23 de setembro de 2008

Freddy Mac e Fanny Mae got married

Os Republicanos têm razão: Hollywood é um ninho de liberais (no sentido americano da palavra) que tentam desnaturar a cabecinha dos adolescentes americanos. No entanto, a Resistência organiza-se. The pursuit of Happyness é a prova disso. Nesta true story, que só pode ter tido João Miranda como consultor técnico (e não é porque o filme trate de biotecnologia), seguimos a vida difícil do personagem interpretado por Will Smith que, em anos de crise, sobrevive dificilmente vendendo scanners para dentistas. Mas o sonho do Will, aluno brilhante obrigado a interromper o percurso escolar por, supõe-se, a namorada ter engravidado (ai a falta que a abstinência faz) é ser corretor da Bolsa. Depois de conseguir um estágio numa dessas fantásticas empresas capitalistas em que toda a gente anda feliz, Will parece estar a safar-se. E qual é o acontecimento não totalmente imprevisível que vem interromper esta ascensão social? Obviamente, os impostos. A tenebrosa e totalitária máquina fiscal espezinha mais uma vez as liberdades individuais e penhora a totalidade das economias do nosso Will, que se vê de repente homeless e obrigado a procurar abrigo e alimentação nas organizações caritativas. Felizmente, tudo acabará em bem: mesmo dormindo de vez em quando nas casas de banho públicas, o Will consegue destacar-se entre as várias dezenas de estagiários, ser o único escolhido para ficar na empresa e tornar-se, alguns anos mais tarde, o multimilionário que nós já desconfiávamos que ele seria. Antes disso, Will consegue livrar-se da tal antiga namorada, com quem entretanto casou, uma chorona que só sabe queixar-se do azar em que se tornou a sua vida e desenvolve uma amizade viril com o filho, a quem ensina que nunca se pode desistir e que se se trabalhar suficientemente, pode conseguir-se tudo na vida, inclusive o seu próprio avião a jacto.
Lindo.
Portanto, estavas à espera de quê, Rui Tavares?




21 de setembro de 2008

Le genou de Clare

Who doesn't love a band in uniform?

20 de setembro de 2008

Anarchy in the UK

Quem tiver mais de 40 anos – sem ter passado a adolescência no seminário – e vir a imagem de marca da última campanha do Printemps reconhecerá imediatamente a referência a David Bowie período Hunky Dory. Definitivamente, o Rock está na moda. É usado por todo o lado para vender seja o que for: carros, malas, computadores, iogurtes e sobretudo trapinhos. É com efeito a indústria da moda a que tem mais aproveitado a iconografia Rock para vender, com referências constantes ao glam dos anos 70 mas também ao Rock urbano-depressivo do Velvet (mais o look heroin addict) ou ao Reggae e ao Ska festivos dos anos 80.
Por um lado isto é reconfortante. Demonstra que aquilo que parecia ser o terror das mães dos adolescentes das últimas décadas se banalizou, foi socialmente aceite e integrado na vida moderna. Por outro lado, é preocupante. Indica que a energia criativa desses anos se encerrou no beco sem saída do consumismo sem sentido: quando a gente vê Keith Richards a vender malinhas Vuitton não sabe se deve rir ou vomitar.
Se for verdade que a História se repete – seja como tragédia ou como farsa, pouco importa – este estado de coisas não merecerá grande preocupação. As gerações saberão reinventar-se e uma nova energia criativa tentará sujeitar o Mundo à prova da Utopia. Talvez.
Estava a acabar de escrever esta posta quando comecei a ouvir subir do quarto do meu filho de 10 anos os primeiros acordes de My Generation. Fui ver o que se passava e lá estava ele a jogar Guitar Hero na PlayStation…







18 de setembro de 2008

Colecção Outono/Inverno

Não vi a estreia, seguramente auspiciosa, da novel deputada, mas pude vê-la em plena actividade debatente na SIC-N com uma senhora do PPD/PSD (ou do PSD, não cheguei a perceber…) de que não fixei o nome. Fiquei convencido: se não fosse por outros motivos, que não vêm ao caso, seria homem para me casar só para me poder divorciar ao abrigo do novo regime. Assim de repente, não sei se isto que acabei de escrever faz algum sentido. Mas entre o Continente e o Conteúdo, sempre escolherei o primeiro. Que querem, sou fraco…



16 de setembro de 2008

Pescadinus Tautologicus

Obviamente, quando tudo corre bem é porque o mercado funciona. Quando tudo corre mal, o mercado também funciona, pois corrige os excessos. Acho que a isto se chama uma tautologia. Ou também esta espécie animal que eu baptizei agora mesmo.





15 de setembro de 2008

In Memoriam

RW 1943-2008


Bola de Ouro

Sem ligar ao fecho do mercado e com a reabertura em Janeiro ainda longe, o Arrastão reforçou-se ainda mais que o Benfica e apresenta-se como sério candidato ao título. Única dúvida: qual das três estrelas é o Lee Van Cleef (isto é, nem o Good nem o Ugly)?


11 de setembro de 2008

Much Ado About Nothing

A Selecção não me interessa por aí além. Toda aquela coisa de cantar o hino e beijar a bandeira parece-me um bocadinho pindérico. Para além deste facto simples: quem gosta verdadeiramente de bola apoia um clube e não uma selecção. Dito isto, gostei do jogo de ontem, que teve grandes momentos de futebol bem jogado. Todavia, o resultado não me surpreendeu. E não digo isto por pensar que sei mais que os especialistas. Com efeito, antes do jogo eu já sabia que Portugal ia perder. Então é impunemente que uma selecção treinada pelo tenebroso Queiroz de má memória sobe ao Estádio de Alvalade sem um único jogador do Sporting a titular? Era, obviamente, uma catástrofe anunciada. Não tenho a menor dúvida que com Scolari – e com a costumeira galinha preta decepada de fresco a saltitar em honra de Iemanjá ou da Senhora do Caravaggio e tal – o resultado teria sido 2-1 para Portugal. Independentemente do Ricardo ter feito outra vez merda, com a habitual e disparatada saída ao cruzamento. Como? Não era o Ricardo? Aah….



9 de setembro de 2008

A cadência, os seus tempos, a trepidação e a intensidade dela

“a música clássica e o metal partilham a cadência (os tempos) e a trepidação (as
intensidades).”
Henrique Raposo

Não quero fazer deste mundo paralelo um blog demasiado Raposo oriented (ver aqui, aqui e aqui) e longe de mim poder dar a ideia que algo me move contra o dito blogger, que reputo de eminentemente respeitável e é com certeza – não o conheço – excelente pessoa. Mas existe de facto algo nos textos do Raposo que pode por vezes despertar emoções incontroláveis: a maior parte das vezes, o riso histérico; em outras ocasiões, a estupefacção esgazeada. Nesse sentido, o Raposo cumpre a sua função social de cronista: despertar o interesse dos leitores. Pensei nisso quando percebi que residia no novo e excelente Ouriquense – lido hoje com a atenção que merece – mais uma vítima do Raposo, como se vê aqui. Isto no mesmo dia em que descubro mais esta prova de surdez aguda. Se isto não é suficiente para formar no Facebook um grupo dos leitores compulsivos do Raposo ansiando por desintoxicação, vou ali comprar um disco dos Moonspell e já venho.

Radar

Algo se passa em Ourique.

7 de setembro de 2008

Fim de Semana

Em 2001, Wes Anderson filmava The Royal Tenenbaums, uma comédia dark sobre disfunções familiares e amores impossíveis. Numa das melhores cenas do filme, é encenada a tentativa de suicídio de uma das personagens principais. A música da cena é Needle in the Hay de Elliott Smith. Não sendo propriamente uma canção sobre o suicídio, devendo ser antes uma referência à dependência da heroína de que Elliott começava a padecer, é difícil imaginar melhor roupagem sonora para uma tão bonita cena. Dois anos depois deste filme, Elliott espetava uma faca de cozinha no coração.


4 de setembro de 2008

Da Beleza

Em Little Children, mais um filme visto com atraso, existe uma outra cena para além desta que merece referência. Quando o casal Connelly-Watson recebe Kate Winslet e o marido para jantar, Connelly apercebe-se a dada altura, através de uma referência anódina a um terceiro, que o seu marido está tendo um affair com Winslet. Num gesto vindo de outro século, deixa cair um talher para surpreendê-los playing footsie debaixo da mesa. Inutilmente, claro, pois todos os pés estão conscienciosamente no lugar deles. E, num momento de puro espanto, fica dobrada debaixo da mesa a olhar para as unhas dos pés pintadas num ridículo lilás de Kate Winslet, enfiados numas sandálias de mau gosto. Quando finalmente Connelly se levanta, o seu rosto é o retrato de quem não compreende que a beleza possa ceder à paixão. Claro, o espectador – mas não Connelly – sabe que não se trata de paixão. E saberemos todos mais tarde que se tratará de uma cedência temporária, pois tudo acabará por se “normalizar”. Não é por esta conclusão moralizadora que Little Children não é um bom filme. No entanto, ainda assim, esta cena fica a assombrar-nos durante algum tempo.

Médio de contenção

O futebolista português Tiago encontrou a solução para todos esses futebolistas descontentes que enxameiam os clubes e chateiam treinadores e dirigentes. Tiago não se conseguiu conter face a todas as malfeitorias de que terá sido alvo nos últimos tempos e tomou uma medida radical: trancou o presidente do clube no balneário. Portanto, amigo futebolista descontente que nos lês, não desesperes. O presidente do teu clube não te deixa ir embora pela meia dúzia de milhões que aquele clube inglês do meio da tabela oferece? Ele quer emprestar-te ao Fornos de Algodres quanto sabes que tens valor para a Liga dos Campeões? Problema resolvido: apanha o presidente a jeito e zás! Tranca o gajo no balneário. Para os casos mais graves, deita fora a chave.

1 de setembro de 2008

Entretanto, na SIC

Tomás Azevedo, neto de “you know who”, diz que vai iniciar, com 18 anos, um negócio “sem o dinheiro da família”. Comentário da E.: “deve ser com o dinheiro que ele ganhou na apanha da fruta!”
Diga-se de passagem que o Tomás, muito sério, com o seu fatinho de corte impecável e os sapatinhos tão bem engraxadinhos, a dizer mal dos quatro últimos governos de que se lembra, parecia ter 48 anos e não 18. Preferimos de longe o neto Champalimaud, que escolheu Direito porque o pai lhe disse que era assim que devia ser e que como prenda de fim de curso pediu, em vez do par de espingardas que o pai lhe propunha, uma volta ao mundo, durante a qual se fartou de surfar na Austrália e na Nova Zelândia. Aliás, um gajo que escolhe Champas como nome de blogger não pode ser mau tipo. Só não deu para descobrir – a imagem passou demasiado rapidamente – o nome do blog dele.
Donde: a burguesia decadente do Sul mostra – mais uma vez – a sua superioridade sobre o capitalismo industrial nortenho.

29 de agosto de 2008

Al-Mostar

Se as caixas de comentários dos blogs são já o refúgio de muito troglodita, que dizer dos comentários dos leitores do Mais Futebol? Por exemplo, numa notícia sobre o encontro do Sp. Braga com os bósnios do Mostar, um leitor Marinho fazia o seguinte comentário: “rua... [ 2008-08-28 15:54 ] Por: marinho fora com esses marroquinos. nao fazem parte da europa. rua”. Este dedicado leitor do Mais Futebol – esquecendo que Rabat é, em linha recta, a capital mais próxima de Lisboa e que, nesse sentido, nós, tugas, somos muito mais marroquinos que os eslavos dos Balcãs – terá antecipado o fenómeno do aquecimento global e, com uma presciência visionária, adivinhado que Mostar será muito brevemente mais quente que o Saara. Será portanto muito provável que vejamos, num futuro não muito distante, o leitor Marinho servindo de montada aos turistas chineses e russos sedentos de experiências radicais no deserto. E aí ele verá como é dura a vida de camelo.

28 de agosto de 2008

Sex, drugs and Brahms

“Terça-feira, na Gulbenkian, o Quarteto Takács - tocando Brahms - ofereceu-me uma descarga brutal de pele-de-galinha. (…) Saí da sala, meio combalido, apoiando-me nos ombros das meninas das lanternas. Cá fora, as ditas meninas fizeram o diagnóstico: orgasmo pela via cutânea.”

Quem fala assim devia ser declarado espécie protegida.

Pacta sunt servanda

Mais incómodos virão. Pôr Pedros Silvas e Ronnys a jogar e deixar um Vukcevik no banco, não se sabe bem por que birra, não é propriamente um incómodo. Também não chega a ser incompetência, é apenas uma teimosiasinha idiota e inconsequente, que esquece o interesse do colectivo para alimentar ódiozinhos de estimação. Por princípio, sou contra a substituição de treinadores (do meu clube, claro, já se for o Benfica fico contentíssimo) com o campeonato a decorrer. Uma gestão sã e compatível com uma boa planificação da época não se compadece com esse tipo de decisão aventureira. Admiti duas excepções a este grande princípio: quando foi preciso correr com Materazzi e com o Peseiro. Mas o Bento não merece sequer uma dessas excepções: falta-lhe a espessura dramática que tinham aqueles personagens da História do Sportem. Portanto, deixem o homem acabar o contrato. E em Maio, depois de mais um segundo lugar no campeonato, corram com ele e peçam por todos os santinhos ao BES que disponibilize uns trocos para contratar um treinador a sério.

26 de agosto de 2008

Do you miss me, miss misery?

Elliott Smith interpretou uma versão curta de Miss Misery em Março de 1998, durante a cerimónia dos Oscares, para os quais a canção tinha sido nomeada, por Good Will Hunting. Nesse ano, a vencedora seria My Heart Will Go On, da banda sonora de Titanic, na voz de Celine Dion.
Alguns anos mais tarde, em 2003, Elliott morreria apunhalado no coração, em circunstâncias nunca cabalmente esclarecidas, embora tudo apontasse para um suícidio. Era alcoólico e, nos últimos anos, dependente de heroína, com várias tentativas falhadas de rehab no activo. Tinha 34 anos.
Também em 2003, Celine Dion faria o seu imenso come back com um show no Caesars Palace de Las Vegas, que permaneceria em cena durante os quatro anos seguintes. Celine tinha então 34 anos.


The Third Eye

Disse alguém que existem dois tipos de pessoas no Mundo : as que gostam dos Beatles e as que preferem os Rolling Stones. Mas que fazer de todos aqueles que gostariam de preferir os Rolling Stones mas que na realidade acabam sempre – sem o confessar – por gostar mais dos Beatles?

25 de agosto de 2008

Hollywoodland

O novo Batman? Não, prefiro dar notícia de Hollywoodland, um pequeno filme de 2006, que não sei sequer se teve estreia comercial em Portugal. Quando se apanha por acaso – porque está a chover ou porque não nos apetece ficar a ver a prova de ginástica rítmica por equipas – um pequeno filme que se revela uma pequena pérola de inventividade, quase acreditamos que o cinema afinal ainda está vivo. No centro do filme está uma daquelas lendas de que é feita a História do Cinema, que neste particular se confunde com a(s) história(s) de Hollywood: o suicídio (ou talvez não) de George Reeves, actor de terceiro plano cujo maior sucesso – e drama – foi a interpretação de Superman num já esquecido serial da RKO dos anos 50. Adrien Brody é o detective que procura a verdade e, já agora, alguma notoriedade transformável em dólares e Ben Affleck – a melhor performance desde Dogma – é um excelente Reeves. Há – como poderia deixar de haver? – mulheres fatais e outras – formidável Diane Lane – que procuram apenas a felicidade possível. A realização é de uma invejável elegância, daquelas em que se nota que as referências cinéfilas estão lá porque devem estar e não apenas para épater le bourgeois. E quem será este realizador: um daqueles muito hype que andam nas bocas do mundo? Ou um tal de Allen Coulter, simples e competente realizador de televisão, que conta no currículo com vários episódios dos Soprano e Six Feet Under? Por vezes o cinema, como a vida, é tão simples: basta olhar, ver e gozar.

22 de agosto de 2008

Balanço olímpico (5)

Termine-se enfim esta série olímpica, que eu cá já só penso no Trofense. Não sem antes deixar de assinalar o último prego no caixão onde jaz a credibilidade olímpica da Nação: VPV himself, senhores e senhoras, meninos e meninas – nem mais nem menos que o maior especialista nacional em lançamento do martelo – diz umas asnei… rectius escreve sobre os Jogos Olímpicos (texto disponível aqui).
Deixem-me portanto também ajudar à festa, com a equipa chinesa de ginástica desportiva. Todas estas garbosas raparigas têm, dizem eles, a idade mínima para participar nas Olimpíadas, que é 16 anos.



Balanço olímpico (4)

Medalha de Bronze para o cronista Fernandes que, qual relógio estragado que acerta na hora duas vezes por dia, hoje esteve bem. Quase tão bem como o dito Fortes, que deu ontem na RTP-N uma entrevista cheia de ponderação e sageza.

20 de agosto de 2008

Balanço olímpico (3)

Medalha de lata para a blogosfera, onde a intensidade da asneira é potenciada pela suficiência do auto-convencimento. Nem o grande Maradona, o farol que nos ilumina a todos, escapou. Contrariamente ao que ele – e outros – dizem, a importância dada ao desporto não se mede pelo maior ou menor investimento dedicado à alta competição. A actividade desportiva deve fazer parte integrante da educação dos jovens e acompanhar-nos durante toda a nossa vida, com um ou dois objectivos essenciais: que os putos se divirtam e a gente se sinta bem depois de uma corridinha ou de umas pedaladas. As medalhas não interessam para nada. Os Jogos Olímpicos só têm importância enquanto substituto mais ou menos civilizado da guerra entre as Nações, como bem percebeu o presidente da Geórgia, o Coisovili. Felizmente, o bulício está a acabar e teremos enfim mais quatro anos de descanso para nos dedicarmos à nossa actividade favorita: ver a bola. Que aliás não é desporto, é entretenimento.

19 de agosto de 2008

Balanço olímpico (2)

A medalha de prata vai, inevitavelmente, para Wang Niandong, quase insuperável nas modalidades de



Ciclismo


Natação



Vela

Balanço olímpico (1)

Pois, a Vanessa e tal, mas para mim a medalha de ouro vai para a equipa francesa de natação sincronizada (esse belo desporto tão subestimado pelos especialistas), que competiu au som de Dead Can Dance. Isto sim é brio profissional.

18 de agosto de 2008

Fim de Estio


A tão saudada capacidade regeneradora e retemperadora de umas boas Férias tem sido, na minha modesta opinião, largamente exagerada. Dito isto, estamos prontos para enfrentar o Mundo e quem mais vier.

31 de julho de 2008

Comunicação ao país

O estio continua, embora hoje tenha estado mais quente que ontem.

11 de julho de 2008

9 de julho de 2008

My love

Está frio no quarto.

8 de julho de 2008

Locomoção

Eu sei que não parece, mas é a mais absoluta verdade que tenho alguns amigos que são ou já foram directores ou directores adjuntos deste ou daquele serviço ou instituto público, assim como assessores e chefes de gabinete de governantes. Conheço mesmo um que foi ministro por algum tempo. Confesso que em determinada fase da minha vida considerei a minha própria pessoa digna de aceder a tão alto cargo; difícil desiderato, tendo em conta o meu individualismo radical: preocupo-me pouco ou nada com a coisa pública.
Nunca invejei estes amigos. Tal como não invejo os ricos: qual o interesse de passar o Verão em Ibiza ou de enjoar parvamente algures num iate no Mediterrâneo? De poder ter relógios Cartier ou um carro maior que o do vizinho? De comer uma minúscula dose de não se sabe bem o quê num restaurante do Ducasse? Sejamos claros: muito pouco.
A minha reacção às carreiras destes meus amigos é semelhante. Não lhes invejo nenhuma das vantagens, privilégios ou mordomias às quais podem ter acesso.
Excepto uma. A vergonha de me saber possuído por tão mesquinho sentimento nada pode contra a profundíssima inveja que tenho de toda a gente que tem direito a um carro com motorista. O estômago dói-me, transpiro, em suma: sinto subir em mim uma raiva profunda quando vejo um destes amigos chegar ou ir embora no carro com motorista do qual ele dispõe e é com enorme dificuldade que contenho a horrenda vontade que o dito amigo se estampe na próxima curva. Pensar nas preciosas horas que eu poderia poupar, nos sítios a que poderia mais rapidamente chegar e no conforto de não ter que passar meia-hora à procura de estacionamento, tudo graças a tão conveniente mordomia, desperta em mim uma incontrolável inveja contra tão privilegiada casta.
Esta inveja não é contaminada pela mínima ponta de orgulho. Se um destes amigos simpaticamente me oferece o motorista para eu ir a qualquer lado, aceito caninamente. Aliás, poucas vezes me senti melhor que quando um motorista – simultaneamente membro de uma força de segurança – me levou de algures em Lisboa a algures na Margem Sul, em plena hora de ponta, passando por todas as faixas de emergência e com aquele truque de chegar à Ponte 25 de Abril por um caminho secreto só conhecido por alguns privilegiados.
Eu sei. O que eu acabei de confessar é lamentável e se me restasse um mínimo de dignidade, calava-me bem caladinho e ia à minha vida.
Mas não. Há pior, caros leitores, muito pior.
Em certo momento, em plena aceleração na faixa de emergência naquele carro “à paisana”, foi com uma tristeza inconsolável que me apercebi que o meu simpático motorista emprestado não ia pôr o braço fora da janela e meter o “pirilampo” a apitar no tejadilho. Maricas!

7 de julho de 2008

Balanço

Cat Power: que pena o som ter sido tão mau no que poderia ter sido um bom concerto.
Massive Attack: eficácia, brilhantismo, som óptimo.
dEUS: perderam definitivamente a elegância barroca que já tiveram ou foi coisa passageira?
Ben Harper: nunca desilude; grande profissional.
Gossip: pois.

Cartão VIP

A partir de certa idade, necessitamos que as condições ideais estejam reunidas para nos dignarmos fazer algumas coisas. No fundo, queremos um cartão VIP. Mas raramente somos convidados para a nossa própria vida. Pelo contrário, temos que pagar bilhete. E não temos direito a bar aberto.

3 de julho de 2008

Toxic

"Toxic é uma grande canção", dizia ela sem deixar margem para resposta.

Straight outta Compton

"Faço-te gostar de gangsta hip hop em 2 minutos", dizia ela, a voz segura e colocada.

1 de julho de 2008

Mandamento

Nunca subestimes a influência da graça de Deus no funcionamento das juntas médicas. (via Causa Deles)

30 de junho de 2008

Os Nomes das Coisas

Ainda não consegui perceber se são certas coisas que já não são para a minha idade ou se é a minha idade que já não suporta certas coisas. Este dilema é, no estado actual das coisas, irresolúvel. Enquanto não alcançarmos aquele estado de sageza por que esperamos, não vale a pena pensar muito em certas coisas. Exactamente, essas coisas em que estás a pensar.

Relatório & Contas

É verdade que muita coisa, da pose à carinha laroca, fá-la parecer não mais que uma cantora de bar de hotel melhorada. Mas seria algo injusto dizê-lo. Diana Krall é uma excelente pianista e uma boa cantora, tem um reportório inteligente, sábia mistura de standards e pop, e é melhor, muito melhor, que qualquer Norah Jones. O concerto foi agradável, embora pouco dinâmico (a tournée está agora a começar) e com um só encore, não obstante os pedidos insistentes do público. Ah, é verdade: o Elvis não veio.



Seguem-se, já para Sexta-Feira, a grande Cat Power (em quem deposito grandes esperanças) e o regresso de Massive Attack. Há que manter um certo ecletismo.

27 de junho de 2008

Great Questions of Our Time


A minha grande questão para este início de fim de semana é saber se o marido da senhora em cujo concerto estarei daqui a umas horas vai ou não estar presente.

A entrevista

Melhor que preguiçar, só mesmo ler a grande entrevista dos últimos tempos: a de Gore Vidal ao NYT, que só agora descobri (via Glória Fácil).

26 de junho de 2008

A preguiça


Não há maior elogio da preguiça que a decisão de deixar de escrever em 1999 e passar a vida, desde então, a flâner entre o Hotel Louisiane e Saint-Germain-des-Prés, onde passaria parte da tarde – antes da sesta – no Café de Flore a olhar para as raparigas. Nem preciso de ter lido seja o que for de Cossery para gostar dele.

25 de junho de 2008

Pausa

Interrompo neste preciso momento as várias actividades sérias que me têm mantido ocupado para sublinhar que me parece que Kathleen Turner Overdrive é um excelente nome para uma banda. Mesmo depois de descobrir que até existe uma banda com esse nome.

23 de junho de 2008

A tradição é muito bonita

Espada tem razão: é bonito que se continue a respeitar a tradição em Wimbledon. Talvez o grande comentador nos pudesse informar exactamente desde que altura começou a ser tradição do All England Club admitir resultados combinados no venerável torneio.

21 de junho de 2008

20 de junho de 2008

Do you hear that, Mr Anderson? That is the sound of inevitability

Nunca deixará de me espantar a quantidade de comentadores e analistas desportivos cuja vocação se revela, no dia a seguir à derrota. Eles tudo previram, tudo calcularam e, claro, o resultado não é mais que o pálido retrato de uma realidade que eles já sabiam que ia acontecer. Não lhes ocorre que o futebol possa ser uma actividade da qual talvez fosse necessário dominar alguns conceitos básicos antes de se perorar abundantemente.
Por outro lado, que fazemos nós na blogosfera senão falar sobre o que não percebemos?

Natureza das Coisas

O verdadeiro conservador reconhece a evidência da natureza das coisas. Com Marx ou sem ele.

Esperança

Talvez ainda haja esperança para os garbosos futebolistas portugueses. Ninguém me tira da cabeça que a exibição negativa de ontem terá sido um protesto silencioso contra a fraca qualidade literária das mensagens deixadas pelo Scolari nos quartos dos jogadores.

19 de junho de 2008

Apenas um par de pegadas

Este blog recomenda a este blog a edificante leitura deste artigo. Talvez depois da leitura do pungente “Pegadas na Areia”, esse expoente máximo da literatura mundial, o 1bsk reconsidere o seu desapoio à Selecção e se torne um seguidor fanático de Felipão soon to be Big Phil.

18 de junho de 2008

Da injúria


Atento à protecção da propriedade intelectual, o sobrinho e único herdeiro e detentor actual dos direitos de autor de Antonin Artaud, obrigou o escritor Stéphane Zagdansnki a retirar do seu site um excerto sonoro de “Pour en finir avec le jugement de Dieu”. Zagdanski obedeceu mas enviou ao sobrinho uma carta altamente injuriosa. Não publicarei aqui esta carta por óbvias razões legais, mas não resisto a transcrever o início: “Pauvre étron” e um outro adjectivo qualificativo do sobrinho Artaud, a saber “impotent crétin chicaneur”, entre outros terríveis impropérios altamente injuriosos. Muito naturalmente, o sobrinho Artaud processou Zagdanski por injúrias, pedindo uma indemnização de 100 000 €. Em tribunal, Zagdanski demonstrou que a carta em questão não era mais que o pastiche de uma outra carta, enviada por Artaud a Balthus em 1939. Pelo que sendo de saudar o sobrinho Artaud por tão ciosa protecção dos direitos de autor da obra do tio, já o conhecimento dessa mesma obra deixa a desejar (ver história aqui). Fica a sugestão de tão interessante método a quem escreve coisas destas.

16 de junho de 2008

Um odor peculiar

É um odor peculiar. Mais que o reencontro com a estepe, os velhos carros parados à beira da estrada e o fumo negro que se escapa de camionetas directamente saídas de um mau filme sobre a Guerra Fria. É por este odor que não se consegue identificar – misto de tabaco frio, suor e gasolina saturada em chumbo – que sabemos que chegámos às partes longínquas da Europa. [A duração média do intervalo de tempo entre cada descolagem do aeroporto de Borispol é de cerca de 15 minutos] Mudança? Sim, claro, tanta coisa que mudou. Entre o VW Touareg V8 que me leva ao mosteiro de S. e o Lada em que me metiam há uns anos atrás existe uma diferença abissal. Ou – como perguntava espantado o amigo da Anne Applebaum – onde estavam metidas estas belíssimas mulheres luxuosamente vestidas, como se fosse a última oportunidade de se mostrarem antes do Mundo acabar amanhã?

Haverá assim tanta diferença? [São agora 10 minutos entre cada descolagem] Assim que deixamos a grande cidade, a pobreza aparece em todo o seu esplendor eslavo-comunista. E os americanos continuam a espantar-se quando ninguém no restaurante confessa falar Inglês. Olho para eles como se só falasse Mongol e continuo a beber placidamente a minha cerveja ucraniana. Nem o fervor religioso dos pobres acaba por ser assim tão diferente do que se passava – mais ou menos em segredo – durante o comunismo, diz-me o meu novo grande amigo Igor enquanto goza com os monges ortodoxos com que nos cruzamos.

No avião de regresso, vêm as equipas polaca, sueca e austríaca de halterofilismo, acabadinhas de chegar de um torneio qualquer. Toda a minha energia é a partir de agora canalizada para evitar perturbar o ritmo das descolagens do aeroporto de Borispol. Estes halterofilistas têm ar de pesar bastante; será que nunca viajam sem os halteres?

12 de junho de 2008

Fim de Semana em Donetsk

Poderia ser música popular ucraniana.

Da estética

O melhor título da semana: "Le Sporting, club d’esthètes lisboètes". Obrigado, Ivan, pela descoberta desta verdade universal.

11 de junho de 2008

Portugal Allez

Mais uma vez (e outra) um tal de Henrique Raposo questiona a existência de várias coisas (entre as quais um país, um ministro e um Presidente). Este questionamento permanente da existência de determinados seres e coisas começa a transportar o dito Raposo para um plano quase ontológico, onde o Ser deixa de ser para passar a ser o Nada. Isto preocupa-me quase tanto como deixar jogar o Petit a trinco.

9 de junho de 2008

Mais do mesmo

Com a festa dos portugueses na ex-pacata Suíça, regressaram as piadas sobre emigrantes e os posts patetas. Enquanto rimos e gozamos com os simpáticos pacóvios tugas, mais as suas fêveras e Minis, o suíço que mora em cada um de nós fica a perguntar-se que vida leva esta gente para celebrar assim um Portugal que já só existe, provavelmente, na cabeça deles. De uma coisa estou relativamente seguro: quem nunca passou uma temporada mais ou menos longa fora de Portugal terá muitas dificuldades em compreender o que aquela gente sente. Correndo além disso o risco de, talvez involuntariamente, lhe resvalar o pé para a chinela tanto ou mais que o maior labrego emigrante na Suíça.

6 de junho de 2008

Ver E Não Te Ver

Vai e Vem

Ela era perturbadoramente parecida com a Kim Gordon. Mas não gostava de pós-Punk. A nossa história acabou aí.

Dia D

Confirmo: é possível termos o dia mais feliz da nossa vida. Só não sabemos quando.

5 de junho de 2008

Subsídios para uma explicação da formação de preços


Economista tuga tenta perceber porque é que os compatriotas desertam as estações de serviço da terrinha para irem abastecer a Espanha.


Obama can

No dia 4 de Novembro de 2004, um obscuro aspirante a blogger postava isto, reenviando para um link obamaforillinois.com que já nem existe. O aspirante a blogger continua obscuro, mas Obama lá vai brilhando.

4 de junho de 2008

Os factozinhos

Já aqui me queixei: é costume os jornalistas maltratarem violentamente os factozinhos. Por isso suspirava pelo nascimento do FactCheck.org português. Descobri, via Câmara Corporativa, o que poderá ser o princípio de uma coisa importante: o Pente Fino.

3 de junho de 2008

O Mundo pula e avança

Mas o excesso de bola colorida, como se assinala aqui, pode provocar distúrbios graves da sanidade mental do povoléu. Um jornal dito de “referência” cuja primeira página é um tornozelo de jogador da bola enrolado em ligaduras? E ainda nem começou o dito cujo Euro? Declaração de interesses: eu gosto de bola e quero ver o máximo possível de jogos!


2 de junho de 2008

Iron Man

De entre os filmes de super-heróis, e tirando os 2 Batman do Tim Burton, que ocupam um espaço à parte e não entram para este campeonato, Iron Man é sem dúvida um dos que me é mais eminentemente simpático. Mas confesso que nutro desde há muito tempo uma admiração quase reverencial por Robert Downey Jr., desde os tempos em que ele se metia (?) na droga. Para quem se lembre, os grandes Ena Pá 2000 diziam, com a sua habitual sobriedade, que a droga “sabe bem mas faz mal”.

31 de maio de 2008

Fim de Maio



Joni Mitchell, Pat Metheny, Jaco Pastorious e Don Alias.
E querem-me impingir a Scarlett?!

Karaoke de Fim de Semana

Penso que falta algum karaoke à blogosfera.

30 de maio de 2008

PREC

(clicar para ler)

Bravo Portugal

Assim começa este post do blog do Economist que carinhosamente se dedica ao JPP, pedindo que transmita ao seu amigo Vasco GM.

Fernandes, Defensor da Cristandade

Ferreira Fernandes (FF), no seu habitual estilo marialvo-trauliteiro, indigna-se hoje no DN com esta decisão do tribunal de Lille. Tanta preocupação de FF com os direitos das mulheres – esta decisão foi aliás particularmente criticada, e bem, em França pela menorização que representa do estatuto das mulheres – percebe-se melhor quando se vê que o intuito principal do reputado cronista é afinal fustigar a “cobardia” do Ocidente, que levaria a que qualquer dia acordemos todos muçulmanos. É óbvio que decisões tolas como a do tribunal francês são mel para a islamofobia ambiente. Mas antes de começar a vociferar conviria analisar melhor a situação. Talvez se venha até a perceber que tudo isto se possa dever sobretudo a um advogado espertalhão – que conseguiu anular o casamento alegando, aparentemente, um vício da vontade – e a um juiz pateta que considerou a virgindade uma “qualidade essencial” (todos estes conceitos existem aliás em direito português – normal: o nosso Código Civil é copiado do francês – onde uma decisão destas seria portanto possível). Claro, como ele diz expressamente, os detalhes jurídicos não interessam ao FF. O que lhe interessa é a sua cruzada para defender a cristandade ocidental dos barbudos trogloditas. So be it.

29 de maio de 2008

Resposta ao Pedro Mexia sobre a crise energética

Não posso deixá-lo sem resposta.

Clotilde Hesme, actriz francesa

Malfunction

Tinha uns óptimos vídeos para postar mas o Blogger não deixa. Sendo assim, resta-me sublinhar mais uma vez o meu incondicional apoio ao Tratado de Lisboa. Sem deixar que o facto de se tratar de um mau tratado me influencie, sendo aqui aplicável o famoso dito sobre melhor valer um mau acordo que uma boa demanda. Aliás, embora cada Estado tenha obviamente o direito de organizar os referendos que quiser, qualquer referendo a um tratado europeu que não se realize ao mesmo tempo e com a mesma pergunta em todos os Estados membros, não é nem sério nem credível. E para dizer isto não preciso sequer, ao contrário do que parece dizer o Daniel Oliveira, de defender o conteúdo do Tratado de Lisboa. Como qualquer acordo internacional firmado entre Estados soberanos, tem coisas boas, menos boas e francamente más. Mas é necessário e não deveria ter sido sujeito a referendos parciais e isolados. E agora vou estudar o mapa de Donetsk, essa interessante cidade mineira onde espero me encontrar brevemente, para pregar mais uma vez o meu Evangelho.

28 de maio de 2008

Les Chansons d'amour

Há com certeza boas razões para os filmes musicais estarem fora de moda. E mais razões ainda para ver ou rever Les Chansons d’amour, uma descomplexada mistura de Demy com Nouvelle Vague, com uns laivos de pop alternativa francesa e um modo absolutamente irresistível de falar de coisas sérias (o amor, o ciúme, a perda) de maneira leve.

O longo braço da Lei

“O Professor Bambo, auto-intitulado astrólogo e vidente que diariamente aparece
publicitado em jornais e cartazes espalhados pelas ruas, foi ontem detido para
interrogatório pela Divisão de Investigação Criminal (DIC) da PSP do Porto.
Suspeito, segundo a Lusa, de vários crimes de extorsão, que estarão relacionados
com a actividade a que se dedica, e um de violação (…)”


Esta notícia do DN é uma das mais perturbantes, desde que se soube que o detective privado Costa, especialista em infidelidades, apanhou a mulher com outro.

27 de maio de 2008

Naturalmente


Ne craignez point de prendre des partis trop rudes et trop difficiles, quelque affreux qu’ils vous paraissent d’abord : ils seront plus doux dans les suites que les malheurs d’une galanterie.

26 de maio de 2008

Grandes batalhas da Literatura

Segundo o Nouvel Obs, Sarkozy atira-se pela terceira vez em dois anos à Princesa de Clèves, o que não deixa de significar algo sobre o personagem. Note-se que o pequeno presidente não ferra o dente em Molière. Não goza com Racine. Nem um dichote sobre Feydeau, que no entanto tanta crítica poderia suscitar. Não. É contra a pobre Madame de LaFayette que o Nicolas de Paris lança o seu escárnio, interrogando-se, com sorrisinho sarcástico a dobrar-lhe o lábio, sobre a utilidade de nos concursos de admissão para a função pública da grande nação gaulesa ser absolutamente imprescindível saber recitar a Princesa de Clèves. Pois eu aqui solenemente exijo que os meus leitores saibam o que diz a Madame de Chartres à filha para a convencer a não ceder aos doces avanços do duque de Nemours.

Os felizes literatos serão devidamente recompensados. Respostas para mundosparalelos@hotmail.fr

Entretanto, no Avante

Ou no JN, talvez, Mário Crespo veste a pele de perigoso comunista (via Klepsydra).

22 de maio de 2008

WikiMundo

O novo e admirável Mundo Wiki não pára de se desenvolver. Ou pelo menos assim julgou o 5 Dias, que dá este exemplo. Nos comentários ao post, ficamos a saber que afinal a Conservapedia é uma brincadeira. Cumpre-me portanto apresentar aqui um outro projecto Wiki, que é pelo contrário seríssimo: a Dickipedia.

O Intelectual

Obviamente, o Intelectual nunca compreenderá o futebol nem a força das emoções que ele arrasta, motiva e estimula. Independentemente de ter razão em (quase) tudo.

20 de maio de 2008

...

Por vezes vejo-me a conversar, trabalhar, fazer escolhas, encontrar e perder amores como se estivesse a observar, num local recatado e quase invisível onde ninguém me detecta, outra pessoa qualquer. Nessas alturas sou o Peeping Tom de mim próprio.

16 de maio de 2008

Children of Men

Prosseguindo o costumeiro e já famoso (!) visionamento dos filmes que já passaram, Children of Men foi uma agradável surpresa.
Pitch: num futuro não muito longínquo, uma epidemia misteriosa tornou todas as mulheres estéreis, causando a anarquia em todo o mundo, salvo no Reino Unido; confrontado no entanto com a invasão de refugiados vindos do resto do mundo, o Reino Unido torna-se um Estado altamente militarizado; é neste contexto que uma jovem refugiada negra se torna a primeira mulher a engravidar em 18 anos; o protagonista, um ex-activista político, vai fazer tudo para a pôr a salvo simultaneamente do Estado e de um grupo terrorista e entregá-la a um misterioso grupo de cientistas – que nem sequer se sabe muito bem se realmente existe – que estaria a tentar encontrar uma cura para a esterilidade universal.


Filmado no estilo “documentário” popularizado por alguns novos realizadores britânicos (sobretudo Paul Greengrass) mas misturando-o com ideias visuais interessantes vindas da série B pós-apocalíptica (incluindo o subgénero “filme de zombies”), o filme apresenta uma reflexão – em jeito de road movie – sobre a possibilidade da esperança num mundo militarizado e desprovido de ética. A ideia é boa, actores e técnicos estão à altura, mas, ainda assim, quando o genérico final começa a passar, perguntamo-nos o que não teria feito um Kubrick com semelhante material.

15 de maio de 2008

You gotta give to get back

Sempre assim foi, sempre assim será.

E o Henrique Raposo existe?

Alguém que se assina Henrique Raposo põe aqui em dúvida a existência de um comentador. Embora não leia o Expresso, acabei por ler este artigo, objecto do tal comentário do gajo que não existiria. Aqui chegado, devo confessar, se tal fosse ainda necessário: não sou especialista de nada, portanto também não de Educação. Desconfio é que o Raposo seja como eu (embora menos bonito, como se depreende pela fotografia que encima o artigo). Como pode um especialista desfiar tanta banalidade sobre o “eduquês”, os “direitos adquiridos”, a “mediocridade igualitária”, etc?
Já o comentário sobre o CSI me pareceu muito pertinente. Desgraçadamente, não vejo o CSI.
Urge portanto fazer a pergunta que queimará já os lábios do meu dedicado leitor: e o Raposo existe?

Soyez raisonnables (4)

Pergunta: este austríaco tinha bigode? Só para confirmar esta tese.

Soyez raisonnables (3)

Um católico como Mexia devia saber que não se invoca o nome de deus em vão. Ilustrar assim um post sobre Alberto João devia ser considerado pior infracção que fumar num avião. Ficamos à espera do perdão e da contrição (escuta da obra integral do Velvet?).

14 de maio de 2008

Entretanto, no país do Gato Fedorento

Tudo se passa normalmente. Invectivas gondomarenses, cigarradas aéreas pré-colombianas e ousadas atitudes politicamente incorrectas de considerar que não poder bater na mulher é feminismo radical.

60 anos



E o melhor penteado da história do sionismo.

12 de maio de 2008

Entretanto, na SIC Notícias

A Teresa Caeiro escandaliza-se com o dicionário que só agora reparo causar polémica aqui e aqui. Ainda bem que segui estes links, porque se tivesse ficado apenas pela intervenção da Teresa C., poderia ter ficado com a impressão que ela estava era a dar uma ganda banhada ao Mário Crespo. E agora regresso ao meu Musil.

7 de maio de 2008

Vingança em Ranholas

Comece-se por uma confissão: se a cena relatada aqui não se tivesse passado em Ranholas, este post não existiria. Eu sei que isto é terrivelmente supérfluo mas por vezes a única razão de escrevermos é tão simplesmente a vontade de não perder a oportunidade de utilizar um bom título. Depois pensamos melhor nesta história de uma actriz cujo nome me é apenas vagamente familiar. E a tristeza de uma cena de peixeirada armada por esta actriz deprimida nas instalações de uma qualquer revista do “social” revela-se em todo o seu esplendor de drama humano. E quase nos arrependemos de fazer um post um bocadinho gozão e voyeurista. Quase.

Friends, Lésbicos, countrymen, lend me your ears


Num dos episódios da 2ª temporada, House convida o amigo para ver o L World sem som. Excepcionalmente, eis-me mais exigente que o House. Vi talvez um episódio e meio do L World (com som) e nunca mais pus os olhos em cima de série tão fraquinha e desinteressante. Descubro agora que ela deve ter começado a passar na televisão grega. Com efeito, que outra razão senão a maçadora L World teria enervado os habitantes da simpática ilha de Lesbos ao ponto de pedir em tribunal o uso exclusivo da denominação “lésbico” e/ou “lésbica”, isto é, pessoa natural da ilha de Lesbos?

6 de maio de 2008

É entrar

Aproveitem rápido, enquanto o f-world anda psicadélico. Desconfio que dure pouco.

Bando de loucos

Parabéns. Londres tem finalmente o seu Alberto João.

Elegância Rock (reloaded)


Marianne Faithfull, sobrinha-bisneta de von Sacher-Masoch, autor do livro Venus in Furs, que deu por sua vez origem à canção do mesmo nome composta por Lou Reed e interpretada pelo Velvet Underground, no famoso álbum da banana.

5 de maio de 2008

Soyez raisonnables (2)


O meu início das celebrações de Maio de 68 foi passado a ver The Descent. Para todos os que pensem que teria sido melhor a leitura de um dos múltiplos calhamaços de Gluksmann ou Cohn-Bendit que inundaram as Fnacs, desenganem-se. Que melhor maneira de reconhecer a herança de Maio que um filme de terror gore onde os únicos personagens são meia-dúzia de mulheres fortes que não temem nada nem ninguém e uma centena de humanóides masculinos repelentes? The Descent é uma declaração feminista radical, que aliás faz já parte dos programas das cadeiras de Gender Studies que vão proliferando por aí. Esta última acabei de inventar agora mesmo, mas não me admiraria se fosse verdade.

Soyez raisonnables

demandez l'impossible: actualização de blogues.

30 de abril de 2008

Apdeites

1. Novo blog. Com muitas estrelas e um regresso : Sinusite Crónica, já aí ao lado.
2. Novo combate dos Titãs : este contra este.
3. Kim Gordon merece encómios, júbilo e regozijo.

28 de abril de 2008

Espelho Meu

Diz-me, espelho meu, se há no punk alguém mais elegante do que eu...