11 de janeiro de 2010

5 de janeiro de 2010

Toilettage

Começar 2010 acrescentando enfim à coluna da direita o melhor nome de blogue de sempre. Ele há blogues novos, é? Paciência.

Top Filmes 2009

Em 2009, o Bloom viu:

- um filme excepcional: The Wrestler

- dois filmes bons: Milk e Inglourious Basterds

- dois filmes engraçados: District 9 e The Box

- dois filmes (muito) decepcionantes: Gran Torino e Burn After Reading

- vários filmes para esquecer: todos os outros (incluindo Avatar)

Feliz Ano Novo

O ano cinematográfico começou, sem surpresas, com Avatar. Devo dizer que, no mesmo género, gostei mais de Pocahontas.

31 de dezembro de 2009

Fim de Ano

Erguer barricadas numa rua deserta? Sim, definitivamente, esta é a minha música do ano.

22 de dezembro de 2009

Jaime Nogueira Bauer

Estava o Bloom procurando no Ionline a última diatribe de um tal de Roseiro contra o Sporting quando se deparou com isto. Que o Jaime Nogueira Pinto seja um fã do 24 não é de espantar. Talvez ele até conheça outro grande apreciador da série e emblema da direita judicial americana, o grande Antonin Scalia. O justice Scalia, que é aliás um dos fachos mais brilhantes que me foi dado ouvir e ler, criou um pequeno escândalo aqui há uns anos quando tentou justificar a tortura recorrendo ao argumento Jack Bauer. Como saberá o leitor que aqui pára por engano (obrigado, Google!), este blog é um apoiante incondicional do Jack Bauer (embora a 6ª temporada seja uma bela merda; deposito algumas esperanças na 7ª temporada, objecto das preocupações do Jaime Nogueira Pinto; aliás, Jaime, fica aqui um conselho de fã a fã: vê sempre o 24 todo seguidinho em DVD, é muito mais giro que seguir um só episódio por semana). Eu percebo que estes grandes apoiantes da direita pura e dura se entusiasmem quando o Jack Bauer tortura um perigoso terrorista islâmico e salva Los Angeles da aniquilação total. Nos tempos que correm, eles têm tido, coitados, poucas possibilidades de dar uso à adrenalina, agora que a Casa Branca se amaricou. Talvez eles nem se apercebam que 24, respeitando sempre os mecanismos da série mainstream generalista, é até mais sofisticada e – ousemos o palavrão – multilateral do que eles pensam: as coisas não são tão simples como parecem, o mundo não é a preto e branco e Jack Bauer tem que se debater com complexos problemas morais que o atormentam; é aliás essa tensão entre moral e pragmatismo (mais uma dica de fã para fã, Jaime: essa tensão terá a sua origem na própria tensão entre os dois criadores da série, com concepções políticas algo diferentes; e se, caro Jaime, estiver mesmo motivado, eis a pièce de résistance: este artigo da New Yorker) que atrai tanto em 24.
Como dizia, tudo isto se percebe. Mas o que mais apetece dizer quando se lêem estes encómios dos fachos ao grande Jack Bauer é apenas e só: hey pessoal, acordem, que isto é só entertainment!


Don't go to the light, Jaime, please don't go to the light...

11 de dezembro de 2009

Chique a valer

E de repente passou a ser chique dizer mal de Paul Auster. Isto não é de agora. Por razões que me escapam – embora tal queira dizer pouco: ele há imensas coisas que me escapam e a culpa é seguramente minha – determinado escritor, realizador ou músico deixa de cair no goto da intelligentsia. Compreende-se o ódio da intelligentsia a Paulos Coelhos e quejandos: seria odioso – ou simplesmente out – ser confundido com um banal leitor de uma salada metafísica fora de prazo: they are simply better than that. Ainda por cima, ele escreve mal. Com o Auster, será um fenómeno mais difícil de explicar. Cansaço ou militância? Desdenho ou vontade sincera de educar as massas ignaras? Mistério.
Quanto ao Auster da discórdia: li na diagonal o texto do James Wood, que é certamente inteligente e elegante, como todos os que ele escreve. Mas como a minha idade já pode ser chamada de provecta, tenho que começar a escolher melhor o que me resta ler daqui até à degenerescência física e mental: logo, prefiro passar o meu tempo lendo, quando o comprar, o último Auster.

Fim de Semana

Para este fim-de-semana, uma das minhas all time favorites. Eis o pretexto.


10 de dezembro de 2009

Climatologista, muçulmano e gay

Num daqueles debates de que só a blogosfera detém o segredo, discute-se se ter mulher-a-dias é um traço distintivo da classe média. Este tema, independentemente do seu interesse intrínseco, teria a vantagem teórica de poder despertar as virtudes de polemista da blogosfera reaça, que proporciona regularmente momentos de diversão para toda a família. Infelizmente, por uma daquelas coincidências temporais dignas do teatro de boulevard, esta polémica tão promissora fez pscchtt, como o balão que se esvazia, assim que entrou em cena a cimeira de Copenhaga e a grande conspiração dos ecologistas, que tentam enganar o mundo inteiro convencendo-nos que isso do aquecimento global é pouco mais que uma história da carochinha. Obviamente, isto não surpreende ninguém. Os que querem defender a integridade científica contra os alarmistas ecologistas que nos tentam enganar são os mesmos que nos têm alertado contra os perigos dos integristas muçulmanos, cujas hordas bárbaras estariam prestes a desembarcar em Lisboa, de cutelo na mão para excisar as nossas raparigas ocidentais, depois de as fechar em esconsos minaretes, dignos das masmorras da Bastilha. São os mesmo que há tanto tempo nos avisam dos malefícios do lóbi gay, que está aí prestes a descaracterizar a nossa querida civilização judaico-cristã e a esterilizar de facto a espécie humana, condenada a lentamente definhar. Esta gente encontrou o personagem que povoa os seus mais terríveis pesadelos: um climatologista da universidade de East Anglia, muçulmano, barbudo e gay.
Dito isto, porquê persistir em repetir evidências? Mais vale ir reler isto, que quase – digo bem quase – me fez arrepender de não ter votado nele.

8 de dezembro de 2009

Matéria Mais Cinzenta


A matéria mais cinzenta não te vai salvar.
Algo mais o fará?
Não acredito.
...

4 de dezembro de 2009

2 de dezembro de 2009

O Homem do saco (2)

A alegoria do mundo paralelo. Simple recurso estilístico ou verdadeira fuga ao real? Como aquela personagem de Vineland: terá ela na realidade sido vendida como escrava sexual para um bordel japonês mas no único intuito de participar numa conspiração para assassinar um procurador, através de um técnica ninja secreta que consegue fazer com que a vítima morra apenas um ano mais tarde… ou terá passado esse período no hospital psiquiátrico?

1 de dezembro de 2009

Eu troll me confesso

Pela primeira vez na minha vida blogosférica, se é que assim lhe posso chamar, um blogger censurou-me um comentário. Isto é tanto mais espantoso quanto a probabilidade de isso acontecer me parecia ínfima: desde logo por raramente me atrever a comentar, a maior parte das vezes por preguiça. O comentário, esse rei da imediação, por permitir a reacção a quente e geralmente impensada (por vezes impensável) é, como se sabe, o refúgio supremo do troll. Graças ao comentário, os nossos mais baixos instintos libertam-se e vão viajando alegremente pela maledicência, o insulto soez e até – sim, já vi com estes que a terra há-de comer – a ameaça física. A posta apresenta normalmente sobre o comentário a vantagem da reflexão prévia: forma-se entre o cérebro e a pena um lapso de tempo que permite por vezes o arrependimento e até, com alguma sorte, o reconhecimento, porventura tardio, da falta de talento. Digo normalmente porque existem algumas excepções evidentes, de que o signatário é a amostra perfeita: nem a posta lhe sai bem, quanto mais o comentário. Assim, bem andou o blogger em questão, que teve o cuidado elementar de enviar um mail explicando calmamente porque sou eu um vulgar troll. Parecendo que não, ajuda. Embora – deverei dizer infelizmente? – não resolva.

Mais 2012

A despropósito:

"Se as condições fossem alteradas de forma a não discriminar os potenciais clientes que o Miguel Vale de Almeida acha que foram discriminados, a promoção ficaria reduzida a um "compre uma gamebox e tenha desconto na segunda", estratégia comercial que pode fazer sentido com os pacotes de ice tea do Lidl, mas que aplicada à venda de lugares para jogos do Sporting resultaria numa quebra de receitas inevitavelmente conducente à permanência de Pedro Silva no plantel até ao fim do calendário Maia, altura em que vamos todos morrer, menos as baratas e provavelmente o Pedro Silva."

Das baratas já eu me tinha lembrado, mas não me passou pela cabeça que o Pedro Silva poderia sobreviver ao cataclismo Maia. Logo, começo a ficar mais preocupado com o insucesso desta promoção.

30 de novembro de 2009

2012

Uma das minhas múltiplas fraquezas é a de gostar de filmes catástrofe. Dos clássicos cometa, maremoto ou meteorito à mais requintada paragem de circulação do magma do núcleo da terra; da vulgar erupção do vulcão ao terramoto mais manhoso; sem esquecer – como seria possível? – a invasão alienígena ou a revolta das máquinas. Daí não poder faltar ao clássico filme catástrofe de Natal, que desta vez nos apresenta o fim do mundo segundo os Maias (não confundir com a Maya). Devo dizer que passei um agradável momento, a que não será estranha a competente realização do encarregado da obra, um alemão reincidente em filmes desta natureza, que não descurou nenhuma das grandes características clássicas deste tipo de fita, e desde logo a regra nº 1 desde o saudoso Deep Impact: se o Mundo está prestes a acabar, o presidente dos EUA deverá ser preto. Reconheço alguma razão a quem critica a aposta deste tipo de filmes na mera surenchère (outra regra básica: se o filme catástrofe do Natal do ano passado tem um tsunami, o deste ano terá no mínimo dois tsunamis e se possível três). Mas que querem? Sem querer citar o anúncio mais irritante dos últimos tempos, poderíamos de facto viver sem esta corrida-ao-faço-mais-que-qualquer-outro-filme-que-vocês-tenham-visto mas… Pois, vocês sabem o resto.


Da janela vê-se o Corcovado, o Redentor... Ei, cadê ele?

27 de novembro de 2009

Descoberta

Assim ainda há salvação para a bloga. Fantástica descoberta (via FJV).

amostra

26 de novembro de 2009

The Box

Mensagem para todos aqueles que pensam que todos os livros – e todos os filmes – se limitam a ser uma enésima variação do Crime e Castigo: têm razão. Para além do dilema moral, aprenderemos – com os protagonistas – que cada acto tem uma consequência, que poderá ou não ser dramática. A fantástica reconstituição, para maior gáudio da garotada que decerto muito apreciará, da tão subestimada década de 70 contribui para banhar o filme num ambiente de estranheza inteligente, quase lynchiano. O filme é extremamente bem construído e nesse sentido quem gostou de Donnie Darko não sairá defraudado. No entanto, quando chegamos perto do fim, num crescendo que se pretende dramático, fica a dúvida de saber porque é que um filme inteligente não consegue despertar-nos a mesma emoção que outros, porventura menos conseguidos, conseguem; talvez tudo neste filme seja demasiado liso, demasiado frio, demasiado, passe o palavrão, intelectualizado. Resta a fabulosa banda sonora, que me levou, mesmo sabendo que nos tempos que correm basta ir à Net para tudo descobrir, a esperar pelo genérico final para me surpreender: é esta gente que faz a música!

Como? O salário mensal do Carvalhal? Isto?!

24 de novembro de 2009

Semana

Mais RTP Memória ou Billy Corgan com cabelo

Photograph by Michael Lavine courtesy of Grunge (Abrams Image)

21 de novembro de 2009

20 de novembro de 2009

Mário


Quem passou pelo CITAC nos idos de 80 nunca o esquecerá. Até à vista, Mário.

19 de novembro de 2009

La main

c'était main, monsieur l'arbitre!!

Teoria da conspiração

E se o golo tivesse sido invalidado e a Irlanda viesse a perder nos “pénaltes”? Ah e tal ficariam tristes mas daqui a um ano já se tinham esquecido da coisa: não é a primeira vez – e não será seguramente a última – que estes garbosos rapazes ficam a ver o Mundial em casa. Mas depois de tudo o que aconteceu, a noite de ontem em Saint-Denis já entrou na História. Estes rapazes serão lembrados para todo o sempre e os nomes de Keane, Doyle e O’Coiso andarão na boca de cada irlandês, sempre que se falar de injustiças épicas. Muitas pints serão bebidas e muita animação será sentida em todos os pubs do verde país, por muitos e muitos anos. Esta que acabo de expor – e não esta – é que é a verdadeira teoria da conspiração.

18 de novembro de 2009

De quem é o Carvalhal?

Esta notícia é temporalmente adequadíssima: felizmente, no dia em que o Humberto Coelho foi despedido, já o Carvalhal era, como diria o Zé Mário Branco, nosso. A experiência tem-me ensinado que é quando julgamos que a coisa bateu no fundo que o pior acontece. Desta, todavia, livrámo-nos.

13 de novembro de 2009

Generation Gap

“Pai, esta música não tem nada a ver com o filme, pois não?”
“Que filme?”

29 de outubro de 2009

Ei-lo

Aprecie-se a elegância dos calções do guitarrista...

Tenho andado à procura deste solo do Steve Hackett

“O que vale é que, depois da nomeação de Santos Silva, o Governo foi buscar um especialista para secretário de Estado da defesa e dos assuntos do mar: Marcos Perestrello.”

O Pedro Sales, blogger que me é aliás eminentemente simpático, não tem culpa nenhuma. Eu sei que ele está a fazer o trabalho dele de dirigente da oposição e que esta posta teve apenas o efeito da gota de água que transbordou o copo do meu retiro político. A brincadeira que ele faz com um tal de Marcos Perestrello (que aliás não conheço) é glosada de muitas e variadas maneiras por muitos comentadores e opinion makers. É que não sei de onde vem esta ideia absolutamente peregrina de que os ministros (ou, vá, os secretários de Estado) têm que ser forçosamente especialistas das matérias que vão tutelar. Se me parecem óbvias, por razões práticas, as vantagens destes putativos ministros não desconhecerem totalmente tais matérias, o que se exige do Ministro da Economia não é que seja um óptimo economista ou que saiba muito de Finanças: para isso estarão lá, em princípio (segue-se agora um wishful thinking), os especialistas da administração pública. O que se exige do Ministro da Economia, para ficarmos por este exemplo, é que seja um excelente político. Que saiba tomar e impor à sua administração decisões políticas. Que saiba trabalhar politicamente para defender as ideias e tomar as posições que acredita serem as melhores para a comunidade. Quem anda sempre com a superioridade da Inglaterra na boca (o que não me parece ser o caso do Pedro Sales, admito) deveria interrogar-se mais sobre a razão pela qual todos os membros do Governo de Sua Majestade têm que ser obrigatoriamente deputados da Nação.
Pronto, agora que desabafei já posso ir à procura daquele tutorial sobre o solo do Steve Hackett no Here Comes the Supernatural Anaesthetist.

27 de outubro de 2009

Tell me something new

O DN de hoje anuncia que “O Homem Moderno fez sexo com Neandertais”. Mas não está isso sempre a acontecer todos os dias a tantos Homens e Mulheres Modernas?

Swell?

Pois, primeiro não há ondas, depois vem uma onda gigante, depois fazem misérias ao Saca (aahh, o fado português, é tão reconfortante reencontrá-lo), depois o Slater perde para um rapazote, depois vem o nevoeiro. Mas afinal não era só com o Saramago que deus devia estar chateado?