30 de dezembro de 2008

O que fica por fazer

Em 2008, afigura-se difícil chegar às 365 postas. Todavia, haverá sempre aqui lugar para as boas canções.


20 de dezembro de 2008

17 de dezembro de 2008

Intervalo (cont)

Continuando na análise política, não sei se o Pitta já examinou o sucesso da Prop 8. E, no entanto, a demonstração que segue convenceria até o João Miranda. There's money to be made.


Intervalo

Para sublinhar a análise política certeira onde menos se esperaria. E todavia o Pitta tem razão. Mais: para os que sonham com uma versão portuguesa do Linke do senhor Lafontaine, lembrem-se qual o resultado que ele conseguiu. Não, a resposta certa não é 8% nas legislativas. A resposta certa é: a coligação CDU/SPD. Como é que isso se chama em Portugal? Pois, o Bloco Central.

12 de dezembro de 2008

10 de dezembro de 2008

No entanto

Por vezes dou por mim a pensar que poderei necessitar, com uma certa urgência, de um mecanismo eficaz de auto-censura. E isto não tem a ver com blogues ou escritas.

No hay banda

9 de dezembro de 2008

Quis custodiet ipsos custodes?

Só mesmo uma das piores bandas de sempre para gerar tanta controvérsia e (quase) nos fazer perder o latim. Uma agência independente britânica que vigia conteúdos pedófilos na Internet aconselhou, e os fornecedores britânicos de acesso à Internet seguiram, bloquear esta página, doravante inacessível aos internautas no Reino Unido (ver a história aqui). Esta capa do álbum Virgin Killer dos famigerados Scorpions é de facto culpada do crime de mau gosto. Daí a ser censurada vai um passo gigantesco: o que transforma as boas intenções em censura pura e simples. É já um lugar comum dizer que se Nabokov tivesse escrito Lolita hoje, em pleno caldo cultural de histeria contra tudo o que possa vagamente parecer-se com exploração sexual da imagem das crianças, o livro nunca teria sido publicado. Começamos no entanto a ficar preocupados quando são os fornecedores de acesso à Internet eles próprios, e nem sequer o Estado, a praticar a censura.
Para aligeirar esta posta, ver aqui outras capas controversas.


Basel (remix)

Por vezes – e só por vezes – sentimos que tudo está já decidido: quem passa a eliminatória, quem fica pelo caminho e quem se dá por satisfeito com o que alcançou. Andamos pela vida a cumprir calendário.

4 de dezembro de 2008

1930-2008


ainda tentou resistir até 20 de Janeiro mas já não conseguiu

3 de dezembro de 2008

Pano Vermelho

E não comecem a provocar o pessoal, que falar de tops aos maluquinhos da música é como acenar com o pano vermelho ao terrível touro.


Songs of Love...

As melhores canções de amor? Toma e embrulha toi-même.




2 de dezembro de 2008

Maravilhas da indústria química

Aahh, Basileia e as suas AVO sessions, tão chiques e burguesas. Mas uma bela sala, sem dúvida, com aquela elegante decadência tão simpática. Há um ano foi mais ou menos assim. Depois fui-me embora porque não fui lá para ouvir a senhora e sim este aqui em baixo.







que aparentemente ninguém se lembrou sequer de filmar (aliás, esta canção não fez parte da setlist). Pois, o Mundo ao contrário...

Resta-nos esta fotografia...



Spanish Tie and no other stories

Quando entra, são as narinas que primeiro se lhe contraem. O apartamento é minúsculo, mas ela indica-lhe imediatamente o quarto, sem que ele consiga descobrir onde é a cozinha, ou se cozinha sequer existe. Mas é provavelmente dessa invisível cozinha que chega aquele cheiro que é estranho, diferente e exótico: especiarias desconhecidas no mundo ocidental. Enquanto espera por ela, ele não consegue deixar de pensar que algures naquela casa se encontra um cozinhado a apurar, lentamente; não sente culpa, mas um leve e desagradável remorso antecipado porque aquele prato misterioso, seja ele qual for, ficará certamente demasiado cozido. Continua a pensar nisso, mesmo quando se apercebe que terá sido ela a meter um velho disco esquecido de Chris de Burgh.
(…)
Só quando chega à rua, puxando a gola do casaco para cima para proteger o pescoço do frio gélido, o cheiro lhe abandona as mucosas nasais. Mas continua a matutar que prato seria aquele. Por muito tempo. Mais – muito mais – tempo que o ideal.

1 de dezembro de 2008

29 de novembro de 2008

27 de novembro de 2008

Two Lovers

São as histórias banais as mais interessantes? Quem devo escolher, a loura ou a morena, uma vida incerta ou o conforto do meu emprego, a quem devo o meu respeito e lealdade, como conseguirei ter coragem para desapontar a minha família, que confia e conta comigo nos tempos difíceis.
E como resistir à tentação de me deixar cair nas águas escuras e geladas de Brighton Beach? Como esconder as cicatrizes que me povoam os pulsos, a não ser com as luvas que só tirarei em Março.
Tudo isto mais a Estranha Forma de Vida, que ouvimos de repente no restaurante junto à praia.
Mais Joaquin Phoenix, que diz que para ele o cinema acabou com este filme. Quem sabe se não será ele que tem razão?
Estranha Forma de Vida

22 de novembro de 2008

Programa de protecção de testemunhas

Ser enviado, com nova identidade, para uma terra distante onde poderia refazer a minha vida, com novos amigos, uma nova ocupação, quiçá uma nova filosofia? Tentador, mas insuficiente. Podemos até reunir a coragem necessária para testemunhar contra o grande chefe dos criminosos, mas não nos peçam para integrarmos o programa de protecção de testemunhas. Seria demasiado… aleatório.



21 de novembro de 2008

jesus baby

Na categoria Rock cristão, aqui celebrada, mais que os Pontos Negros (e espero que o produtor deles não me desminta), ainda ningém fez melhor que Cartman: “é só fazer uma canção pop normal e em vez de gritares baby gritas jesus!” E assim nasceram os Faith + 1.


17 de novembro de 2008

Alice

Olho-me ao espelho, as mãos apoiadas no lavatório. Se de facto, como dizem, não há vida do lado de lá, estarei a perder tempo? Não, pois sei bem que o tempo não se perde; apenas se reflecte, mas de maneira invertida, como a imagem que o espelho me devolve. Já voltei as costas ao espelho quando decido que estou a precisar de um corte de cabelo. Eu sei: a maior parte das minhas decisões vêm demasiado tarde.




14 de novembro de 2008

O que tu queres sei eu

Diário de Notícias: sempre na ponta da investigação jornalística. Graças ao ISCTE, sempre na ponta tout court.

13 de novembro de 2008

Amigos por procuração

Continuemos então com a regra da intermitência, muito irregular, da aparição da política neste paralelo. A causa próxima é este artigo do Pedro Lomba, mas o assunto – a procuração do ministro Pinho ao presidente da Autoridade da Concorrência Sebastião – tem sido glosado nestes últimos dias na imprensa (por exemplo aqui) e nos blogs (ver por exemplo aqui e aqui).
Antes de mais, não é seguramente muito inteligente que um administrador de um banco passe uma procuração a um administrador do Banco central, mesmo se para tratar de um negócio aparentemente claro como água e perfeitamente legítimo. Tal descuido não abona muito sobre a aptidão de tais indivíduos para exercer cargos de natureza política.
Dito isto, não consigo perceber como é que esse facto pode influenciar as condições de exercício de cargos que nem um nem outro exerciam na altura; e muito menos consigo perceber como é que tão tenebroso negócio – uma procuração para compra de uma casa passada a um amigo por quem vivia no estrangeiro – poderia afectar, anos depois, a imparcialidade objectiva (digo objectiva porque é isso que está em causa: aparentemente não existe nenhum problema de imparcialidade subjectiva, na medida em que ambos os interessados possuem currículo mais que suficiente para exercer os cargos em questão) que se exige do presidente da autoridade de concorrência.

Tudo isto, certamente por defeito meu, eu não percebo. Mas o que me espanta verdadeiramente é toda a gente achar normal o exercício sucessivo de certas funções que essas sim podem afectar as condições objectivas mínimas de imparcialidade:
- juízes nomeados para chefiar forças policiais que regressam de seguida, como se nada fosse, à magistratura penal;
- assessores de imprensa que regressam imediatamente a seguir ao fim da comissão de serviço à profissão de jornalista para cobrir as actividades exactamente das mesmas pessoas ou partidos que serviram;
- jornalistas com participações importantes em empresas sobre as quais não hesitam em escrever nos seus jornais;
e etc.

Tudo isto, considerado em Portugal perfeitamente normal por quase toda a gente, seria impensável em muitos dos países que a maior parte destes comentadores ofendidos tanto – e com razão – apreciam. Já para não falar de chegar a sofisticações destas.

Mas isto – repito – deve ser problema meu: é que vivo fora de Portugal e tenho às vezes que dar procurações a amigos.

11 de novembro de 2008

Anamorfose

Falta anamorfose por todo o lado. Não é difícil suspeitar que a realidade pode parecer diferente, consoante o sítio onde nos encontramos. Mas só o tempo nos ensina a acreditar que as coisas são mesmo diferentes, só por mudar a nossa perspectiva sobre elas. E não é preciso apanhar um filme medíocre na televisão para nos lembrar isso.






Esta pintura de Holbein é o exemplo perfeito da anamorfose renascentista. Só nos apercebemos que a mancha no tapete é uma caveira quando olhamos o quadro a partir de um ângulo muito específico.

9 de novembro de 2008

Fim de Semana

e antes do meu pequeno almoço psicadélico

7 de novembro de 2008

Unheard Of!

Um Português totalmente desprovido de sentido de humor? “Unheard of!”, diz uma colega inglesa. Não sei qual dos motivos – não a querer desapontar ou preservar a boa imagem da Nação nestes tempos difíceis – que me levou a sorrir e não responder. Mas, by Jove, ela está tão enganada…

6 de novembro de 2008

It's not so f…ing simple to remove cow s… out of a Prada purse

Apreciemos então toda a arte dessa imensa jurisdição, o Supreme Court. Ou como discutir a constitucionalidade de punir a utilização de linguagem indecente sem nunca pronunciar, nem ao de leve, as palavras em causa. Sendo que ele há situações, como a que é ilustrada pela frase que figura em título desta posta, atribuída a Nicole Richie, que deixam poucas alternativas. E queixam-se alguns de bandeiras nazis expostas em santuários da democracia...

Balanço

O melhor balanço da noite eleitoral é dado pelo Público de hoje (artigo sem link): "Bom dia. Dja no ganha. Primo preto dja ta na topo, ta na comando."

3 de novembro de 2008

Confessions of a Dangerous Mind

Sim, confesso: no meu tempo, também tomei muitos Dinintéis...

1 de novembro de 2008

30 de outubro de 2008

W.

Contrariamente ao que se diz aqui – obviamente sem razão nenhuma – W. não é uma merda. Comparado aos recentes opus do Oliver Stone (sobretudo ao tenebroso telefilme World Trade Center e ao ridículo ensaio de fim de curso Alexandre), é até muito razoávelzinho. Não só o tom acaba por ser o mais acertado possível, tendo em vista o tema do filme e o facto do personagem principal ser o actual presidente dos Estados Unidos da América, como o objectivo se percebe perfeitamente: as coisas não são sempre totalmente brancas ou pretas e todos nos movemos entre vários tons de cinzento; só assim um all american boy como Bushie pode chegar ao cargo mais importante do Mundo. A grande crítica que se poderá fazer a W. é o facilitismo: o simplismo da explicação freudiana (inveja + complexo de Édipo), a excessiva caricaturização dos membros da Administração Bush e a incerteza do papel reservado a algumas personagens (Laura, na sua primeira aparição e na cena seguinte do debate entre W. e o candidato democrata, deixa antever ser uma mulher forte e com opiniões mas essa sua faceta desaparece, inexplicavelmente, à medida que o filme avança). Ainda assim, W. vê-se com algum agrado, o que é mais que se pode dizer de 80% da produção actual que chega às salas escuras. E sim, Josh Brolin é genial sem ser cabotino (embora continuemos sem esquecer o grandíssimo Dr. Block!).




Timeline


Tempo, esse enorme escultor? Ou esse pedreiro inapto que põe tijolo sobre tijolo, colado com uma argamassa demasiado aguada?
Coisas de Primeiro Aniversário.

29 de outubro de 2008

Do you want to be my friend? Please confirm

M. zanga-se quando digo que já conheço gente em número suficiente e que dispenso novos amigos. Mas aquilo que ela toma por um chiste mais ou menos inofensivo, a merecer uma reacção falsamente indignada, é a mais pura verdade. Torna-se cada vez mais difícil suportar o trabalho que dá uma nova amizade e todo o cortejo de pequenas preocupações que a acompanham, que nos deixam ocupados quase a cem por cento: parecer interessantes – e interessados –, simpáticos e inteligentes ou até, tão simples mas simultaneamente tão complicado, apenas estar e ter paciência para ouvir o outro. Donde, não creio conseguir suportar muitas mais novas amizades ou até meros conhecimentos sociais. No fim de contas, até no Facebook temos que confirmar os novos amigos.

Condenado à homenagem

A condenação de um clube a homenagear um ex-jogador abre perspectivas interessantíssimas. Por exemplo, o futuro presidente Obama poderá ser obrigado a homenagear em público Sarah Palin e o Sindicato dos Humoristas Portugueses o ministro Mário Lino. É que a ingratidão é uma coisa muito feia.

27 de outubro de 2008

Vicky Cristina Barcelona

Como sempre, um mau Woody Allen é melhor que 90% dos filmes do ano. Mesmo quando não consegue evitar a opção postalzinho de férias, com muitas imagens do que os americanos pensam ser a Espanha. Mesmo com os clichés ready-made. Mesmo com aquela sensação de já ter visto tudo aquilo em algum lado. É que um filme sobre triolismo será sempre um filme agradável, ligeiro como uma taça de champanhe gelado ou como Jules e Jim em Paris no Outono. E, para os fãs da Scarlett, em que se inclui este blog, fica a surpresa de ser Penélope Cruz a alma do filme.


25 de outubro de 2008

So Sunny

Com um fim de semana tão cheio de Sol, sejamos indulgentes com as raparigas bonitas que gostam de cantar. Mas só por 45 segundos, não comecemos a habituá-las mal.


22 de outubro de 2008

Miguel’s Eleven

Pelo DN de hoje ficamos a saber que roubaram da casa do Miguel Sousa Tavares o laptop que continha a última grande obra do popular opinion maker, escritor e Rui Santos da TVI. A dada altura, MST recorda, a propósito desta situação, "o caso verídico de T. E. Lawrence (conhecido como ‘Lawrence da Arábia’) que, em 1919, numa mudança de comboios na estação de Reading, em Inglaterra, perdeu a sua mala e com ela grande parte do manuscrito que iria, mais tarde, dar origem à obra autobiográfica Os Sete Pilares da Sabedoria. Lawrence teve de escrever praticamente tudo de novo, de memória uma vez que já tinha deitado fora as notas originais, e isso não impediu que este livro, onde relata a sua experiência com as forças rebeldes árabes (1916-1918), se tornasse uma obra de referência e desse origem ao famoso filme de 1962, Lawrence da Arábia, realizado por David Lean"

Gosto da modéstia de MST, quando se compara desta maneira quase acidental ao T.E. Lawrence e, já agora, o Riacho das Flores ao 7 Pilares. Faltará agora apenas acrescentar o passo que falta: comparar-se ao Philip Roth (referindo-se ao The Dying Animal?) e encontrar-se pronto a não receber, de maneira absolutamente injusta, o Nobel da Literatura daqueles pategos de Estocolmo que não percebem nada de nada!

Mais indignações com este inqualificável acto criminoso e solidariedade com o nosso simpático e popular escritor aqui (via Câmara Corporativa).


Candidatos falhados a escritor planeiam assalto a residência chique na Lapa




21 de outubro de 2008

Hoje sinto-me generoso (2)

Volta, JPP, que depois de uma posta bonita assim tudo se te perdoa.

Hoje sinto-me generoso

Portanto dou uma prenda ao Pedro Marques Lopes, que perguntava há uns tempos, comentando o Rui Tavares, acerca do agravamento das desigualdades :
Ó aqui este estudo mailindo...

20 de outubro de 2008

I love Washington in the Spring

Que se passa nos austeros corredores das instituições financeiras mundiais para isto acontecer outra vez? Primeiro o seriíssimo Wolfowitz e agora o bon vivant Strauss-Kahn. Não sei se, como diz o João Miranda – que sabe tudo – esta crise financeira era, ao contrário da aventura do Sr. Strauss-Kahn, impossível de prever. Mas percebo melhor essa falta de capacidade de previsão dos peritos da finança mundial, ocupados como estavam a engatar gajas. Dito isto, devo frisar que sou a favor da alegria no trabalho, como rezava o slogan da velhinha FNAT. E Washington é quase tão bonito na Primavera como Ermezinde.

Cisões

Uma das coisas boas das cisões é passarmos a ter dois bons blogues em vez de um. Independentemente de eu ainda não ter percebido muito bem as origens da dita cisão. Mas também não me preocupo muito com isso, pois estou já com as atenções dirigidas para Donetsk. Ainda assim, estarei atento às reacções jugulares a tal acontecimento importante da semana.

17 de outubro de 2008

But I am Green

Depois de ter sobrevivido a três tentativas de suicídio, o sapo Cocas deixou de ligar a Nine Inch Nails e passou a ouvir Radiohead. E mais nada.

The Shadow Knows (3)

Chupou com força o cigarro, expeliu o fumo e continuou “No entanto, sobre as causas da decadência dos pénis peninsulares ninguém fala.” Sacudiu a cinza. “E não se apreende logo a premência de tal assunto?” Mais uma passa “Era uma pergunta retórica…”
Ela coçou levemente a base do seio esquerdo. Tinha vontade de dar um peido mas conteve-se.
“Não falo da omnipresença do Viagra, que se limita a levantar temporariamente o entusiasmo de uns quantos órgãos mais preguiçosos.” Ele continuava a falar. “É antes uma letargia, uma espécie de cansaço existencial. É uma descrença que se insinua devagarinho, larvar, subreptícia e tinhosa. É um mal que se instala, a Península que se estiola. E, repito, sobre isto ninguém fala.”
Era demais para o corvo. Entrou a voar pela janela e deu-lhe uma bicada nos tomates.

16 de outubro de 2008

I focus on the Pain



The Needle tears a Hole

O Sapo Cocas - quem não se lembra, meninos e meninas - teve recentemente uma vida difícil, a que não terá sido estranha a morte do seu criador e mentor, Jim Henson. Droga, loucura, prostituição e talvez morte. Sobretudo depois de ter descoberto Nine Inch Nails. Na versão Cash, claro.


O Momento da Verdade

I told you so?

O resultado foi obviamente mau. Aquela bola chutada pelo suplente albanês deveria ter entrado. Com 0-1, o tenebroso "Prof." Queiroz estaria a fazer as malas.

15 de outubro de 2008

Noite Escura

“North Philly, May 4, 2001. Officer Sean Devlin, Narcotics Strike Force, was working the morning shift. Under­ cover surveillance. The neighborhood? Tough as a three­ dollar steak. Devlin knew. Five years on the beat, nine months with the Strike Force. He’d made fifteen, twenty drug busts in the neighborhood. Devlin spotted him: a lone man on the corner. Another approached. Quick exchange of words. Cash handed over; small objects handed back. Each man then quickly on his own way. Devlin knew the guy wasn’t buying bus tokens. He radioed a description and Officer Stein picked up the buyer. Sure enough: three bags of crack in the guy’s pocket. Head downtown and book him. Just another day at the office.”

O novo Lehane? O pitch da nova temporada de The Wire? Errado: é o primeiro parágrafo do voto de vencido do Chief Justice Roberts em Pennsylvania v. Dunlap (via Volokh)!!
Senhores Juízes Conselheiros, ‘bora lá tornar esses acórdãos menos áridos?

14 de outubro de 2008

I Ringo

O inesquecível Ringo anunciou no seu site pessoal que vai deixar de dar autógrafos, por estar demasiado ocupado para isso. As pessoas da minha geração lembrar-se-ão de uns desenhos animados dos Beatles em que o Ringo era apresentado como pouco menos que o Rain Man: era o burro da companhia, o gajo, sempre gozado pelos colegas, a quem era preciso explicar tudo. Músico e instrumentista medíocre, como se sabe, terá atingido o seu momento de glória no que foi simultaneamente um gozo descarado dos colegas de grupo: com efeito, só mesmo com A Little Help from His Friends é que Ringo conseguiria enfim ter um papel de algum relevo numa canção dos Beatles. Este anúncio disparatado só prova que Ringo continua igual a ele próprio: encontra-se num mundo paralelo, de que é Rei e senhor absoluto e onde revive em permanência a ilusão de ter sido a alma mater da banda mais conhecida do Mundo.
Nestas alturas, perguntamo-nos se não seremos nós também os Ringos das nossas próprias vidas, olhando estupidamente para acontecimentos que não percebemos e recusando dar autógrafos porque julgamos não ter o tempo que entretanto perdemos em minudências.

13 de outubro de 2008

9 de outubro de 2008

The Mad Hatter

Através do Diplomata cheguei a uma reportagem fotográfica interessante do LA Times sobre o Townhall debate desta semana. Mas depois verifiquei que, muito mais importante que esse debate, é um pouco mais abaixo que se encontra o autêntico serviço público providenciado pelo grande jornal da West Coast: as fotos do cast de Alice in Wonderland, o novo Tim Burton. Aqui.

8 de outubro de 2008

3 regressos

Que devem ser devidamente assinalados.


O País Relativo

Canhoto

Frech Kissin'

Entretanto, na SIC-N

Berardo fala, ou melhor, emite sons, com Mário Crespo. Voz maldosa sopra-me que se o capitalismo é isto, não é de admirar que esteja a morrer.

6 de outubro de 2008

...

Maria Emilia, pára de brincar com os comprimidos do pai!

12.See Emily Play - Martha Wainwright

4 de outubro de 2008

Mudar de Vida

Nesta cena de Garden State, Sam (Natalie Portman) estende os auscultadores a Andrew (Zach Braff) para que este possa ouvir uma música que terá mudado a vida dela (Sam). Como já vi escrito algures, não há memória de música alguma ter mudado a vida seja de quem for. Mas quando o ecrã é inundado pelo sorriso de Natalie Portman, quase acreditamos que, mais que tornar a nossa vida suportável, certas músicas podem salvá-la.


3 de outubro de 2008

Entretanto, há exactamente 100 anos e um dia

The Shadow Knows (2)

“Devia ter adivinhado que algo se iria passar mal quando ela me deu um aperto de mão.”, disse ele pousando o copo. “Afinal de contas, que raio de puta é que te estende a mão quando chegas ao bordel?”, e abanou a cabeça tristemente.
O corvo bateu duas vezes as asas e planou até ao ramo mais alto da árvore mais próxima, farto de ouvir banalidades.

2 de outubro de 2008

Entretanto, na blogosfera...

... gostamos muito de blogs especialistas. E quem não precisa de perder peso?

1 de outubro de 2008

A Vida 1.0

De todas as inovações parvas que nos foram trazidas pela renovação das redes sociais, provocada pela Web 2.0, as flash mobs são uma das mais tolas. Presenciei uma, completamente por acaso, na praça principal de uma grande cidade europeia: de repente, meia dúzia de alminhas imobilizaram-se, levantaram as cabecinhas e ficaram a olhar para o céu durante um minutinho, para imediatamente – e felizmente, acrescentaria eu – se dispersarem e se dedicarem, para quem as tivesse (o que não é seguro), às suas ocupações habituais. Existem outros exemplos mais ou menos conhecidos: da multidão que de repente se baixa para atar os atacadores dos sapatos na Grand Central Station de Nova Iorque aos patuscos que se dedicaram a uma batalha de almofadas no Champ de Mars, logo ali ao lado da torre Eiffel, em Paris.
Poderá talvez dizer-se que as flash mobs, apresentadas por alguns como uma performance de rua, pretendem realçar o absurdo da existência humana, através da repetição simples – e sempre por um colectivo mais ou menos numeroso – de um gesto deslocado do contexto; seriam assim mais um sinal da vacuidade do consumismo, no fito de nos convencer da inutilidade de outros gestos quotidianos – comprar, trabalhar, visitar – que parecendo ter sentido, não o têm de facto, não conseguindo mais que ser os actores secundários da imensa Comédia Humana.
Sim, poderá dizer-se isso. Mas estaríamos enganados. Porque lá no fundo as flash mobs são apenas um disparate pegado que leva pessoas que não têm mais nada com que se entreter a fazer, regra geral, figuras tristes na via pública.
Assim, quando a Ana Matos Pires convoca o people para uma flash mob em defesa do “acesso ao casamento civil”, está a enganar-se a ela e às pessoas que pretende convidar. Com efeito, por definição, uma flash mob não tem objectivo; é completamente desprovida de intenção militante ou reivindicativa. No fundo, como se dizia num comentário à posta da Ana, o que ela fez é nem mais menos que uma velhinha convocação de uma manif por interposto blog e, quiçá, por SMS.
Menos hype, sem dúvida. Mas com mais sentido.

Semana Santa

Já só falta agora que o grandíssimo Nápoles cumpra a sua missão para a semana ser uma boa semana. Sem precisar de saber o resultado de hoje à noite.

30 de setembro de 2008

Grandes Capas

Agradecimentos sentidos à imprensa polaca

(tirado daqui)

29 de setembro de 2008

Subprimes

Uma blogger do Atlântico chama a atenção para este grave problema que, confesso, me tinha escapado até agora. Com efeito, não é admissível que os turistas e/ou estudantes americanos em viagem pela Europa sejam vítimas dos tratamentos xenófobos descritos pela Ana Margarida Craveiro. Ele é “desdém e desprezo”, ele é “uma espécie de Santa Inquisição, com os (…) americanos na fogueira”. A Ana faz uma crítica mordaz mas firme de todos aqueles hipócritas que “vociferam contra directivas de retorno e manifestações de xenofobia” mas ficam caladinhos quanto às graves manifestações desta mesmíssima xenofobia anti-americana. Eu, aqui no meu cantinho, uno a minha voz à da Ana Margarida e grito bem alto: não à xenofobia anti-americana. E se, mau grado os esforços doutros como nós, este infeliz estado de coisas persistir, proponho, como solução de recurso, que se enviem os americanos maltratados pelos xenófobos europeus para uma espécie de “país-abrigo”, onde estarão a salvo dos bárbaros. Porque não a Itália, onde haverá muito sítio para os arrumar depois do Sílvio ter expulso a ciganada toda?

28 de setembro de 2008

25 de setembro de 2008

Clare again

And now, especialmente dedicado aos nossos amigos liberais (no sentido não-americano da palavra):


The Shadow Knows

“Penso que o sexo é muito sobrevalorizado…”, disse ela depois de soltar uma nuvem de fumo.
“Estás parva? Nem por sombras…”, respondeu ele coçando o escroto vagarosamente.
“A Humanidade está muito sobrevalorizada”, pensou o corvo recém-chegado, a equilibrar-se sobre a balaustrada da varanda.

24 de setembro de 2008

Lucy e Magalhães

Não pensem que este blog não é sensível a este problema. Como se lê aqui :

"Então e se os putos pesquisarem no Magalhães por: Lucy, Luciana Abreu ou Floribella? como é que a SIC deixou escapar estas? Nem parece deles ... 16 heures ago from web "
Seguem as ditas cujas "estas" (tiradas daqui, com a devida - e enormíssima - vénia).


O Pecado Original

Neste contexto, lembra-se aqui de novo o Grande Pecado Original de que padece o Pacheco Pereira: quem tentou expulsar os jornalistas dos Passos Perdidos não poderia, nunca mais e para todo o sempre, dizer seja o que for sobre liberdade de imprensa. A não ser, digo eu, que se tratasse apenas, nesses tempos que já lá vão, de expulsar exclusivamente jornalistas da RTP. A ser assim, isso seria apenas presciência.




23 de setembro de 2008

Freddy Mac e Fanny Mae got married

Os Republicanos têm razão: Hollywood é um ninho de liberais (no sentido americano da palavra) que tentam desnaturar a cabecinha dos adolescentes americanos. No entanto, a Resistência organiza-se. The pursuit of Happyness é a prova disso. Nesta true story, que só pode ter tido João Miranda como consultor técnico (e não é porque o filme trate de biotecnologia), seguimos a vida difícil do personagem interpretado por Will Smith que, em anos de crise, sobrevive dificilmente vendendo scanners para dentistas. Mas o sonho do Will, aluno brilhante obrigado a interromper o percurso escolar por, supõe-se, a namorada ter engravidado (ai a falta que a abstinência faz) é ser corretor da Bolsa. Depois de conseguir um estágio numa dessas fantásticas empresas capitalistas em que toda a gente anda feliz, Will parece estar a safar-se. E qual é o acontecimento não totalmente imprevisível que vem interromper esta ascensão social? Obviamente, os impostos. A tenebrosa e totalitária máquina fiscal espezinha mais uma vez as liberdades individuais e penhora a totalidade das economias do nosso Will, que se vê de repente homeless e obrigado a procurar abrigo e alimentação nas organizações caritativas. Felizmente, tudo acabará em bem: mesmo dormindo de vez em quando nas casas de banho públicas, o Will consegue destacar-se entre as várias dezenas de estagiários, ser o único escolhido para ficar na empresa e tornar-se, alguns anos mais tarde, o multimilionário que nós já desconfiávamos que ele seria. Antes disso, Will consegue livrar-se da tal antiga namorada, com quem entretanto casou, uma chorona que só sabe queixar-se do azar em que se tornou a sua vida e desenvolve uma amizade viril com o filho, a quem ensina que nunca se pode desistir e que se se trabalhar suficientemente, pode conseguir-se tudo na vida, inclusive o seu próprio avião a jacto.
Lindo.
Portanto, estavas à espera de quê, Rui Tavares?




21 de setembro de 2008

Le genou de Clare

Who doesn't love a band in uniform?

20 de setembro de 2008

Anarchy in the UK

Quem tiver mais de 40 anos – sem ter passado a adolescência no seminário – e vir a imagem de marca da última campanha do Printemps reconhecerá imediatamente a referência a David Bowie período Hunky Dory. Definitivamente, o Rock está na moda. É usado por todo o lado para vender seja o que for: carros, malas, computadores, iogurtes e sobretudo trapinhos. É com efeito a indústria da moda a que tem mais aproveitado a iconografia Rock para vender, com referências constantes ao glam dos anos 70 mas também ao Rock urbano-depressivo do Velvet (mais o look heroin addict) ou ao Reggae e ao Ska festivos dos anos 80.
Por um lado isto é reconfortante. Demonstra que aquilo que parecia ser o terror das mães dos adolescentes das últimas décadas se banalizou, foi socialmente aceite e integrado na vida moderna. Por outro lado, é preocupante. Indica que a energia criativa desses anos se encerrou no beco sem saída do consumismo sem sentido: quando a gente vê Keith Richards a vender malinhas Vuitton não sabe se deve rir ou vomitar.
Se for verdade que a História se repete – seja como tragédia ou como farsa, pouco importa – este estado de coisas não merecerá grande preocupação. As gerações saberão reinventar-se e uma nova energia criativa tentará sujeitar o Mundo à prova da Utopia. Talvez.
Estava a acabar de escrever esta posta quando comecei a ouvir subir do quarto do meu filho de 10 anos os primeiros acordes de My Generation. Fui ver o que se passava e lá estava ele a jogar Guitar Hero na PlayStation…







18 de setembro de 2008

Colecção Outono/Inverno

Não vi a estreia, seguramente auspiciosa, da novel deputada, mas pude vê-la em plena actividade debatente na SIC-N com uma senhora do PPD/PSD (ou do PSD, não cheguei a perceber…) de que não fixei o nome. Fiquei convencido: se não fosse por outros motivos, que não vêm ao caso, seria homem para me casar só para me poder divorciar ao abrigo do novo regime. Assim de repente, não sei se isto que acabei de escrever faz algum sentido. Mas entre o Continente e o Conteúdo, sempre escolherei o primeiro. Que querem, sou fraco…



16 de setembro de 2008

Pescadinus Tautologicus

Obviamente, quando tudo corre bem é porque o mercado funciona. Quando tudo corre mal, o mercado também funciona, pois corrige os excessos. Acho que a isto se chama uma tautologia. Ou também esta espécie animal que eu baptizei agora mesmo.





15 de setembro de 2008

In Memoriam

RW 1943-2008


Bola de Ouro

Sem ligar ao fecho do mercado e com a reabertura em Janeiro ainda longe, o Arrastão reforçou-se ainda mais que o Benfica e apresenta-se como sério candidato ao título. Única dúvida: qual das três estrelas é o Lee Van Cleef (isto é, nem o Good nem o Ugly)?


11 de setembro de 2008

Much Ado About Nothing

A Selecção não me interessa por aí além. Toda aquela coisa de cantar o hino e beijar a bandeira parece-me um bocadinho pindérico. Para além deste facto simples: quem gosta verdadeiramente de bola apoia um clube e não uma selecção. Dito isto, gostei do jogo de ontem, que teve grandes momentos de futebol bem jogado. Todavia, o resultado não me surpreendeu. E não digo isto por pensar que sei mais que os especialistas. Com efeito, antes do jogo eu já sabia que Portugal ia perder. Então é impunemente que uma selecção treinada pelo tenebroso Queiroz de má memória sobe ao Estádio de Alvalade sem um único jogador do Sporting a titular? Era, obviamente, uma catástrofe anunciada. Não tenho a menor dúvida que com Scolari – e com a costumeira galinha preta decepada de fresco a saltitar em honra de Iemanjá ou da Senhora do Caravaggio e tal – o resultado teria sido 2-1 para Portugal. Independentemente do Ricardo ter feito outra vez merda, com a habitual e disparatada saída ao cruzamento. Como? Não era o Ricardo? Aah….



9 de setembro de 2008

A cadência, os seus tempos, a trepidação e a intensidade dela

“a música clássica e o metal partilham a cadência (os tempos) e a trepidação (as
intensidades).”
Henrique Raposo

Não quero fazer deste mundo paralelo um blog demasiado Raposo oriented (ver aqui, aqui e aqui) e longe de mim poder dar a ideia que algo me move contra o dito blogger, que reputo de eminentemente respeitável e é com certeza – não o conheço – excelente pessoa. Mas existe de facto algo nos textos do Raposo que pode por vezes despertar emoções incontroláveis: a maior parte das vezes, o riso histérico; em outras ocasiões, a estupefacção esgazeada. Nesse sentido, o Raposo cumpre a sua função social de cronista: despertar o interesse dos leitores. Pensei nisso quando percebi que residia no novo e excelente Ouriquense – lido hoje com a atenção que merece – mais uma vítima do Raposo, como se vê aqui. Isto no mesmo dia em que descubro mais esta prova de surdez aguda. Se isto não é suficiente para formar no Facebook um grupo dos leitores compulsivos do Raposo ansiando por desintoxicação, vou ali comprar um disco dos Moonspell e já venho.

Radar

Algo se passa em Ourique.

7 de setembro de 2008

Fim de Semana

Em 2001, Wes Anderson filmava The Royal Tenenbaums, uma comédia dark sobre disfunções familiares e amores impossíveis. Numa das melhores cenas do filme, é encenada a tentativa de suicídio de uma das personagens principais. A música da cena é Needle in the Hay de Elliott Smith. Não sendo propriamente uma canção sobre o suicídio, devendo ser antes uma referência à dependência da heroína de que Elliott começava a padecer, é difícil imaginar melhor roupagem sonora para uma tão bonita cena. Dois anos depois deste filme, Elliott espetava uma faca de cozinha no coração.


4 de setembro de 2008

Da Beleza

Em Little Children, mais um filme visto com atraso, existe uma outra cena para além desta que merece referência. Quando o casal Connelly-Watson recebe Kate Winslet e o marido para jantar, Connelly apercebe-se a dada altura, através de uma referência anódina a um terceiro, que o seu marido está tendo um affair com Winslet. Num gesto vindo de outro século, deixa cair um talher para surpreendê-los playing footsie debaixo da mesa. Inutilmente, claro, pois todos os pés estão conscienciosamente no lugar deles. E, num momento de puro espanto, fica dobrada debaixo da mesa a olhar para as unhas dos pés pintadas num ridículo lilás de Kate Winslet, enfiados numas sandálias de mau gosto. Quando finalmente Connelly se levanta, o seu rosto é o retrato de quem não compreende que a beleza possa ceder à paixão. Claro, o espectador – mas não Connelly – sabe que não se trata de paixão. E saberemos todos mais tarde que se tratará de uma cedência temporária, pois tudo acabará por se “normalizar”. Não é por esta conclusão moralizadora que Little Children não é um bom filme. No entanto, ainda assim, esta cena fica a assombrar-nos durante algum tempo.

Médio de contenção

O futebolista português Tiago encontrou a solução para todos esses futebolistas descontentes que enxameiam os clubes e chateiam treinadores e dirigentes. Tiago não se conseguiu conter face a todas as malfeitorias de que terá sido alvo nos últimos tempos e tomou uma medida radical: trancou o presidente do clube no balneário. Portanto, amigo futebolista descontente que nos lês, não desesperes. O presidente do teu clube não te deixa ir embora pela meia dúzia de milhões que aquele clube inglês do meio da tabela oferece? Ele quer emprestar-te ao Fornos de Algodres quanto sabes que tens valor para a Liga dos Campeões? Problema resolvido: apanha o presidente a jeito e zás! Tranca o gajo no balneário. Para os casos mais graves, deita fora a chave.

1 de setembro de 2008

Entretanto, na SIC

Tomás Azevedo, neto de “you know who”, diz que vai iniciar, com 18 anos, um negócio “sem o dinheiro da família”. Comentário da E.: “deve ser com o dinheiro que ele ganhou na apanha da fruta!”
Diga-se de passagem que o Tomás, muito sério, com o seu fatinho de corte impecável e os sapatinhos tão bem engraxadinhos, a dizer mal dos quatro últimos governos de que se lembra, parecia ter 48 anos e não 18. Preferimos de longe o neto Champalimaud, que escolheu Direito porque o pai lhe disse que era assim que devia ser e que como prenda de fim de curso pediu, em vez do par de espingardas que o pai lhe propunha, uma volta ao mundo, durante a qual se fartou de surfar na Austrália e na Nova Zelândia. Aliás, um gajo que escolhe Champas como nome de blogger não pode ser mau tipo. Só não deu para descobrir – a imagem passou demasiado rapidamente – o nome do blog dele.
Donde: a burguesia decadente do Sul mostra – mais uma vez – a sua superioridade sobre o capitalismo industrial nortenho.

29 de agosto de 2008

Al-Mostar

Se as caixas de comentários dos blogs são já o refúgio de muito troglodita, que dizer dos comentários dos leitores do Mais Futebol? Por exemplo, numa notícia sobre o encontro do Sp. Braga com os bósnios do Mostar, um leitor Marinho fazia o seguinte comentário: rua... [ 2008-08-28 15:54 ] Por: marinho fora com esses marroquinos. nao fazem parte da europa. rua”. Este dedicado leitor do Mais Futebol – esquecendo que Rabat é, em linha recta, a capital mais próxima de Lisboa e que, nesse sentido, nós, tugas, somos muito mais marroquinos que os eslavos dos Balcãs – terá antecipado o fenómeno do aquecimento global e, com uma presciência visionária, adivinhado que Mostar será muito brevemente mais quente que o Saara. Será portanto muito provável que vejamos, num futuro não muito distante, o leitor Marinho servindo de montada aos turistas chineses e russos sedentos de experiências radicais no deserto. E aí ele verá como é dura a vida de camelo.

28 de agosto de 2008

Sex, drugs and Brahms

“Terça-feira, na Gulbenkian, o Quarteto Takács - tocando Brahms - ofereceu-me uma descarga brutal de pele-de-galinha. (…) Saí da sala, meio combalido, apoiando-me nos ombros das meninas das lanternas. Cá fora, as ditas meninas fizeram o diagnóstico: orgasmo pela via cutânea.”

Quem fala assim devia ser declarado espécie protegida.

Pacta sunt servanda

Mais incómodos virão. Pôr Pedros Silvas e Ronnys a jogar e deixar um Vukcevik no banco, não se sabe bem por que birra, não é propriamente um incómodo. Também não chega a ser incompetência, é apenas uma teimosiasinha idiota e inconsequente, que esquece o interesse do colectivo para alimentar ódiozinhos de estimação. Por princípio, sou contra a substituição de treinadores (do meu clube, claro, já se for o Benfica fico contentíssimo) com o campeonato a decorrer. Uma gestão sã e compatível com uma boa planificação da época não se compadece com esse tipo de decisão aventureira. Admiti duas excepções a este grande princípio: quando foi preciso correr com Materazzi e com o Peseiro. Mas o Bento não merece sequer uma dessas excepções: falta-lhe a espessura dramática que tinham aqueles personagens da História do Sportem. Portanto, deixem o homem acabar o contrato. E em Maio, depois de mais um segundo lugar no campeonato, corram com ele e peçam por todos os santinhos ao BES que disponibilize uns trocos para contratar um treinador a sério.

26 de agosto de 2008

Do you miss me, miss misery?

Elliott Smith interpretou uma versão curta de Miss Misery em Março de 1998, durante a cerimónia dos Oscares, para os quais a canção tinha sido nomeada, por Good Will Hunting. Nesse ano, a vencedora seria My Heart Will Go On, da banda sonora de Titanic, na voz de Celine Dion.
Alguns anos mais tarde, em 2003, Elliott morreria apunhalado no coração, em circunstâncias nunca cabalmente esclarecidas, embora tudo apontasse para um suícidio. Era alcoólico e, nos últimos anos, dependente de heroína, com várias tentativas falhadas de rehab no activo. Tinha 34 anos.
Também em 2003, Celine Dion faria o seu imenso come back com um show no Caesars Palace de Las Vegas, que permaneceria em cena durante os quatro anos seguintes. Celine tinha então 34 anos.


The Third Eye

Disse alguém que existem dois tipos de pessoas no Mundo : as que gostam dos Beatles e as que preferem os Rolling Stones. Mas que fazer de todos aqueles que gostariam de preferir os Rolling Stones mas que na realidade acabam sempre – sem o confessar – por gostar mais dos Beatles?

25 de agosto de 2008

Hollywoodland

O novo Batman? Não, prefiro dar notícia de Hollywoodland, um pequeno filme de 2006, que não sei sequer se teve estreia comercial em Portugal. Quando se apanha por acaso – porque está a chover ou porque não nos apetece ficar a ver a prova de ginástica rítmica por equipas – um pequeno filme que se revela uma pequena pérola de inventividade, quase acreditamos que o cinema afinal ainda está vivo. No centro do filme está uma daquelas lendas de que é feita a História do Cinema, que neste particular se confunde com a(s) história(s) de Hollywood: o suicídio (ou talvez não) de George Reeves, actor de terceiro plano cujo maior sucesso – e drama – foi a interpretação de Superman num já esquecido serial da RKO dos anos 50. Adrien Brody é o detective que procura a verdade e, já agora, alguma notoriedade transformável em dólares e Ben Affleck – a melhor performance desde Dogma – é um excelente Reeves. Há – como poderia deixar de haver? – mulheres fatais e outras – formidável Diane Lane – que procuram apenas a felicidade possível. A realização é de uma invejável elegância, daquelas em que se nota que as referências cinéfilas estão lá porque devem estar e não apenas para épater le bourgeois. E quem será este realizador: um daqueles muito hype que andam nas bocas do mundo? Ou um tal de Allen Coulter, simples e competente realizador de televisão, que conta no currículo com vários episódios dos Soprano e Six Feet Under? Por vezes o cinema, como a vida, é tão simples: basta olhar, ver e gozar.

22 de agosto de 2008

Balanço olímpico (5)

Termine-se enfim esta série olímpica, que eu cá já só penso no Trofense. Não sem antes deixar de assinalar o último prego no caixão onde jaz a credibilidade olímpica da Nação: VPV himself, senhores e senhoras, meninos e meninas – nem mais nem menos que o maior especialista nacional em lançamento do martelo – diz umas asnei… rectius escreve sobre os Jogos Olímpicos (texto disponível aqui).
Deixem-me portanto também ajudar à festa, com a equipa chinesa de ginástica desportiva. Todas estas garbosas raparigas têm, dizem eles, a idade mínima para participar nas Olimpíadas, que é 16 anos.



Balanço olímpico (4)

Medalha de Bronze para o cronista Fernandes que, qual relógio estragado que acerta na hora duas vezes por dia, hoje esteve bem. Quase tão bem como o dito Fortes, que deu ontem na RTP-N uma entrevista cheia de ponderação e sageza.

20 de agosto de 2008

Balanço olímpico (3)

Medalha de lata para a blogosfera, onde a intensidade da asneira é potenciada pela suficiência do auto-convencimento. Nem o grande Maradona, o farol que nos ilumina a todos, escapou. Contrariamente ao que ele – e outros – dizem, a importância dada ao desporto não se mede pelo maior ou menor investimento dedicado à alta competição. A actividade desportiva deve fazer parte integrante da educação dos jovens e acompanhar-nos durante toda a nossa vida, com um ou dois objectivos essenciais: que os putos se divirtam e a gente se sinta bem depois de uma corridinha ou de umas pedaladas. As medalhas não interessam para nada. Os Jogos Olímpicos só têm importância enquanto substituto mais ou menos civilizado da guerra entre as Nações, como bem percebeu o presidente da Geórgia, o Coisovili. Felizmente, o bulício está a acabar e teremos enfim mais quatro anos de descanso para nos dedicarmos à nossa actividade favorita: ver a bola. Que aliás não é desporto, é entretenimento.

19 de agosto de 2008

Balanço olímpico (2)

A medalha de prata vai, inevitavelmente, para Wang Niandong, quase insuperável nas modalidades de



Ciclismo


Natação



Vela

Balanço olímpico (1)

Pois, a Vanessa e tal, mas para mim a medalha de ouro vai para a equipa francesa de natação sincronizada (esse belo desporto tão subestimado pelos especialistas), que competiu au som de Dead Can Dance. Isto sim é brio profissional.

18 de agosto de 2008

Fim de Estio


A tão saudada capacidade regeneradora e retemperadora de umas boas Férias tem sido, na minha modesta opinião, largamente exagerada. Dito isto, estamos prontos para enfrentar o Mundo e quem mais vier.

31 de julho de 2008

Comunicação ao país

O estio continua, embora hoje tenha estado mais quente que ontem.

9 de julho de 2008

8 de julho de 2008

Locomoção

Eu sei que não parece, mas é a mais absoluta verdade que tenho alguns amigos que são ou já foram directores ou directores adjuntos deste ou daquele serviço ou instituto público, assim como assessores e chefes de gabinete de governantes. Conheço mesmo um que foi ministro por algum tempo. Confesso que em determinada fase da minha vida considerei a minha própria pessoa digna de aceder a tão alto cargo; difícil desiderato, tendo em conta o meu individualismo radical: preocupo-me pouco ou nada com a coisa pública.
Nunca invejei estes amigos. Tal como não invejo os ricos: qual o interesse de passar o Verão em Ibiza ou de enjoar parvamente algures num iate no Mediterrâneo? De poder ter relógios Cartier ou um carro maior que o do vizinho? De comer uma minúscula dose de não se sabe bem o quê num restaurante do Ducasse? Sejamos claros: muito pouco.
A minha reacção às carreiras destes meus amigos é semelhante. Não lhes invejo nenhuma das vantagens, privilégios ou mordomias às quais podem ter acesso.
Excepto uma. A vergonha de me saber possuído por tão mesquinho sentimento nada pode contra a profundíssima inveja que tenho de toda a gente que tem direito a um carro com motorista. O estômago dói-me, transpiro, em suma: sinto subir em mim uma raiva profunda quando vejo um destes amigos chegar ou ir embora no carro com motorista do qual ele dispõe e é com enorme dificuldade que contenho a horrenda vontade que o dito amigo se estampe na próxima curva. Pensar nas preciosas horas que eu poderia poupar, nos sítios a que poderia mais rapidamente chegar e no conforto de não ter que passar meia-hora à procura de estacionamento, tudo graças a tão conveniente mordomia, desperta em mim uma incontrolável inveja contra tão privilegiada casta.
Esta inveja não é contaminada pela mínima ponta de orgulho. Se um destes amigos simpaticamente me oferece o motorista para eu ir a qualquer lado, aceito caninamente. Aliás, poucas vezes me senti melhor que quando um motorista – simultaneamente membro de uma força de segurança – me levou de algures em Lisboa a algures na Margem Sul, em plena hora de ponta, passando por todas as faixas de emergência e com aquele truque de chegar à Ponte 25 de Abril por um caminho secreto só conhecido por alguns privilegiados.
Eu sei. O que eu acabei de confessar é lamentável e se me restasse um mínimo de dignidade, calava-me bem caladinho e ia à minha vida.
Mas não. Há pior, caros leitores, muito pior.
Em certo momento, em plena aceleração na faixa de emergência naquele carro “à paisana”, foi com uma tristeza inconsolável que me apercebi que o meu simpático motorista emprestado não ia pôr o braço fora da janela e meter o “pirilampo” a apitar no tejadilho. Maricas!

7 de julho de 2008

Balanço

Cat Power: que pena o som ter sido tão mau no que poderia ter sido um bom concerto.
Massive Attack: eficácia, brilhantismo, som óptimo.
dEUS: perderam definitivamente a elegância barroca que já tiveram ou foi coisa passageira?
Ben Harper: nunca desilude; grande profissional.
Gossip: pois.

Cartão VIP

A partir de certa idade, necessitamos que as condições ideais estejam reunidas para nos dignarmos fazer algumas coisas. No fundo, queremos um cartão VIP. Mas raramente somos convidados para a nossa própria vida. Pelo contrário, temos que pagar bilhete. E não temos direito a bar aberto.

3 de julho de 2008

Toxic

"Toxic é uma grande canção", dizia ela sem deixar margem para resposta.

Straight outta Compton

"Faço-te gostar de gangsta hip hop em 2 minutos", dizia ela, a voz segura e colocada.

1 de julho de 2008

Mandamento

Nunca subestimes a influência da graça de Deus no funcionamento das juntas médicas. (via Causa Deles)

30 de junho de 2008

Os Nomes das Coisas

Ainda não consegui perceber se são certas coisas que já não são para a minha idade ou se é a minha idade que já não suporta certas coisas. Este dilema é, no estado actual das coisas, irresolúvel. Enquanto não alcançarmos aquele estado de sageza por que esperamos, não vale a pena pensar muito em certas coisas. Exactamente, essas coisas em que estás a pensar.

Relatório & Contas

É verdade que muita coisa, da pose à carinha laroca, fá-la parecer não mais que uma cantora de bar de hotel melhorada. Mas seria algo injusto dizê-lo. Diana Krall é uma excelente pianista e uma boa cantora, tem um reportório inteligente, sábia mistura de standards e pop, e é melhor, muito melhor, que qualquer Norah Jones. O concerto foi agradável, embora pouco dinâmico (a tournée está agora a começar) e com um só encore, não obstante os pedidos insistentes do público. Ah, é verdade: o Elvis não veio.



Seguem-se, já para Sexta-Feira, a grande Cat Power (em quem deposito grandes esperanças) e o regresso de Massive Attack. Há que manter um certo ecletismo.

27 de junho de 2008

Great Questions of Our Time


A minha grande questão para este início de fim de semana é saber se o marido da senhora em cujo concerto estarei daqui a umas horas vai ou não estar presente.

A entrevista

Melhor que preguiçar, só mesmo ler a grande entrevista dos últimos tempos: a de Gore Vidal ao NYT, que só agora descobri (via Glória Fácil).

26 de junho de 2008

A preguiça


Não há maior elogio da preguiça que a decisão de deixar de escrever em 1999 e passar a vida, desde então, a flâner entre o Hotel Louisiane e Saint-Germain-des-Prés, onde passaria parte da tarde – antes da sesta – no Café de Flore a olhar para as raparigas. Nem preciso de ter lido seja o que for de Cossery para gostar dele.