem fotográfica interessante do LA Times sobre o Townhall debate desta semana. Mas depois verifiquei que, muito mais importante que esse debate, é um pouco mais abaixo que se encontra o autêntico serviço público providenciado pelo grande jornal da West Coast: as fotos do cast de Alice in Wonderland, o novo Tim Burton. Aqui.

8 de outubro de 2008

3 regressos

Que devem ser devidamente assinalados.


O País Relativo

Canhoto

Frech Kissin'

Entretanto, na SIC-N

Berardo fala, ou melhor, emite sons, com Mário Crespo. Voz maldosa sopra-me que se o capitalismo é isto, não é de admirar que esteja a morrer.

6 de outubro de 2008

...

Maria Emilia, pára de brincar com os comprimidos do pai!

12.See Emily Play - Martha Wainwright

4 de outubro de 2008

Mudar de Vida

Nesta cena de Garden State, Sam (Natalie Portman) estende os auscultadores a Andrew (Zach Braff) para que este possa ouvir uma música que terá mudado a vida dela (Sam). Como já vi escrito algures, não há memória de música alguma ter mudado a vida seja de quem for. Mas quando o ecrã é inundado pelo sorriso de Natalie Portman, quase acreditamos que, mais que tornar a nossa vida suportável, certas músicas podem salvá-la.


3 de outubro de 2008

Entretanto, há exactamente 100 anos e um dia

The Shadow Knows (2)

“Devia ter adivinhado que algo se iria passar mal quando ela me deu um aperto de mão.”, disse ele pousando o copo. “Afinal de contas, que raio de puta é que te estende a mão quando chegas ao bordel?”, e abanou a cabeça tristemente.
O corvo bateu duas vezes as asas e planou até ao ramo mais alto da árvore mais próxima, farto de ouvir banalidades.

2 de outubro de 2008

Entretanto, na blogosfera...

... gostamos muito de blogs especialistas. E quem não precisa de perder peso?

1 de outubro de 2008

A Vida 1.0

De todas as inovações parvas que nos foram trazidas pela renovação das redes sociais, provocada pela Web 2.0, as flash mobs são uma das mais tolas. Presenciei uma, completamente por acaso, na praça principal de uma grande cidade europeia: de repente, meia dúzia de alminhas imobilizaram-se, levantaram as cabecinhas e ficaram a olhar para o céu durante um minutinho, para imediatamente – e felizmente, acrescentaria eu – se dispersarem e se dedicarem, para quem as tivesse (o que não é seguro), às suas ocupações habituais. Existem outros exemplos mais ou menos conhecidos: da multidão que de repente se baixa para atar os atacadores dos sapatos na Grand Central Station de Nova Iorque aos patuscos que se dedicaram a uma batalha de almofadas no Champ de Mars, logo ali ao lado da torre Eiffel, em Paris.
Poderá talvez dizer-se que as flash mobs, apresentadas por alguns como uma performance de rua, pretendem realçar o absurdo da existência humana, através da repetição simples – e sempre por um colectivo mais ou menos numeroso – de um gesto deslocado do contexto; seriam assim mais um sinal da vacuidade do consumismo, no fito de nos convencer da inutilidade de outros gestos quotidianos – comprar, trabalhar, visitar – que parecendo ter sentido, não o têm de facto, não conseguindo mais que ser os actores secundários da imensa Comédia Humana.
Sim, poderá dizer-se isso. Mas estaríamos enganados. Porque lá no fundo as flash mobs são apenas um disparate pegado que leva pessoas que não têm mais nada com que se entreter a fazer, regra geral, figuras tristes na via pública.
Assim, quando a Ana Matos Pires convoca o people para uma flash mob em defesa do “acesso ao casamento civil”, está a enganar-se a ela e às pessoas que pretende convidar. Com efeito, por definição, uma flash mob não tem objectivo; é completamente desprovida de intenção militante ou reivindicativa. No fundo, como se dizia num comentário à posta da Ana, o que ela fez é nem mais menos que uma velhinha convocação de uma manif por interposto blog e, quiçá, por SMS.
Menos hype, sem dúvida. Mas com mais sentido.

Semana Santa

Já só falta agora que o grandíssimo Nápoles cumpra a sua missão para a semana ser uma boa semana. Sem precisar de saber o resultado de hoje à noite.