31 de julho de 2008

Comunicação ao país

O estio continua, embora hoje tenha estado mais quente que ontem.

11 de julho de 2008

9 de julho de 2008

My love

Está frio no quarto.

8 de julho de 2008

Locomoção

Eu sei que não parece, mas é a mais absoluta verdade que tenho alguns amigos que são ou já foram directores ou directores adjuntos deste ou daquele serviço ou instituto público, assim como assessores e chefes de gabinete de governantes. Conheço mesmo um que foi ministro por algum tempo. Confesso que em determinada fase da minha vida considerei a minha própria pessoa digna de aceder a tão alto cargo; difícil desiderato, tendo em conta o meu individualismo radical: preocupo-me pouco ou nada com a coisa pública.
Nunca invejei estes amigos. Tal como não invejo os ricos: qual o interesse de passar o Verão em Ibiza ou de enjoar parvamente algures num iate no Mediterrâneo? De poder ter relógios Cartier ou um carro maior que o do vizinho? De comer uma minúscula dose de não se sabe bem o quê num restaurante do Ducasse? Sejamos claros: muito pouco.
A minha reacção às carreiras destes meus amigos é semelhante. Não lhes invejo nenhuma das vantagens, privilégios ou mordomias às quais podem ter acesso.
Excepto uma. A vergonha de me saber possuído por tão mesquinho sentimento nada pode contra a profundíssima inveja que tenho de toda a gente que tem direito a um carro com motorista. O estômago dói-me, transpiro, em suma: sinto subir em mim uma raiva profunda quando vejo um destes amigos chegar ou ir embora no carro com motorista do qual ele dispõe e é com enorme dificuldade que contenho a horrenda vontade que o dito amigo se estampe na próxima curva. Pensar nas preciosas horas que eu poderia poupar, nos sítios a que poderia mais rapidamente chegar e no conforto de não ter que passar meia-hora à procura de estacionamento, tudo graças a tão conveniente mordomia, desperta em mim uma incontrolável inveja contra tão privilegiada casta.
Esta inveja não é contaminada pela mínima ponta de orgulho. Se um destes amigos simpaticamente me oferece o motorista para eu ir a qualquer lado, aceito caninamente. Aliás, poucas vezes me senti melhor que quando um motorista – simultaneamente membro de uma força de segurança – me levou de algures em Lisboa a algures na Margem Sul, em plena hora de ponta, passando por todas as faixas de emergência e com aquele truque de chegar à Ponte 25 de Abril por um caminho secreto só conhecido por alguns privilegiados.
Eu sei. O que eu acabei de confessar é lamentável e se me restasse um mínimo de dignidade, calava-me bem caladinho e ia à minha vida.
Mas não. Há pior, caros leitores, muito pior.
Em certo momento, em plena aceleração na faixa de emergência naquele carro “à paisana”, foi com uma tristeza inconsolável que me apercebi que o meu simpático motorista emprestado não ia pôr o braço fora da janela e meter o “pirilampo” a apitar no tejadilho. Maricas!

7 de julho de 2008

Balanço

Cat Power: que pena o som ter sido tão mau no que poderia ter sido um bom concerto.
Massive Attack: eficácia, brilhantismo, som óptimo.
dEUS: perderam definitivamente a elegância barroca que já tiveram ou foi coisa passageira?
Ben Harper: nunca desilude; grande profissional.
Gossip: pois.

Cartão VIP

A partir de certa idade, necessitamos que as condições ideais estejam reunidas para nos dignarmos fazer algumas coisas. No fundo, queremos um cartão VIP. Mas raramente somos convidados para a nossa própria vida. Pelo contrário, temos que pagar bilhete. E não temos direito a bar aberto.

3 de julho de 2008

Toxic

"Toxic é uma grande canção", dizia ela sem deixar margem para resposta.

Straight outta Compton

"Faço-te gostar de gangsta hip hop em 2 minutos", dizia ela, a voz segura e colocada.

1 de julho de 2008

Mandamento

Nunca subestimes a influência da graça de Deus no funcionamento das juntas médicas. (via Causa Deles)

30 de junho de 2008

Os Nomes das Coisas

Ainda não consegui perceber se são certas coisas que já não são para a minha idade ou se é a minha idade que já não suporta certas coisas. Este dilema é, no estado actual das coisas, irresolúvel. Enquanto não alcançarmos aquele estado de sageza por que esperamos, não vale a pena pensar muito em certas coisas. Exactamente, essas coisas em que estás a pensar.

Relatório & Contas

É verdade que muita coisa, da pose à carinha laroca, fá-la parecer não mais que uma cantora de bar de hotel melhorada. Mas seria algo injusto dizê-lo. Diana Krall é uma excelente pianista e uma boa cantora, tem um reportório inteligente, sábia mistura de standards e pop, e é melhor, muito melhor, que qualquer Norah Jones. O concerto foi agradável, embora pouco dinâmico (a tournée está agora a começar) e com um só encore, não obstante os pedidos insistentes do público. Ah, é verdade: o Elvis não veio.



Seguem-se, já para Sexta-Feira, a grande Cat Power (em quem deposito grandes esperanças) e o regresso de Massive Attack. Há que manter um certo ecletismo.

27 de junho de 2008

Great Questions of Our Time


A minha grande questão para este início de fim de semana é saber se o marido da senhora em cujo concerto estarei daqui a umas horas vai ou não estar presente.

A entrevista

Melhor que preguiçar, só mesmo ler a grande entrevista dos últimos tempos: a de Gore Vidal ao NYT, que só agora descobri (via Glória Fácil).

26 de junho de 2008

A preguiça


Não há maior elogio da preguiça que a decisão de deixar de escrever em 1999 e passar a vida, desde então, a flâner entre o Hotel Louisiane e Saint-Germain-des-Prés, onde passaria parte da tarde – antes da sesta – no Café de Flore a olhar para as raparigas. Nem preciso de ter lido seja o que for de Cossery para gostar dele.

25 de junho de 2008

Pausa

Interrompo neste preciso momento as várias actividades sérias que me têm mantido ocupado para sublinhar que me parece que Kathleen Turner Overdrive é um excelente nome para uma banda. Mesmo depois de descobrir que até existe uma banda com esse nome.

23 de junho de 2008

A tradição é muito bonita

Espada tem razão: é bonito que se continue a respeitar a tradição em Wimbledon. Talvez o grande comentador nos pudesse informar exactamente desde que altura começou a ser tradição do All England Club admitir resultados combinados no venerável torneio.

21 de junho de 2008

20 de junho de 2008

Do you hear that, Mr Anderson? That is the sound of inevitability

Nunca deixará de me espantar a quantidade de comentadores e analistas desportivos cuja vocação se revela, no dia a seguir à derrota. Eles tudo previram, tudo calcularam e, claro, o resultado não é mais que o pálido retrato de uma realidade que eles já sabiam que ia acontecer. Não lhes ocorre que o futebol possa ser uma actividade da qual talvez fosse necessário dominar alguns conceitos básicos antes de se perorar abundantemente.
Por outro lado, que fazemos nós na blogosfera senão falar sobre o que não percebemos?

Natureza das Coisas

O verdadeiro conservador reconhece a evidência da natureza das coisas. Com Marx ou sem ele.

Esperança

Talvez ainda haja esperança para os garbosos futebolistas portugueses. Ninguém me tira da cabeça que a exibição negativa de ontem terá sido um protesto silencioso contra a fraca qualidade literária das mensagens deixadas pelo Scolari nos quartos dos jogadores.