26 de outubro de 2009

Speaking in tongues, sp eak in gi n to ngu es…


Se eu próprio não percebo, como raio vais tu perceber?

24 de outubro de 2009

Fim de Semana

Para este fim de semana, uma dúvida: Alexandre e Ana, por onde andais?

21 de outubro de 2009

Two Ways To Leave Your…

Em certa cena de The Wrestler, o personagem de Mickey Rourke, marcado pelo tempo e não só, diz que os “nineties sucked”. Para ele, tinha sido a idade do esquecimento e da descida aos infernos, ainda por cima vindas logo depois da euforia exuberante dos “eighties”. Se começar a tentar lembrar-me, facilmente chego à conclusão que os anos noventa foram seguramente a década em que menos filmes vi, menos livros li e poucos discos, a não ser os que já tinha, escutei. Não posso verdadeiramente dizer, como o Mickey Rourke, que os “nineties sucked”: falta-me História para isso. Posso no entanto afirmar, sem fugir muito à realidade, que os anos noventa me passaram mais ou menos ao lado. No entanto, foi a década em que me casei, em que mudei de país, em que comecei a trabalhar no que realmente gosto, em que tive os meus dois filhos, em que comprei uma casa, em que tive um cão… é melhor parar aqui, não quero maçar os meus leitores mais que o estrito necessário.
Digamos que os anos noventa foram talvez a década da minha vida em que fui mais feliz. Nesse sentido, eu não passei ao lado dos anos noventa, antes pelo contrário. Sendo a felicidade um conceito muito relativo, isto não será em si digno de grande registo. Mas convence-me que existem sempre pelo menos duas maneiras de ver as coisas. Não sei se, como diz o lugar comum, o melhor ainda está para vir; sei que o que vivi foi já muito bom.

20 de outubro de 2009

Mundo Cruel bis

Este mundo anda tão mais perigoso quanto a gente se apercebe - graças ao Google, claro - de como era a Shauvon antes da Queda.

Mundo Cruel

Do DN de hoje:

Shauvon Torres, de 24 anos, estava a realizar uma prova do 'reality show' “The Real World” em que tinha de saltar para um lago. Com o impacto da queda na água, um dos implantes mamários de Shauvon rebentou.”

O que impressiona neste video não é tanto a explosão do implante da pobre Shauvon. É o riso dos colegas quando ela anuncia chorosa que a mama já não o era. Este Mundo anda perigoso.


19 de outubro de 2009

Goodbye Peniche

Este é também o destino dos pequeninos. Depois de tudo preparado e montado, depois dos hotéis cheios, dos 80 000 espectadores, dos surfistas e das miúdas, depois disto tudo … vai-se a ver e não há ondas. Chato.

Good Morning Peniche

...que isto não é só bola...

a seguir também - onde mais? - aqui

18 de outubro de 2009

Outono?


Though nothing can bring back the hour
Of splendour in the grass, of glory in the flower

17 de outubro de 2009

16 de outubro de 2009

FlashForward

Pois, é um lugar comum dizer que algumas séries são tão boas ou melhores que 80% da produção cinematográfica actual. E esta, ao fim de dois episódios apenas, nem parece ser assim tão boa. Mas nenhuma série cuja musiquinha de fim seja esta pode ser completamente má. Esperemos portanto.


- Porra, isto tudo foi o Pedro Passos Coelho a passar por aqui?!

No comments?

Eu sei que não vale a pena e ainda bem que os comentários desta posta foram desligados, mas esta prosa requentada de uma outra época mistura e amalgama tanta coisa diferente (homossexualidade, pedofilia, militância esquerdista e j’en passe), no mero afã de fustigar os “esquerdistas”, que começa de facto a tornar-se cada vez mais provável algum trauma antigo, ideal para ocupar os tempos livres de algum discípulo mais ocioso do velho Segismundo de Viena ou os alegres membros de um círculo de ex-maoístas reconvertidos.

O Povo saúda os seus representantes no Soviete da Nação

"[Pacheco Pereira] foi, aliás, um dos deputados mais assediados pela comunicação social, nos corredores da AR. Mas não conseguiu "bater" Rita Rato, a elegante deputada comunista que atingiu o recorde do maior número de entrevistas dadas num só dia na AR. "

Fraco que sou, fui imediatamente googlar a novel deputada que bateu logo no primeiro dia o Pacheco em popularidade. E só posso dizer que, com jovens representantes deste calibre, a classe operária tem ainda muitos e bons dias pela frente.


14 de outubro de 2009

Cenas de uma família chinesa

Pequim, cerca das 8 da noite
- Ó Chang, filho, anda jantar que o cachorro está a esfriar…
- Espera aí só um segundinho, querida, que estou aqui a ver umas coisas.
5 minutos depois
- Chang Manuel, porra, anda comer que eu quero ir ver a telenovela….
- Só mais um bocadinho.
- Mas afinal que estás tu a fazer no computador?
- Ó Lin, filha, estava só aqui a ver a descrição de bens neste arrolamento do 2° Juízo Cível de Lisboa, que interessante que isto é
- Mostra lá, mostra lá…

É só fracturar

Nesta casa também se lamenta, obviamente, esta fractura do perónio (sim, que a gente não é monstro nenhum…). Trata-se no entanto de uma óptima notícia para a Floribela, que assim poderá ter o tempo todo do mundo para dar petits soins ao seu amor, e para o Sporting, que jogará com um tosco a menos.


Pluralismo democrático

A grande vantagem dos blogs colectivos é poder ler coisas tão antagónicas como esta e esta. Este pluralismo democrático apresenta óbvias vantagens relativamente aos blogs individuais como este onde governa a ditadura do indivíduo. Já quanto aos disparates, consigo dizer sozinho quase tantos como eles todos em conjunto.

13 de outubro de 2009

Submarinos

Regressado de paragens longínquas, deveria o escriba preocupar-se com temas sérios como o Nobel da Paz, os resultados das autárquicas ou mesmo o bruxo Pepe. Afinal, o que lhe retém a atenção é esta reunião original do governo das Maldivas, que prepara o seu próximo conselho de ministros debaixo de água (uma estreia mundial, parece) para chamar a atenção do Universo sobre as consequências dramáticas do aquecimento global. Pensa o escriba ser este um exemplo a seguir por muito outros governos, embora se devesse negar a alguns deles a vantagem de terem botijas de oxigénio.

8 de outubro de 2009

Around The World?


Sentia, ainda assim, o Mundo a fugir.

Travel

Auto-suficiência? Porquê?

6 de outubro de 2009

Semana da Moda

Que fique claro: este blog não poderia deixar inassinalada (pergunto-me se esta palavra existe...) a semana da moda em Paris. Donde: um clássico.


5 de outubro de 2009

District 9

É bom saber que podem existir hoje jovens realizadores que cresceram entre velhas fitas de Carpenter e de Cronenberg. Que se pode voltar a fazer uma boa ficção científica política como nos velhos tempos – não esquecendo de lhe acrescentar uma pitada moderna Web 2.0, câmara de reportagem, etc. – e ainda assim dar-nos monstros horrendos, metamorfoses e muito tiroteio. Sim, é um filme engraçado e dá pica. Mas amanhã já o esquecemos, não é?

1 de outubro de 2009

Portrait of the Bloom as a...

... jornalista da Sport TV. Que pergunta, na flash interview, ao jogador da equipa derrotada "Pétosco, como explica esta derrota? Não vale utilizar as expressões 'continuar a trabalhar' e 'levantar a cabeça'".

30 de setembro de 2009

Comunicação ao País (2)

Dito isto, e esclarecendo que não tive pachorra para ver em directo e por isso me socorro dos relatos da imprensa, só fico supreendido pelas reacções de quem se diz decepcionado pela intervenção do Cavaco. Ou são todos muito novos ou esqueceram-se dos anos do cavaquismo. Felizmente, ao contrário dessa altura, já não vivo em Portugal: já não preciso de suportar a confrangedora nulidade cavacal.

29 de setembro de 2009

Comunicação ao País

Por vezes dou por mim a perguntar-me porque terei dado determinado passo, exprimido certa opinião ou feito uma dada escolha. Se não consigo sequer estar de acordo comigo próprio, como poderia fazer uma comunicação ao país? Ou mesmo – argumento ad absurdum – manter um blog?

27 de setembro de 2009

Dia de Eleição

Neste dia de eleição, permitam-me divulgar o meu voto: aqui estamos sempre ao lado dos fracos, portanto votamos no Polga.

26 de setembro de 2009

23 de setembro de 2009

Valsa com Bashir e os meus 18 anos

Sei agora quão errado estava em não ter ido ver Valsa com Bashir quando estreou nas salas, por desconfiar daquilo a que João Lopes chama o “dispositivo” do “documentário em desenho animado” e o respectivo risco de se reduzir aquela história “a uma solução formalista e algo exibicionista”. Estava errado, claro, porque se trata de um grande filme. E percebi a dimensão do meu erro quando, mais ou menos a meio do filme, se começa a ouvir uma canção dos PIL. Em 1983, eu tinha 18 anos. E encontrava-me no meu Líbano pessoal.


21 de setembro de 2009

O regresso do porco


Chelsea, Dezembro de 1976


Melbourne, há uns dias

O regresso da gata

A invocação de Murakami resultou. A gata regressou e penso mesmo ter detectado no seu comportamento recente um certo ar de triunfo.



17 de setembro de 2009

O Sucesso

Talvez exista quem nunca se aperceba, mas só nos tornamos verdadeiramente adultos quando passamos a ter alguém cuja vida é mais importante que a nossa. A adolescência tardia pode tornar-se embaraçosa. Embora, admito, divertida.

16 de setembro de 2009

One man One vote

Estou preocupado por não ter ainda recebido o boletim de voto que deverei enviar para Portugal. No entanto, também gosto da ideia de ser o meu boletim o último a chegar às mesas de apuramento e assim, por um extraordinário concurso de circunstâncias, ser ele a decidir quem será o próximo Primeiro-ministro. Atenção, isto não é original: sei que já vi um filme assim mas não me lembro com quem nem de quem. Felizmente, existe a Wikipedia.

11 de setembro de 2009

Da dimensão trágica do Peseiro

Várias publicações – esta é apenas um exemplo – têm insistido nesta ideia de ser o Peseiro o treinador do quase. E no entanto há, apesar de tudo, uma dimensão trágica neste destino de ficar tão perto da Glória e acabar por morrer na praia. Uma dimensão que acaba por emprestar uma certa dignidade ao personagem. E a essa aura – essa dignitas – jamais poderá o Bento aspirar.

9 de setembro de 2009

When September Comes

Já me parece mais grave que um homem tão preocupado com a competitividade e a produtividade nacionais fique à espera, rato na mão, das 09:09:09 de 09/09/09 para postar. Felizmente, como em quase toda a actividade bloguística mirandesa, trata-se de uma posta minimalista. Apreciei muito esta última característica.

Mais perto do Sol

Para um 09/09/09, o dia até está a correr bem.

8 de setembro de 2009

Outro conselho

Eu sei que estas novas gerações não gostam de ler francês, mas a edição francesa dos Inrocks desta semana tem um suplemento especial muito razoávelzinho sobre esse assunto.

4 de setembro de 2009

Fim de Semana


Pobre daquele cujas descobertas acontecem quando o Verão já vai alto

Entretanto, na TVI (cont.)

Parece-me mal que a Administração da Media Capital ou da Prisa ou lá o que é se imiscua assim numa eleição legislativa, apoiando tão descaradamente o PSD e Manuela Ferreira Leite.

3 de setembro de 2009

Entretanto, na TVI

Sócrates demonstra alguma fraqueza no que diz respeito a citações cinéfilas. “Sei o que fizeste no Verão passado”?! Pfff…

Inglourious Basterds

O sétimo filme de Quentin Tarantino é provavelmente o melhor desde Jackie Brown. Depois de três experiências falhadas, Quentin regressa em grande forma com um filme que não se limita a ser um repositório de citações cinéfilas para alguns iluminados (e quem conhece em Portugal o Piz Palü ou Danielle Darrieux?). Mais que tudo o resto (e este “resto” é imenso: diálogos fantásticos, actores maravilhosos, etc., etc.), é o postulado de base de Quentin – ter sido o cinema a derrotar o nazismo – que interpela o espectador. Logo, não se trata apenas de reinventar a História. Trata-se de nos dizer que é possível que a poesia seja o motor do mundo. E nós acreditamos.

1 de setembro de 2009

Never away for too long

Donde o novo blog do Pedro Mexia, Lei Seca. Por enquanto, temos Smiths, ponchos e álcool.

31 de agosto de 2009

Public Enemies


O meu problema com Public Enemies é ser aquele filme bom, bem realizado e interpretado, com uma imagem obsessivamente perfeita (inteiramente filmado em alta definição) que, por uma razão que nem consigo perceber, não descola para se transformar na obra-prima que pretenderia ser. Assim uma espécie de Matias Fernandez no meio-campo do Sporting.

28 de agosto de 2009

Da superioridade da melga estrangeira

É a espera pela melga estrangeira (coliseta argentoratum) que marca o fim do Estio.
Quando, pelas 3 da manhã de uma noite no pino de Agosto, somos acordados pelo zumbir de uma melga nacional (coliseta lusitana), temos apenas que apanhar molemente o jornal que lemos na véspera e fazer pontaria à pobre e estúpida melga acabadinha de pousar no branco imenso de uma parede branca alentejana. Se não fizéssemos tanta questão de vingar a mordidela que a melga acabou de fazer no nosso cotovelo esquerdo, teríamos quase pena de massacrar animal tão estúpido, quiçá entorpecido pelo calor e pelo repasto sanguíneo com que acabou de se deleitar. Missão que cumprimos no entanto sem estados de alma e de que restará apenas uma mancha vermelha escura no branco da cal da parede.
Já chegados ao estrangeiro, somos acordados à mesma hora pela melga estrangeira. Só que, quando acendemos a luz, não há meio de pôr a vista em cima do insecto relapso, que se esconde, pérfido e insidioso, talvez entre as cortinas da janela ou aproveitando as florzinhas do papel de parede beige para se esconder. E ali ficamos nós, desamparados e de pantufa na mão, à procura de uma melga de superior inteligência que não mais se mostrará. Até nada mais nos restar senão apagar a luz e oferecer o nosso corpo indefeso às picadelas do pequeno monstro.
Antes de adormecer, ficamos a reflectir no atraso estrutural português e na superioridade da melga estrangeira sobre a melga nacional. O que é tão ou mais perturbador que a incapacidade porventura genética do Djaló controlar decentemente uma bola que seja.

17 de julho de 2009

15 de julho de 2009

A colheita

Quando menos esperas, chega a urgência de voltar ao essencial. Não se trata de te arrependeres, mas apenas de ter a humildade de reconhecer o que é verdadeiramente importante. E o Verão é uma altura tão propícia a isso.


13 de julho de 2009

Web 2.0? Pois...

Assim fica demonstrado que algumas pessoas serão ainda pouco sensíveis aos apelos das petições online. Em jeito de protesto silencioso, deixemos aqui a lembrança destes seios que já não são.


11 de julho de 2009

Fim de Semana

Da série "se fosse outro gajo qualquer atiravam-lhe tomates"

10 de julho de 2009

State of Play

Vi alguns episódios da mini-série da BBC que State of Play começou por ser (e que João Lopes, na sua posta sobre o filme, não refere). Se bem me lembro, a tónica era colocada no aspecto político, sobretudo na corrupção de políticos pela indústria petrolífera. Por uma vez, a adaptação do filme aos padrões de Hollywood acaba, paradoxalmente, por torná-lo melhor. A mini-série política que era State of Play torna-se no filme uma ode ao jornalismo de investigação e numa discreta homenagem aos thrillers políticos dos anos 70. Longe da histeria colorida de The Last King of Scotland, State of Play, filmado com competência e servido por bons (alguns deles muito bons: Helen Mirren é fantástica, como sempre!) actores, revelou-se uma agradável surpresa.

Eu também sou prestável q.b.

Não terei Browning nem Shakespeare para oferecer, mas no filme (?) Over Her Dead Body, Paul Rudd, detectando Infinite Jest sobre a coffee table, pergunta à jovem ruiva que ele tem debaixo de olho se ela gosta de David Foster Wallace, ao que a jovem responde que conseguiu ler umas linhas e deixou-o depois sobre a mesa para as visitas (a jovem em questão desenvolve em part-time a actividade profissional de medium) pensarem que ela é intelectual. Esta resposta perturba sobremaneira o nosso homem, que tinha comprado um livro de contos do dito Foster Wallace (não consegui detectar o título) para oferecer ao alvo das suas atenções. Embora já se tenha visto melhor como estratégia de engate, Paul Rudd acaba por conseguir levar a ruiva para a cama.
Donde: não sei se ando a ler Foster Wallace a menos (a única coisa que li, o artigo da Harper’s aconselhado pelo Casanova, não conta: é como ver um jogo de preparação sem ligar ao campeonato) mas ando seguramente a ver filmes mete-nojo a mais.

8 de julho de 2009

Ortodoxia

As postas precedentes demonstram que este blog cedeu - excepcionalmente, note-se - a algum exibicionismo Web 2.0. Lamentável, mas compreensível: não tendo eu sido nomeado chefe dos serviços secretos nem tendo a minha página do Facebook fotografias interessantes, permiti-me um pequeno desvio às regras. Mas acabou. Voltou a ortodoxia e a doce inactividade das postas irregulares.

7 de julho de 2009

2 de julho de 2009

30 de junho de 2009

Jornal de referência

Na página 27 da edição impressa do Público de hoje, o ministro Teixeira dos Santos garante ao país que o pior já passou. Não sei se acredite se não, mas o casaco com que o ministro se apresenta na fotografia que acompanha o artigo não augura nada de bom. Nada mesmo. Deixo para os especialistas comentários mais informados sobre esse magno problema. E, obviamente, não incluo a foto.

29 de junho de 2009

Good News First

A boa notícia é sentirmos que regressou aquela capacidade de nos entusiasmarmos ingenuamente pelo primeiro craque que nos impingem. E não estou a ser irónico.

A má notícia é a última vítima do tenebroso fundamentalismo islâmico. Para quando uma vigorosa reacção da Helena Matos?

26 de junho de 2009

24 de junho de 2009

Entretanto, na TVI

Segunda-feira à noite, no percurso entre a cozinha e o quarto, deparei-me com mais um episódio de Equador, em que aquela rapariga que se apaixonou pelo rapaz de Coimbra conversava com a sua rival. Achei estranho por: 1) não ser Domingo e 2) o pessoal dos figurinos andar drogado ou a gozar com o Miguel Sousa Tavares, pondo duas gajas que supostamente se encontram em São Tomé vestidas como se estivessem em 2009 em Lisboa. Daí a me dar conta que não estava a assistir ao Equador mas sim à nova telenovela da TVI foi um doloroso e relativamente longo passo. Mas o que interrompeu a minha viagem (da cozinha para o quarto, como se lembrarão) foi o momento em que a tal rapariga-que-não-é-filha-do-dono-da-farmácia-do-Equador dizia à amiga, com ar compungido, “sou adoptada”. Este facto, em si, não é suficientemente importante para merecer uma posta de blog (quiçá um comentário) mas fez-me reflectir numa questão que não terá sido ainda suficientemente estudada por todos os que se interessam por fenómenos sociais (nem pelos que não se interessam, agora que penso nisso). Segundo as minhas observações, que confesso serem meramente empíricas e logo sem qualquer valor estatístico, a taxa de crianças adoptadas nas telenovelas é consideravelmente superior à taxa de crianças adoptadas, digamos (e agora vou utilizar um termo ao qual minha mãe é particularmente afeiçoada), na vida real. Penso que a ratio telenovela-vida real não deverá andar longe do 10 para 1 (para os menos inteligentes, a 1 criança adoptada na vida real corresponderia … pois, estão a ver, não é?). Alguns, menos imaginativos, dirão que tal sucede devido às possibilidades narrativas que proporciona uma boa história de criança adoptada, com a legião de quiproquós, encontros e reencontros que inevitavelmente ela acarreta. Nada menos certo. Mais que um artifício de guionista de Cascais, a inflação de adoptados nas telenovelas da TVI é um verdadeiro marco civilizacional, é o reivindicar dos novos modelos de família, é, em suma, a consciência de, aqui e agora, obrar por um mundo melhor. Daí a minha singela homenagem a este simpático canal televisivo.


- Que queres que te diga? Sim, foste adoptado...

19 de junho de 2009

My own private Meaning

Qual a razão para não querermos acreditar que Lucy in the Sky with Diamonds não é uma canção sobre LSD ou que The Toughts of Mary Jane não tem nada a ver com marijuana? Ficamos desconfiados quando verificamos que tudo parece simples, demasiado simples. E de sorriso malandro, género “a mim não me enganas tu”, continuamos o nosso caminho tortuoso e complicado. Sem pensar por um segundo que seja nas coisas verdadeiramente simples. Como o céu, a chuva e os gatos. Ou o chocolate, a heroína e a vodka.


18 de junho de 2009

Entretanto, na SIC-N

O melhor da entrevista de Sócrates:

Dúvidas?

Eu devia trabalhar mais

Infelizmente, trabalho muito pouco. Pelo que tenho muito tempo para vir aqui deixar postas completamente inúteis. Pior é ter ainda tempo para abrir aqueles e-mails um bocadinho parvos que vou recebendo. Um deles prometia no outro dia revelações sobre as minhas anteriores encarnações. Embora o mail estivesse em Português, quando se clicava na morada Web para onde ele remetia, aparecia um site em espanhol. Depois de devidamente preencher as informações relativas à data de nascimento e ao sexo, o incauto Bloom deparava-se com a seguinte revelação:
“No sé si le parecerá bien o no, pero usted era males en su última encarnación terrena. usted nació en algún lugar del territorio que hoy es Rumania en torno al año 1725. Su profesión era líder, jefe o capitán.”
A mim pareceu-me bem ser “males”. Ademais, ser líder, “jefe” ou “capitán” não me surpreendeu. Em todas as histórias que conheço de encarnações e reencarnações, fomos sempre numa vida anterior imperador, faraó ou qualquer outra personagem famosa. Deve ser por isso que as nossas existências actuais lá vão decorrendo numa apagada e vil tristeza. Como se tivéssemos que pagar pelos erros cometidos nessas vidas anteriores. Como, por exemplo, ter nascido no território “que hoy es Rumania”.

17 de junho de 2009

Prémio da Montanha

Na categoria "casais improváveis", este é um dos meus preferidos.


16 de junho de 2009

Sair das trevas

Quando Edie (Eva Marie Saint) sobe à noite ao telhado para mais uma vez tentar convencer Terry (Marlon Brando) a testemunhar contra o chefe do sindicato corrupto, o elemento central da cena é um telhado de vidro de uma água furtada, intensamente iluminado no meio da obscuridade, que lança reflexos dourados sobre a bela cabeça loura de Edie. Terry tem que se decidir a abandonar as trevas da ridícula solidariedade da lei do silêncio e chegar-se à luz da Justiça, contando para isso com a ajuda do amor da pura e bela Edie. “I could have been a contender”, dirá mais tarde Terry ao seu irmão num dos mais glosados monólogos da História do cinema. Sim, podia.




15 de junho de 2009

Entretanto, na SIC-N

Há alguma coisa de profundamente doentio numa vida política que permite a um despenteado qualquer a que chamam "senhor deputado" enxovalhar um homem que tem mais dignidade, seriedade e competência num dedo mindinho que metade dos "deputados" da Nação algum dia terão. A única coisa que me espanta é Vitor Constâncio ainda ter paciência para aturar este triste estado de coisas. Sim, que chamar "ignorante" aquele "senhor deputado" é ter paciência.

12 de junho de 2009

Fim de Semana



David Lynch meets Jenna Jameson

Defeso

O mercado de transferências agita-se, a pergunta paira em todos os lábios.

Deixará Elodie o Lyon?

10 de junho de 2009

8 de junho de 2009

Noite Eleitoral

A Banca ganhou à Polícia. A abstenção terá no entanto sido importante. Como? Haviam outras eleições? Não me digam...

5 de junho de 2009

Caine

Goodbye Grasshopper

3 de junho de 2009

Pá, a União Europeia, pá...

Contrariamente ao Pedro Correia, não tenho a coragem suficiente para me lançar na leitura de todos os programas dos partidos candidatos ao Parlamento Europeu. Mas acabei de ver um tempo de antena do POUS onde uma adorável jovem de vestido verde-ecologia e brilhantezito na narina, à conversa com um simpático jovem com grande pilosidade facial, ao melhor estilo IV Internacional, dizia que « pá, a União Europeia, pá, não resolve nada ». Perorava ela com tal fervor e um charme tão poderoso que fiquei ali pregado ao tempo de antena do POUS em vez de ir ver os meus mails, como devia. Donde o meu apelo à eterna Carmelinda: não desistas, camarada, a ditadura do proletariado chegará. Talvez de piercing e umbigo à mostra. Mas chegará.


Vou pensar no assunto

Ainda não mudámos de vida. Embora se possa dizer que a mudança - ou a ideia da mudança? - seja muito sobrevalorizada. Não sei. Um destes dias, vou pensar melhor nesse assunto.


2 de junho de 2009

Modern Times

Sim, a Literatura continuará viva, como é demonstrado pela última Esquire.

antes


depois

30 de maio de 2009

Fim de Semana

Para este fim de Maio, o mês dos meses, um clássico.


29 de maio de 2009

Ai mete mete

Eu já andava desconfiado que a Jane Campion era um bluff. Reconheço que me conseguiu enganar com O Piano. Graças, evidentemente, ao jogo baixo de ter Holly Hunter, Harvey Keitel e a música de Michael Nyman. Comecei a desconfiar com Holy Smoke, não obstante o mesmo Keitel e uma ainda não muito gordinha Kate Winslett: “espera aí, mas este filme supostamente de autor não é uma banhada?”, perguntava-me eu vendo o Harvey Keitel a pôr a melena para trás enquanto espreitava o cú da Kate. Tive a certeza ontem à noite quando vi – na televisão, claro, onde mais? – In the Cut, uma espécie de thriller erótico onde a Meg Ryan passa o tempo a tentar fugir de um serial killer, com uns intervalos onde se masturba (para aliviar a tensão dela) e dá umas quecas num polícia com bigode à jogador do FC Porto dos anos 80 (para aliviar a tensão dele). É difícil escolher o pior de In the Cut: a banalidade da história, os diálogos confusos? Os movimentos de câmara manhosos ou a fotografia hiper-saturada à la MTV alternando com a típica cena de thriller “rua de Nova Iorque à noite sob a chuva”? Sofrendo ainda a influência da aura de mediocridade que paira sobre este filme, o espectador inocente não se consegue decidir. Ainda assim, estava pronto para reconhecer uma qualidade a este filme: como aqueles personagens de Knocked Up, que tentavam lançar um site na Internet com imagens seleccionadas de actrizes conhecidas nuas em filmes mainstream, vi com gáudio uma cena explícita de fellatio, que não ficava a dever nada a um sketch do Gato Fedorento. Lamentavelmente, acabei por descobrir que afinal a actriz parece ter feito a coisa num dildo. Até nisso a Jane Campion me enganou!

Mete-Nojo?

Prova definitiva da perda de imaginação do blogger é recuperar textos velhos de 5 anos. Excertos:
“Deambulemos portanto mais uma vez pelo estranho mundo dos géneros cinematográficos. Ele há o filme de autor, o filme de acção, o filme de culto, etc., etc. Ele há também o filme mete-nojo. Pelo menos no que me diz respeito. Não são poucas as vezes, com efeito, em que, numa vontade idêntica à dos peregrinos que se flagelam violentamente, me obrigo a ver até ao fim um filme manifestamente mau. (...) O filme mete-nojo, há que acrescentar, funciona sobretudo na televisão. É difícil deslocar-me às salas e ficar a ver até ao fim um filme mete-nojo. Já se o apanho no pequeno ecrã pode acontecer ficar a violentar-me durante hora e meia.”

27 de maio de 2009

In the Electric Mist


Será um cliché dizer que nunca um cineasta local será tão verdadeiro como um estrangeiro quando toca a perceber e a mostrar a verdadeira natureza de um país (ou de uma cidade ou de uma região). Talvez seja. No entanto, tenho visto poucos filmes que consigam fazer-nos respirar a humidade da Louisiana como In the Electric Mist, pensado e realizado por um francês. Ainda por cima, eis um filme sem pretensões que se deixa ver agradavelmente. E tem bónus: o enorme Levon Helm!

Títulos de respeito

A propósito desta polémica, gostava de deixar aqui bem claro que Problemática do Ego daria um excelente nome de blog.

(Outro) Diário de Campanha

Da Literatura disse:

26 de maio de 2009

Concorrência perfeita (3)

Parece que anda aí outra campanha, mas não cheguei bem a perceber para quê.

Concorrência perfeita (2)

Se bem percebi, portanto, será necessário escolher entre um polícia e um banqueiro. Mais ou menos como escolher entre a peste e a cólera.

25 de maio de 2009

Concorrência perfeita

Na TVI24 e na SIC-N estão dois candidatos à presidência do Sporting. Acabo agora mesmo de descobrir que conheço um deles. Isto não abona nada em favor da minha vida social. Talvez volte para a minha gruta.

21 de maio de 2009

Hype

será possível perdoar o bigode do baixista?

19 de maio de 2009

The Eye


Longe – muito longe – de mim pretender chegar a estes cúmulos de sofisticação, mas também passei estes dias por grandes momentos televisivos. Durante o fim de semana, por exemplo, vi – na RTP1 e na TVI24 – milhares de pessoas protestarem contra o Quique Flores, acenando continuamente lenços brancos à medida que um grupo patusco avançava penosamente tendo aos ombros uma estátua, que suponho representar o próximo treinador do Benfica. Não liguei muito porque tinha que ir ver o jogo da minha equipa na Madeira: verdadeiro adepto é aquele que vê os jogos a feijões com o mesmo grau de entusiasmo que um jogo decisivo de campeonato; e, já agora, também aquele que utiliza o seu melhor vernáculo quando o Djaló demonstra que depois destes anos todos ainda não sabe controlar a puta de uma bola.
Mais tarde, enquanto me preparava para um exercício de cinefilia sofisticada, vendo o genérico inicial de um western spaghetti do grande Sérgio Corbucci, decidi, por um daqueles instintos que só uma longa psicanálise explicaria, mudar de canal para ver uma coisa um bocado estapafúrdia chamada The Eye, sem sequer ter a desculpa de já ter visto o original de Hong Kong. Mas a carne é fraca e a Jessica Alba em violinista cega sexy é um apelo muito forte.
Ainda assim, lixei-me bem porque apanhei meia dúzia de cagaços tão grandes que hoje me esqueci das lentes de contacto em casa.
Donde: mais valia ter ficado a ver o McNulty a foder meia Baltimore.

16 de maio de 2009

Fim de Semana

não, a primeira rapariga encostada à parede não é o Silva de Corroios...

15 de maio de 2009

Segunda Aparição

... num halo de luz

(Cannes, 14/5/2009)

14 de maio de 2009

Antes que Anoiteça

Nesta posta do Da Literatura brinca-se sobre a incessante proliferação de conselhos amigáveis, sob forma de livro ou de publicidade, sobre coisas que temos que fazer, filmes que temos que ver ou livros que ler, antes de morrer. Sobre isto, ainda não vi melhor que esta prosa do James Wolcott na mui injustamente subvalorizada Vanity Fair.

12 de maio de 2009

Um bom começo

O do novel i, que assegura uma contratação de peso: muita gargalhada e boa disposição serão certamente proporcionadas por este simpático entertainer. (via Ivan)

8 de maio de 2009

Fim de Semana

Para este fim de semana: Flamenco!



DM Stith- Pity Dance from Asthmatic Kitty on Vimeo.

Greed is Good

Esta posta da Klepsydra lembrou Wall Street, um daqueles filmes que, sem ser uma obra-prima – longe disso – consegue ser eminentemente simpático e mesmo um dos melhores de Oliver Stone. Dificilmente se encontrará filme mais representativo de uma certa época e de uma certa maneira de estar na vida. Aliás, mais ou menos na mesma altura – e igualmente representativo – saiu o excelente A Fogueira das Vaidades de Tom Wolfe (de que Brian de Palma tiraria um filme medíocre), que popularizou a expressão Masters of the Universe, de uns desenhos animados então muito em voga, para designar os yuppies da Bolsa. Sabendo o que sabemos hoje, só podemos concluir que ambos – filme e livro – se revelaram de uma premonição certeira, o que só abona em favor da Arte (e desabona os economistas) no que toca a prever as tendências da sociedade de mercado. Paradoxalmente – e não é a primeira vez que isso se verifica: cf. a cena das Valquírias de Apocalipse Now, de que falo aqui – um filme como Wall Stret, que fazia justamente a crítica da ganância sem limites de uma determinada maneira de ver o capitalismo, transformou-se em filme culto dos tais mesmíssimos yuppies que pretendia criticar. Nos meios da Bolsa e da finança, Gordon Gekko tornou-se um mito e o exemplo supremo de cool. A sua divisa, o celebérrimo Greed is Good, tornou-se o motto de milhões de yuppies encharcados em gel. Donde: isto anda mesmo tudo ligado e ainda por cima é mais complicado do que parece.

7 de maio de 2009

Vaya con Dios

Ainda há esperança para a Igreja, com homens como o padre Alberto. “Introduzir a mão na parte de baixo do bikini da mulher”?? Respect, Padre!


6 de maio de 2009

O Apagão

- Alguém me devolve a cara, fáxavor?...

29 de abril de 2009

What Crisis?

Sendo o valor “Trabalho” muito relativo neste blog, e o ritmo de postas cada vez mais espaçado, não por falta de tempo mas por ausência de talento, folgarão os poucos leitores que temos em saber que se prepara mais uma das várias pausas com que os temos brindado. Sorriam pois, caros leitores, que o Bloom já só pensa no seu weekend em Londres. Aahh, as belezas campestres de Hampton Court, os seus charmosos palácios e músicos decadentes. Aahh, o saltinho da ordem ao mercado de Camden e aos seus vendedores de vinil e CD’s de bootlegs that you won’t find elsewhere, mate, no fucking way! E, enfim, must dos musts, uma pequena visita ao Hawley Arms (sim, meus amigos, já reabriu, não há fogo que dê cabo do Hawley), rezando para que a Amy esteja bem disposta. Crise? Qual crise?

No fucking way, mate...

Todos os Nomes

Com nomes assim, falar torna-se uma formalidade desnecessária. Ainda assim, gostaria de saber se o autor deste artigo o abriria da mesma maneira se o “gang da Lapa” fosse composto por ucranianos.

27 de abril de 2009

Há sempre qualquer coisa que está para acontecer

Pois está (especialmente dedicado ao Vacas).



Liberdade de Expressão

É bom saber que nestes tempos sombrios, em que se pretende amordaçar políticos corajosos e destemidos jornalistas, o pluralismo televisivo encontra-se bem defendido pelos paladinos da Verdade. Por exemplo, ontem Domingo pelas 9 da manhã mais coisa menos coisa, RTP1, TVI e SIC-N transmitiam em directo do Vaticano a mesmíssima cerimónia, que eu não cheguei bem a perceber qual era.

Balanço

“Começo pelo “devem” para desde já afastar a ideia absurda, que, por notória conveniência Vital Moreira exprimiu (acompanhado por Laurinda Alves), de
que só se devem discutir “questões europeias”.”

Esta é sem dúvida alguma a frase mais mázinha do fim de semana. Reparem com efeito no prazer que JPP não consegue esconder ao escrever aquele parêntesis: “acompanhado por Laurinda Alves”. Acompanhado por Laurinda Alves?! Francamente, Pacheco Pereira, isso não se faz, o candidato Vital não merece.