17 de janeiro de 2008

Em (re)audição


ou o melhor regresso das guitarras eléctricas distorcidas desde que Dave Davies inventou a distorção cortando um bocado de um minúsculo amplificador Elpico para desencantar o riff de You Really Got Me.

Rebirth of Kitsch

É de bom tom, nos meios mais sofisticados do rock alternativo – e não só, aliás – considerar Frampton Comes Alive como um dos piores álbuns de sempre e o seu autor, Peter Frampton, como um dos maiores horrores que o rock mainstream impôs à história da música popular. Isso é ilustrado por uma famosa cena do filme High Fidelity, quando o herói, interpretado por John Cusack, se dirige para a entrada de um bar onde combinou com os amigos esquecer mais um desaire amoroso e pára subitamente ao ouvir os primeiros acordes de uma versão acústica de Baby I Love Your Way, perguntando espantado “Is that Peter-fucking-Frampton?” para, perante a afirmativa, se resolver a entrar mas com o ar mais infeliz do mundo.
E no entanto eu pecador me confesso: gosto do Frampton Comes Alive. Deliro com aquele som maluco da Talk Box em Show me the Way.
E, não ousando dizer alto e bom som a toda a gente que gosto deste álbum, uma réstia de orgulho impede-me de o esconder, pelo que lá está ele, todo impante, na longa estante dos Pês. E, já agora, Baby I Love Your Way é uma grande grande canção. Como o personagem do John Cusack, mais os amigos snobs dele, se vêem obrigados a admitir.

*No YouTube só se encontra esta cena de High Fidelity (Lisa Bonet a cantar Baby I love Your Way) em italiano e isso aí eu recuso-me a pôr aqui; mas deixo o link para os aventureiros.

Garden State

Onde é que eu estava em 2004, quando este Garden State andou nas salas? Ou será que não andou? Mais ou menos por acaso, acabei por apanhá-lo ontem na televisão e vi um filme sensível, inteligente, bem escrito e com verdadeiras ideias de cinema, para além de uma deliciosa banda sonora. Se este filme se tivesse tornado um filme de culto para a geração – será preciso dizer que não é a minha – dos thirtysomething que viram pela primeira vez este mundo durante a década de 70 (isto é, mais ou menos 99% da blogosfera), eu até perceberia. Sempre seria melhor que qualificar como filme de culto esta coisinha sem graça, que tantos encómios – obviamente injustificados – recebeu. Mas estas coisas – entenda-se o percurso de um filme e a maneira como ele se entranha na vida das pessoas – são sempre tão misteriosas que começo a admitir que ser executivo de estúdio de Hollywood é um trabalho difícil. Não? OK, pronto, não exageremos…

16 de janeiro de 2008

Simone+deBeauvoir+Nua

Quanto a isto, considero-me na categoria dos “indiscretos que gostam de coisas salacious”. E andamos lindamente servidos ultimamente. Ver, por exemplo e não acerca do grupo de Bloomsbury mas do de Saint-Germain-des-Prés, esta edição do Nouvel Obs sobre Beauvoir. A polémica referida aqui sobre esta capa é relativamente secundária, embora para quem, como eu, só conhecia a Beauvoir com 60 anos naquelas fotos com o Sartre, a revelação de uma insuspeita vocação de top model tenha sido uma mui agradável surpresa. Quase diria que é beau de se voir.

15 de janeiro de 2008

Percorrer as prendas de Natal (4)




Horas e horas de saudável divertimento para toda a família.

ASAE? Give me a break…

Do Público de hoje:
"Reclama em jantar e acaba condenada por difamação
Quando Rosa Maria Reis entrou a 19 de Julho de 2005 num restaurante de Matosinhos nada a fazia prever que o jantar ia incluir uma reclamação, regada por uma condenação por difamação e que o futuro lhe reservava um recurso perdido no Tribunal da Relação do Porto. Sentiu-se mal atendida e ainda aguarda o resultado da queixa, mas já foi condenada em tribunal por ter difamado o estabelecimento. A queixosa explicou que o Tribunal de Matosinhos a condenou a pagar uma indemnização de 300 euros à dona do restaurante, uma multa de 15 euros por dia em substituição de uma pena de 75 dias de prisão, além das custas judiciais. Na sentença, lê-se que a arguida repetiu "em tom exaltado e de modo audível para as demais pessoas que se encontravam no restaurante àquela hora, nomeadamente que "a comida não prestara" e que "nunca tinha sido tão mal servida ". (…) Rosa Maria Reis é notificada pelo tribunal, em Fevereiro de 2006, de uma queixa-crime feita pela proprietária do restaurante que viria a resultar na sua condenação. "
Quem precisa da ASAE com tribunais destes? Pelo sim pelo não, é melhor pedir a este homem do Norte que descubra qual é o restaurante...


14 de janeiro de 2008

12 de janeiro de 2008

Their Satanic Majesties Request

Ao min. 3 e 06 seg., ouve-se distintamente a mensagem satânica seguinte : "pauuuloo beeento paara a ruuaaaa"....

Percorrer as prendas de Natal (3)

Alguns dizem que este disco tem 40 anos. Para verem como estão enganados, vão lá a correr comprar esta edição especial com um disco contendo o álbum em mono, outro com o álbum em stereo e um terceiro disco com os singles. Bónus: uns desenhos catitas do Syd.

11 de janeiro de 2008

I can't trace time

Ontem no 1bsk (o melhor blog português, by the way):

“O "Daily Telegraph", curiosamente, parecia mais preocupado com o facto de Clegg ter declarado que "Changes", de David Bowie, é o seu álbum preferido (quando na verdade é um single). Clegg parece apostado em fazer passar a sua mensagem às gerações mais jovens, tendo inclusivamente
recrutado Brian Eno para o ajudar nesse desiderato. A acreditar no "Telegraph", tão colossal ignorância da história do rock não pode deixar de augurar um futuro sombrio para o timoneiro dos Lib Dems.”

Ou talvez não (o futuro sombrio) sobretudo se nos lembrarmos do que dizia Bowie nesse fabuloso "Changes": “Time may change me But I can't trace time” ...

Por outro lado, talvez o Sr. Clegg se estivesse a referir a esta versão:

10 de janeiro de 2008

Percorrer as prendas de Natal (dela)

É por causa de posts como este que se trata de facto do melhor blog português.

Fragmentos

Há um ano, no fim-de-semana antes de saber que tinha apanhado a peste, K chorou, contagiado pela melancolia de uma canção triste. E a vida dele nunca mais foi a mesma. Gostaríamos de pensar que a nossa vida também mudou, mas não é verdade. Continuamos com as nossas pequenas actividades: uma canção triste não nos arranca mais que um sorriso complacente. E não interessa sequer saber se somos hipócritas ou não. Somos assim e não temos mais que uma vida. Porque os mundos paralelos não existem.

Imitação da Vida

Paulo Bento, no fim dos jogos, explica sempre de maneira inatacável porque é que a equipa sofreu mais uma derrota. Quando o ouvimos, embalados por aquelas frases cheias de “logicamentes” e de “transições ofensivas e defensivas”, não temos outra hipótese senão concordar com tão evidentes explicações e concluir: o homem percebe mesmo disto. Portanto, Paulo Bento para a rua.

8 de janeiro de 2008

Percorrer as prendas de Natal



post dedicado a este homem sem gosto.

Reload

Assim sim! 2008 começa com os textos mais sensatos dos últimos meses. Aqui, aqui e aqui (com mais uma transferência blogosfera-imprensa?).

7 de janeiro de 2008

E para 2008...

... Paz na Terra entre os homens e tal.