23 de abril de 2009

Dia do Livro

yeah, right...

Primeira Imagem

Primeira, pois estas de que se falava aqui já não estão disponíveis. Imagem roubada (com a devida e gigantesca vénia) daqui.


Vou? Não vou?



22 de abril de 2009

A Notícia da Semana

Não é a entrevista. Ou a campanha para as Europeias. Notícia da semana, caros amigos, é o avanço inexorável da Força.
About 390,000 people listed their religion as Jedi in the 2001 Census for England and Wales. In Scotland the figure was a reported 14,000.

20 de abril de 2009

Fragmentos

Porque é que o fenómeno Susan Boyle é tão grande? Como Debord explicou, o Real só avança enquanto lhe(nos) derem um espectáculo (uma narrativa, diriam os pós-modernos) capaz de manter a perenidade da reprodução da alienação capitalista (cujo fim não é já a acumulação da riqueza mas tão só da imagem). Porque é que a voz de Susan Boyle emociona alguns até – literalmente – às lágrimas? Porque não concebemos que aquela voz possa sair daquele corpo feio, disforme e inadaptado. Daí as reacções faciais dos membros do júri à medida que Susan canta: cada um deles rivaliza com o colega do lado na tentativa de mostrar o maior espanto possível. Vêm a seguir, como num mau filme, as fases da auto-comiseração e depois da condescendência. Como diz a louríssima e bela jurada Amanda Holden, do alto da sua experiência de actriz do West End, se alterarem a imagem de Susan, dando-lhe um suplemento de glamour, perde-se a magia. Quanto a nós, as pessoas “normais”, somos confortados pela ideia que toda a gente poderá ter, um dia, os seus 15 minutos de fama. Sem pensar – para quê? – que esse quarto de hora de sonho, como os que se lhe seguirão, está já programado ao milímetro na agenda universal da sociedade do espectáculo.



Susan Boyle - Singer - Britains Got Talent 2009
by moovieblog

Valores Seguros

Farto de comentadores adeptos da gracinha marialva e trauliteira? Cansado de opinion makers armados ao pingarelho? A solução é voltar aos valores seguros.
Por exemplo, aqui. Deixe-se dito: é para mim um completo mistério a indiferença com que são recebidos os textos do Nuno Brederode Santos, sempre inteligentes e informados.
Ou aqui. Se é verdade que por vezes aquela tendência para reduzir tudo à iminência do inevitável “Apocalipse que aí vem se não seguirem os meus conselhos” enerva um bocadinho, quando António Barreto escreve sobre seja o que for não escapamos à evidência que o talento foi muito mal distribuído.

16 de abril de 2009

O milagre da multiplicação das libras

Existe de facto um grande problema de iliteracia em Portugal. Este artigo já se encontra em linha há umas quantas horas. O misterioso documento intitulado “Memo”, não assinado e feito numa folha de papel simples, sem header ou logótipo, também se encontra disponível aqui. Mas ainda não vi ninguém vir explicar como é que 1.250.000 PTE (soma citada no documento) podem ser as 4 milhões de libras de que fala alegremente tanto jornal.

15 de abril de 2009

Teoria do Caos

Em 7 de Setembro de 1951, o escritor beat William Burroughs, durante uma sessão de copos com alguns amigos e com a mulher, Joan Vollmer, na casa que ambos habitavam em Mexico City, terá dito à referida Joan: “It’s time for our William Tell act.” Joan colocou então um copo com água na cabeça e Burroughs puxou da pistola, apontou e disparou. Falhou o copo mas acertou em cheio na cabeça de Joan, que viria a falecer uma hora depois. Burroughs esteve preso duas semanas e foi posteriormente condenado pela justiça mexicana, por homicídio por negligência, a dois anos de pena suspensa. Burroughs tinha na altura 37 anos e Joan 27.
No mesmo ano de 1951, nascia Linda Wong, a primeira pornstar de origem asiática. Depois de uma carreira rápida e recheada de alguns sucessos do género, Linda viria a morrer de uma overdose, depois de misturar qualuudes, Xanax e álcool, todos em quantidades irrazoáveis. Linda tinha 35 anos e era, como Burroughs, grande consumidora de heroína.

William Burroughs num pequeno papel em The Drugstore Cowboy de Gus Van Sant

Recriação da cena William Tell

Linda Wong antes da Queda

14 de abril de 2009

Enfim

Enfim, com alguns anos de atraso, descubro este portento. Sim, têm toda a razão estes rapazes. E vicia quase tanto como heroína, aposto. C., que vê comigo apenas uns minutos de um episódio da primeira temporada, diz-me que tenho de lhe passar o DVD quando acabar. Este vício apanha-se num instante.



13 de abril de 2009

Gran Torino

O problema das expectativas muito altas é que, quase inevitavelmente, acabamos desiludidos. Não sendo um mau filme (e, sejamos claros, Clint Eastwood já demonstrou ser capaz de fazer maus filmes), Gran Torino é relativamente banal. Aquilo a que alguns chamam classicismo revela-se afinal simples academismo, a que se junta alguma ausência da inventividade formal que no entanto Clint já demonstrou no passado. Por exemplo, o tema da redenção já foi melhor explorado pelo próprio Clint: pense-se apenas no fabuloso A Perfect World. Algumas metáforas - o cadáver do personagem de Clint, braços abertos em cruz - chegam a ser insuportáveis de banalidade. Ficamos assim com um filme razoável, que se vê com um certo agrado, mas muito inferior a outras obras incomparavelmente superiores do mesmo Clint. Daí algum espanto da minha parte com alguns dos encómios da blogosfera a Gran Torino. E, sem querer ligar uma coisa à outra, não se deixa de sentir algum desconforto quando se pensa que alguns poderão interpretar as "bocas" racistas do personagem de Clint literalmente, como um expoente da nova obsessão politicamente correcta que é ser politicamente incorrecto. Gostar de um bom filme por más razões é mau. Fazer o mesmo por um filme mediano é pior.




9 de abril de 2009

A Madonna tem, a Angelina tem e o Bruno quer ter

Comentador avisado que sou (porque mentes, Bloom?), preparava-me para deixar um comentário jocoso e extremamente inteligente nesta posta do Delito de Opinião. Preparava-me, dizia eu. Desisti a tempo quando vi esta resposta da autora da posta a um anónimo:

“De Anónimo a 9 de Abril de 2009 às 10:41
Mesmo assim, prefiro a adopção de um Cão de Água português pela família Obama.
responder a comentário discussão
De João Carvalho a 9 de Abril de 2009 às 11:01
Compreende-se o anonimato: não é propriamente um comentário de bom gosto para o tema abordado.
responder a comentário início da discussão discussão
De Teresa Ribeiro a 9 de Abril de 2009 às 15:19
Pois é, João. Alguns anónimos às vezes deixam-nos sem palavras.”

Este pobre Anónimo, assim reduzido à sua insignificância pela seriíssima Teresa Ribeiro, grande especialista em Estudos Neocoloniais e Ritos Adoptivos Africanos, fez-me desistir de armar ao pingarelho em casa alheia. Donde, passarei o fim de semana pascal aqui por minha casa.
“Pois”, perguntam vocês, “mas who the fuck é o Bruno do título desta posta, Bloom?” Perguntam bem, queridos leitores mas, meus desatentos leitores, se tivésseis visto esta posta, não necessitaríeis de perguntar.

A contar vindo do céu

7 de abril de 2009

The Automatic Generator strikes again

A vítima mais recente do gerador automático de postas (ver aqui) é o Abrupto. É a única explicação que se encontra para uma posta tão ridícula. Pacheco Pereira, volta por favor, não deixes o teu blog ser invadido por geradores automáticos.

6 de abril de 2009

(Un)Motivational speech

Um lampejo, um início de solução? Ou um paliativo, uma espera indolente e indolor? Actos importantes – daqueles que podem mudar uma vida – só deveriam provocar efeitos após confirmação oficial. Com selo branco e lacre.



5 de abril de 2009

Fim de Fim de Semana Alucinante

Thatz zuch a Zamantha zhing to zay!

2 de abril de 2009

Fim de Semana Alucinante

Viver numa base militar não deve ser muito diferente disto: só hoje já vi cerca de 60 polícias, 40 barreiras, 5 ou 6 patrulhas, 4 helicópteros a passar no céu (2 dos quais daqueles americanos grandes que mais ninguém tem e que deixa a tropa europeia verde de inveja) e uns 20 motards. Também vi, tentando passar despercebidos a nadar no rio, 3 patos que me pareceram agentes do Serviço Secreto americano disfarçados. Donde: apeteceu-me postar, para prenúncio deste fim de semana alucinante, a mulher quarentona em todo o seu esplendor. Penso ser menos somítico que oferecer um IPod.

Cindy C., 43 anos, não se lembra onde pôs o IPod

(clicar na foto para a ajudar)

1 de abril de 2009

1995

onde estás?

31 de março de 2009

Miss Guantanamo

“This week, Guantanamo!!! It was an incredible experience. (…) We also met the
Military dogs, and they did a very nice demonstration of their skills. All the guys from the Army were amazing with us.We visited the Detainees camps and we saw the jails, where they shower, how the recreate themselves with movies, classes of art, books. It was very interesting. (…)The water in Guantanamo Bay is soooo beautiful (…)I didn't want to leave, it was such a relaxing place, so calm and beautiful.”



Dayana Mendoza, Miss Universo, relatando no seu blog a viagem que fez a Guantanamo há uns dias. Supégiiiiro!




- Ahmed, tás a ver a miss?
- Não, meu, os gajos taparam-me os olhos...

Pois, o Moleskine e tal…

É sempre edificante perceber como funcionam os mitos. Um dos objectos mais prezados pela blogosfera (lembro-me pelo menos de um blog que até o nome lhe foi buscar) não é afinal mais que uma genial criação de marketing: 4,5 milhões anuais de exemplares vendidos – por um preço que é o triplo de uma simples sebenta – de um caderno pretensamente mítico, mas que foi criado em 1998 (leram bem) por uma empresa italiana, que soube construir, de maneira inteligente, toda uma mitologia a partir de frases esparsas de alguns monstros da literatura. Para ser lido por todos aqueles que pensam que o hábito faz o monge, a Magnum o Dirty Harry e o Moleskine escritores.




30 de março de 2009

Entretanto…

Descobri ontem à noite que tenho a TVI24. Doutor, poderá isso fazer de mim uma pessoa melhor?

Contos da Lua Vaga depois da Chuva

“A Playboy brasileira, por exemplo, contribuiu mais para a minha formação intelectual do que, digamos, o cinema japonês”, diz Francisco José Viegas.

Em vez de dizer a primeira coisa que me vem à cabeça, género “isso explicaria muita coisa”, fico a pensar que para mim terá sido exactamente o contrário. Doutor, serei normal?



27 de março de 2009

O verdadeiro Serviço Público

Como? A colecção inteirinha de bootlegs das covers do Elliott Smith? Para download gratuito e ilegal? Pode chamar-se serviço público a uma tal pirataria? Pode sim senhor.


Into the Wild


Olhamos geralmente para os filmes com olhos diferentes. Aquele vamos vê-lo pelos olhos do filho que somos, aqueloutro pelo pai que também somos. Um outro será enquanto tímido pouco à vontade, outro ainda como o gajo porreiro que anima a companhia. Mas poucos filmes conseguem que o espectador o veja sucessivamente nessas várias diferentes posições. Na sua radicalidade marginal e insegura, o personagem de Emile Hirsch em Into the Wild convoca a nossa fascinação e solidariedade. Um pouco mais tarde, passamos a ver Into the Wild com os olhos do pai que também somos e apodera-se de nós uma certa angústia, conjugada com um forte sentimento de impotência para lidar com acontecimentos que não podemos controlar. Um pouco como o protagonista, que vive em dois anos toda uma vida: nascimento, adolescência, idade adulta e morte.
No fim do filme, percebemos que aquele que se chamou durante dois anos Supertramp acaba por voltar, pouco antes do desenlace fatal iminente, ao seu verdadeiro nome; como se, pouco antes da luz final que o espera, ele sentisse a necessidade de se agarrar à sua vida anterior, normal e convencional. Ou, tão simplesmente, porque tinha frio e se lembrou quão confortável pode ser uma casa aquecida.
As coisas mais belas são tantas vezes as mais simples. Simples como uma canção de Eddie Vedder.

26 de março de 2009

Prova de Vida

Longe de mim defender essa venerável instituição que é o Partido Comunista Português, que tem muita gente ansiando por defendê-lo. Aliás, a política só muito raramente entra neste blog e quando entra é pela janela, nunca pela porta principal. Ainda assim, faz um bocadinho de espécie ver um bom blogger ir pedir ajuda às estatísticas sobre a pena de morte no intuito aparente – e tendo pelos vistos como pretexto único – atacar o PCP.
Um tema tão importante como a persistência da pena de morte em vários países – sobretudo nos EUA, que se encontram em tão má companhia nesse particular – vale por si.
Dispensa bem a prova de vida anti-comunista do Pedro Correia.

25 de março de 2009

Rebirth of Kitsch (4)

É impossível não gostar de quase tudo nos Buraka Som Sistema. Gostar do nome, que recupera habilmente referências pop colocando-as num contexto geográfico e cultural actualizado (o “k” de Buraka). Do percurso da Buraca para o Mundo: começar por rappar e dançar com os amigos no bairro e chegar às salas de concerto de Londres e New York e à fotografia em pose cool nas páginas de Les Inrockuptibles. Gostar até daquele rapaz que faz umas crónicas no Público: na sua ingenuidade não muito genuína, ele representa uma juventude moderna que integra na sua africanidade (não renegada, antes pelo contrário) os ambientes festivos urbanos europeus. Da démarche musical: sex, drugs & kuduro é um programa ousado e inventivo, com uma pequena pitada de provocação: a suficiente para chamar a atenção sem dar excessivamente nas vistas, o que seria deselegante e uncool. Da ideia: da miscigenação cultural – electrónica e kuduro, kizomba e trip-hop – nascerá a miscigenação tout court.
Só não me peçam para gostar de uma coisa nos Buraka Som Sistema. E essa coisa é a música, que é absolutamente execrável.


kuduro rules?

24 de março de 2009

The President’s dead (2)

Antes que a CIA, a NSA e o SIS me invadam a loja, talvez convenha explicar que esta excelente canção dos Okkervil River não é obviamente sobre a morte de um presidente. Nem nada que se pareça.

The President’s dead

E se eu vos dissesse que vou estar, daqui a uns dias, a umas centenas de metros do Presidente Obama? Acreditem ou não nesta minha afirmação, a verdade é que a simples perspectiva de tal possibilidade deveria, só por si (pelo menos assim me diz a C.), entusiasmar as massas e convencê-las que chegou o momento de fazer algo mais pela Humanidade. Ora, como diz o House, a verdade é que a Humanidade anda muito sobrestimada. E eu, obamista desde a primeira hora (a primeira mesmo), mas com o péssimo defeito, que Freud seguramente explicaria, de ser do contra, estimo chegada a hora de postar aqui esta modinha.


23 de março de 2009

Pela Verdade Desportiva

Independentemente do roubo de que fomos vítimas, a verdade é que não tivemos competência suficiente para meter a redondinha lá dentro, como devíamos. Como sempre, no futebol ganha quem marca mais golos que o adversário. Mesmo de penalty. A consequência positiva que esperamos agora é que aquele senhor de cabelo oleoso que aparece aos Domingos à noite na SIC-N tenha razão e que nos 8 jogos que faltam para o fim do campeonato só marquem penalty ao Sporting no caso dos nossos jogadores puxarem de uma pistola e pregarem um tiro no adversário. Assim se chegará à Verdade Desportiva.

20 de março de 2009

On the 5th, you'll go down

Em Outubro de 1974, Al Green estava nu na banheira quando a amante lhe despejou uma tigela de porridge a ferver pelas costas abaixo. Segundo Green contou depois à polícia, a rapariga terá perdido o controle quando ele recusou casar com ela. Registe-se que a namorada em questão era ela própria já casada com uma outra pessoa. Com queimaduras de 3° grau nas costas, braços e pernas, Al teve que ser internado e recebeu um transplante de pele de porco. Pouco depois, no mesmo dia, a namorada apareceu morta. A conclusão da polícia é que ela se teria suicidado com a arma de Green.
Mais ou menos pela mesma altura, Muhammad Ali fazia o seu come back e derrotava George Foreman em 8 assaltos, num épico combate em Kinshasa, que deu origem ao melhor documentário da História do cinema.


*nota: esta posta deveria ser completada pela famosa cena de Pulp Fiction em que Marcellus Wallace diz a Butch, o boxeur: “On the 5th, you’ll go down.” A música que se ouve em fundo é Let’s Stay Together, o grande e único hit de Al Green. Em 1994, quando Pulp Fiction estreou, a carreira de Al Green era inexistente. Graças a esta cena, Let’s Stay Together vendeu, logo nesse ano, mais do que tinha vendido de 1972 até aí, tendo mesmo sido reeditado. Também por isso, é sinal de uma profunda ingratidão que a Warner, detentora dos direitos de Let’s Stay Together, tenha exigido que o You Tube apagasse a banda som da cena. Fica o link.

Primavera

Estou um bocadinho cansado de metáforas básicas. Não, a chuva não nos lava a alma nem permite um recomeço que se quer eterno. A chuva pode ser feia, desinteressante e, quando acaba, deixar-nos exactamente no ponto onde estávamos.




Vão andando que eu vou lá ter

Por questões de princípio que não vêm ao caso, detesto fado, etno-fado, electro-fado, fado punk e qualquer outra música que englobe o vocábulo fado (tirando o Camané que, pensando bem, não faz fado, é antes um rockeiro de primeira água). Todavia, poucas músicas retratam tão bem o ser português como esta modinha dos Deolinda.


19 de março de 2009

Propagação de doença contagiosa

Porfiei, porfiei, e lá encontrei: uma posta que defende o Bento e que me permitisse comentar este artigo, que até aí mereceria, quando muito, uma opinião informada sobre os hábitos capilares das primeiras damas africanas. Depois, fazendo jus à minha preguiça transcendental, desisti de mandar mais uma bojarda, vendo que nunca poderia chegar aos calcanhares de uma polémica entre esta posição e esta. Speaking of which, a atenção do Mundo se deverá agora deslocar para esta magna questão, que divide sábios e incendeia intelectuais.

(Not so) New Kid on the Block

Sociólogo, político, amante de música Indie e, sobretudo, surfista? Só me resta pôr o link aqui à direita para o poder seguir regularmente.

17 de março de 2009

A Night at the Opera

Milão, 15/3/09

- Aquele gajo ali ao pé da bandeira não é o Silva de Corroios?

- O Silva?! Não vês que aquilo é uma sueca, pá?...

13 de março de 2009

Pausa

Para actividades culturais que nos ocuparão todo o fim de semana, em que se tentará responder à questão de saber se valerá a excelsa cidade de Milão uma missa.

- Hey, J.C., meu , passa aí o vinho...



- Má qué?? Falta, aquilo??...

Milk


Como se sabe, Gus Van Sant não sabe fazer filmes maus. Milk, sendo menos interessante que qualquer um dos filmes da trilogia da morte (Elephant, Gerry, Last Days) e que a experiência dostoeivskiana Paranoid Park, é bastante bom: uma realização inteligente e escorreita, diálogos bem esgalhados e actores fantásticos, em que até o cabotino Sean Penn (de quem tanto desconfio) se revela um modelo de contenção. Se Milk fosse apenas um filme militante, já se justificaria (bastando para isso as referências do filme à famosa Proposta 6, que não podem deixar de soar, aos ouvidos actuais, como a réplica exacta da tristemente célebre Proposta 8); ainda por cima, aquele pessoal que passa a vida a queixar-se dos malefícios do lobby gay, seja lá isso o que for, teria aí motivo para mais umas diatribes e assim proporcionar grande divertimento à plateia. Felizmente, Milk é mais que isso. É um bom filme. Ponto.

11 de março de 2009

As Facas da Baviera

Percebi tudo depois de ter lido esta posta. Malandro daquele Polga (para não falar de mais ou menos 10 outros jogadores daquela equipa) que se vende assim aos bávaros…


Colheres da Dinamarca e - ai ai - facas da Baviera

10 de março de 2009

Tu também és o Medina Carreira

Como disse a E., sem malícia alguma: tu também és o Medina Carreira. Esta afirmação merece alguma reflexão. Reconheço, sem esforço (ok, com alguma hesitação), que terei uma ligeira tendência para dizer mal de tudo e de todos; que não consigo disfarçar o pequeno gozo que retiro das cassândricas previsões que faço para este país; e, enfim, que gosto de fazer rimas escatológicas (esta última vem em bónus traque). Que pequenos pecados como estes me estejam a transformar no insuportável Medina Carreira é motivo de preocupação. Porque não sei se não estarei já a ser vítima da solução do loquaz comentador para o problema português: dez milhões de Medina Carreiras.

Miguel Veloso no Aeroporto

Andam a perseguir o bloom. Sim, que o bloom foi finalmente apanhado por esta coisa das correntes. Dizem que o bloom tem que abrir o livro que esteja mais à mão na página 161 e reproduzir a 5ª linha. Não contentes com isso, ainda querem que o bloom passe a corrente a outros 5 bloggers. Ora, o bloom está bem aqui na bloga e assim, mas se aparecesse uma transferência que fosse boa para o bloom e para a bloga, o bloom agradecia. Agora o que não podem dizer é que o bloom é mau profissional. Pois é o que dizem por aí e ninguém defende o bloom. Mas o bloom é um profissional. Por isso o bloom reproduz aqui esta frase:
“Monflorite was the usual huddle of mud and stone houses, with narrow tortuous alleys that had been churned by lorries till they looked like the craters of the moon.”
G. Orwell, Homage to Catalonia
E o bloom passa a corrente a outros 5 profissionais: A Causa, A Dieta, Duas ou Três Coisas, O Anónimo, O Diplomata

8 de março de 2009

I'm Back!

Como diz, salvo fraca memória, Paul Newman no fim de The Colour of Money e como quer dizer, sem mexer os lábios, Mickey Rourke no final do espantoso The Wrestler.


20 de fevereiro de 2009

A Evolução das Espécies

Como o reclame do Fá (para quando um exemplo decente no You Tube?), o teledisco (assim mesmo, como se dizia na altura) da Sabrina na piscina e a revista Gina, Pam Anderson (em dada altura Lee) deverá ser preservada e mostrada às gerações futuras. Como só tem 41 anos, vamos ainda muito a tempo de organizar o conselho científico.


New York, 18/2/09: há mais Marinheira que marés

It’s a Free World


O cinema inglês dito de “realismo social” é certamente muito respeitável. Infelizmente tem-nos dado algumas das maiores xaropadas de que há história. Não é o caso de It’s a Free World, sem dúvida o melhor filme de Ken Loach, um dos lídimos representantes desta tendência do cinema inglês. Sem didactismos inúteis ou parti-pris ideológicos, It’s a Free World lida com a crueza dos factos e a confusão dos sentimentos e das emoções. E se este Mundo continua a dividir-se entre exploradores e explorados, existem situações em que essa distinção não é tão simples assim. Se fosse possível descrever este filme falando de uma cor, seria o cinzento: as coisas não são nunca pretas ou brancas e a vida é um interminável desfile de diferentes matizes de cinzento. É um filme para pessoas com muitas certezas, daquelas que nunca têm dúvidas e raramente se enganam. Sim, é um filme que deveria constar da Dêvêdoteca do João Miranda.

19 de fevereiro de 2009

Entretanto, na SIC-N

A primeira grande interrogação que me veio à cabeça ao ver a confusão à saída do Tribunal de Cascais é a de saber quem é a elegantérrima advogada que aconselhava Júlio Monteiro. Se algum dia eu estiver em vias de ser constituído arguido, ou até simples testemunha, gostaria de contar com os conselhos de alguém como ela.

18 de fevereiro de 2009

Twit Twit Twit

Atenção: a posta antecedente não foi feita por mim, foi um troll que me invadiu a conta do Blogger. Escandaloso!

Twit Twit

Dito isto, 140 caracteres parece-me ser um bom limite para o próximo romance do Lobo Antunes.

Twit

Por estas e por outras é que eu não me ponho a twittar. Sabe-se lá, até poderia deixar escapar uma frase inteligente. Para dizer coisas de troll, mais vale ficar por aqui.

17 de fevereiro de 2009

Prós & Contras

Como também tenho alguma dificuldade em perceber o que há para debater no tema do casamento homossexual, não vi o programa (nem precisei, pois li a descrição). De qualquer maneira, a essa hora estava eu ocupado a levar de vencida uma miserável equipa bávara, esmagada por dois golos sem resposta de Liedson e Postiga, no PES 2008. Isso e a leitura de mais dois contos do Oscar ocupou-me a noite. Devo acrescentar que me deitei contente. Não sei se o schnapps de framboesa terá alguma coisa a ver com esse facto.


Noivo, eu?...

16 de fevereiro de 2009

Escapar à fase terminal (cont.)

Acordar do coma? Sim, é bom. Mas, como tudo o que é novo, pode assustar. Não sabemos o que vamos encontrar e de que maneira o(a) encontraremos. O coma é quentinho e confortável, não precisamos de fazer nada, somos alimentados por sonda, calamo-nos, não fazemos perguntas, a vida passa a correr por nós. Quando acordamos do coma, a primeira visão que temos é o tecto do hospital. Um branco calmo. A partir daí, tudo se complica.

13 de fevereiro de 2009

The Curious Case of Benjamin Button


Longe de mim querer meter foice amadora em searas profissionais, mas, tal como para Slumdog Millionaire, penso existir algum exagero em tão negativas apreciações de um filme que, sem ser uma obra-prima – nisso estamos de acordo – não parece ser tão mau quanto o pintam. Sim, muitas vezes a pretensa ousadia formal acaba por esconder um atroz convencionalismo; sim, está feito para arrancar a lágrima mais ou menos fácil; sim, é demasiado longo e bem poderíamos dispensar, mais ou menos a meio do filme, uns bons 20 minutos. Mas existem algumas razões que me fazem simpatizar com The Curious Case of Benjamin Button (ultrapassando mesmo a antipatia intrínseca provocada pelo meu instinto primário de macho que se contorce de inveja vendo o Brad Pitt, so sexy, a arrancar a mota):
1: porque se prova ser possível fazer em Hollywood um melodrama – inventivo e com alguma qualidade – com sucesso popular; para quem, como eu, gosta de dramalhões à la Sirk, isso é fundamental;
2: porque se prova que não é obrigatório que os efeitos especiais sejam meramente pirotécnicos ou incompatíveis com um trabalho sério de actor; nesse aspecto, Brad Pitt e Cate Blanchett são assombrosos na maneira como conseguem integrar e potenciar o tratamento digital da imagem;
3: porque quando a velhinha, na cena em que corta o cabelo a Benjamin, diz a este último que parece que ele tem cada vez mais cabelo, isso desperta em mim a esperança – talvez irracional – de recuperar os cabelos relapsos que abandonaram um crânio que parecia tão confortável.
Também passei por uma fase em que ser a excepção à unanimidade me dava muito gozo. Com a idade, como diria Benjamin a Miss Daisy, isso passa.

Coerência

“Entre as pessoas a quem o Reino Unido proibiu a entrada no seu território estão o líder islamista norte-americano Louis Farrakhan, por causa das suas opiniões racistas e anti-semitas, e ainda o líder religioso radical Yusuf al-Qaradawi, que descreve bombistas suicidas como "mártires" e acha que a homossexualidade é "uma doença".” (edição impressa do Público; ver notícia online aqui)

Poder-se-á acusar o Governo britânico de muita coisa, mas não de falta de coerência.

12 de fevereiro de 2009

Dor de Corn

A Resistência organiza-se. Os lacaios do Dr. Kellogg não ganharão esta batalha.


Cachimbo da paz? Querias...

Revolucionário

I. diz-me que chorou do princípio ao fim. Respondo que de facto já vi genéricos mais alegres. Quando ela me olha desconfiada, não tenho coragem de confessar que ainda não vi o filme.

Escapar à fase terminal

Não penses, lá por me dizeres « até logo » com ar casual, que tudo ficou bem de repente. Até os animais têm alguma dignidade. Por enquanto, continuamos em cuidados paliativos. Já não é mau termos acordado do coma.




11 de fevereiro de 2009

O que nós vamos saber dele

Situação rara, interessante e portanto inteiramente merecedora do devido destaque é esta de um embaixador ter um blog. Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal em França, começou este blog, que poderá ser uma interessante experiência, na fronteira da vivência pessoal com as inevitáveis exigências de discrição da vida diplomática. Não sendo inédito – David Miliband também tem um blog – é suficientemente estimulante para ser seguido.

9 de fevereiro de 2009

Humanos

A condição humana navega inevitavelmente entre a infelicidade e a servidão. Por ser pomposa, esta frase não é menos exacta. Resta-nos agradecer por escapar à servidão e ir gozando a intermitência de alguns momentos bons. Até prova em contrário, somos humanos.


8 de fevereiro de 2009

Fim de Semana

Matrix? Speed Racer? Esqueçam o cinema, irmãos Wachowski, a vossa obra-prima está feita.



6 de fevereiro de 2009

Slumdog Millionaire


Percebo que se possa ter uma reacção quase de preconceito ideológico contra Slumdog Millionaire. Temos visto demasiados filmes em que, justamente, a pobreza do olhar esconde a manipulação das nossas emoções. Depois temos a hiper-saturação da fotografia, os efeitos à videoclip baratucho, o final feliz, enfim, todos os ingredientes que afastam o crítico bem pensante de uma fita, qual Maomé a fugir do toucinho. No entanto, sendo um filme menor, Slumdog Millionaire não é assim tão mau. Está construído de maneira inteligente e consegue criar no público alguma empatia com os actores. Tem alguns momentos (cfr. a cena no metro com a nota Benjamin Franklin) que, sem chegarem a ser entusiasmantes, contêm verdadeiras ideias de cinema (e não de uma publicidade para a MTV). Não chega para fazer um bom filme? Provavelmente, não. Mas vê-se sem grande desagrado.
Em tempo: mas o que verdadeiramente me espanta é constatar que o João Lopes perde o tempo dele a ler comentários trogloditas.

5 de fevereiro de 2009

Oliveira Casanova

Confesso que me tem causado alguma perplexidade um trailer que tem passado na SIC, anunciando uma série sobre uma suposta vida privada de Salazar. No trailer, o velho ditador aparece, em pose de sedutor, com várias mulheres, todas – cada uma no seu estilo – giraças e atiradiças. O nosso ditador não se faz rogado: como é impossível resistir a tanto charme, ele é mãozinha malandra na coxa, ele é beijinho no pescoço e com certeza outras actividades mais próprias da bolinha vermelha que dos manuais de Finanças Públicas que o lente de Coimbra tanto prezava. Poderá com efeito causar algum espanto esta nova imagem do Presidente do Conselho, cuja vida (a)sexual conhecida passava, até agora, pelos serões em São Bento com a Dona Maria. Erro meu, pois com um pouco de reflexão, tudo se explica. Com efeito, a direita clássica saudosa da lei, da ordem e do respeitinho sempre gostou de Salazar: essa está conquistada. A classe média, mesmo farta do regabofe supostamente democrático, tem hesitações naturais quando toca a apoiar um ditador; mas afasta a má consciência convencendo-se que se trata, apenas e só, de uma personagem histórica, tão asséptica quanto D. Dinis ou D. Sancho II; pois se até a televisão disse que foi Salazar o maior português de sempre! Faltava pois a jovem direita arrogante, de faca nos dentes e Burke no bolso do blazer. Então podia alguma vez um grande ditador como o nosso Oliveira ser um quase capado, um daqueles gajos de cabelo grisalho que aparece nos intervalos dos jogos da Sport TV pedinchando por um milagre contra a disfunção eréctil? Obviamente, não podia. Salazar é tão, tão grande que até o lendário celibato é enganador: o homem era um engatatão, o Brad Pitt de Santa Comba, pronto, com uma simples inclinação da cabeça, a fazê-las suspirar. Rapidamente e em força.


Salazar (formerly known as Hef) posa entre deus, pátria e família

4 de fevereiro de 2009

Act locally, think globally

Obrigado pelas revelações. O Mundo escandaliza-se pelas conclusões do DCIAP. Washington Post e New York Times já enviaram alguns dos seus mais ferozes jornalistas. Cândida Almeida já não se desloca sem a carrinha da Fox News atrás.

3 de fevereiro de 2009

Diário

Motivos de orgulho nacional. Estamos presentes entre os monges do Shaolin e na West Wing. Faz sentido querer mais?

30 de janeiro de 2009

Cá se fazem cá se pagam

Cá se pagam
Não é impunemente que há uns tempos atrás Portugal pôs meia Inglaterra a dizer, com um sotaque esquisito, a palavra “arguido”. Chegou a hora da verdade: é o momento dos portugueses andarem agora a dizer uns aos outros, de cenho carregado, “suspect”. E tal como os ingleses em 2006, não temos a menor ideia do que isso possa querer dizer. No entanto, trata-se de uma contribuição enorme para o desenvolvimento do estudo do Direito Penal Comparado, pondo qualquer jornalista de um qualquer Diário de Carcavelinhos com uma licenciatura em Comunicação Quase Social da Universidade da Mula Russa a discorrer com grande naturalidade sobre as diferenças entre os sistemas penais português e inglês. O mesmo polivalente jornalista arrasará instantes depois a opinião de um professor de Direito Administrativo, concluindo pelo argumento supremo “amigo do Sócrates”.
Cá se fazem
Mais uma vez se deve no entanto reconhecer – e repudiar com veemência – a escandalosa falta de celeridade da justiça. Uma carta rogatória enviada em 2005 e ainda não cumprida? Não há palavras, caros leitores. Como? A carta rogatória foi enviada a quem? Aos ingleses? Aahh...

29 de janeiro de 2009

Caução Cultural

Pussycat Dolls em concerto recente. Repare-se no pormenor – essencial – da garrafa de água.


pois

O Fantasma

É possível – e mesmo provável – que a intenção principal de Oscar Wilde em The Canterville Ghost tenha sido a de satirizar o materialismo estúpido da sociedade americana. In the process, todavia, Wilde é particularmente feroz com os maneirismos e a decadência de uma “anglitude” que só existe na cabeça de alguns ingleses mais tontinhos.
Esta posta serve também, para lá de tentar dar uma certa caução cultural a este blog ignorante, para me penitenciar por só agora – quase com a idade de Sir Simon – conhecer as autênticas pérolas que são os contos de Wilde, injustamente subvalorizados por quem só tem olhos para as peças e os romances.
E serve ainda para especular: o que não diria o velho Oscar do ridículo em que se transforma a anglofilia militante daqueles que consideram ter sofrido a enorme injustiça de ter nascido, por um infeliz acidente genético-geográfico, em Portugal. Ó país mesquinho que não me mereces, pois sou demasiado grande para tanto provincianismo e estupidez.

Não leram bem? Eu disse que ia tentar dar uma caução cultural. Não disse que ia conseguir.


raio da mancha de sangue...

28 de janeiro de 2009

Princípios e Realidade

Todos os posts que o João Miranda tem escrito sobre Guantánamo (o último aqui) estão obviamente errados, como aliás um dos próprios colegas de blog dele tem tentado explicar. Até a felicidade que o João Miranda não consegue esconder pelas dificuldades – evidentes – que a administração Obama terá para lidar com os prisioneiros contra os quais existem indícios evidentes de perigosidade é completamente deslocada. Essas dificuldades têm um culpado: a administração Bush. Com efeito, ao autorizar a tortura, a administração Bush conseguiu apenas que todas as provas obtidas por esse meio sejam inválidas num tribunal federal ou mesmo num tribunal militar. É a incompetência da administração Bush que estará na origem de pessoas eventualmente perigosas para a segurança americana poderem escapar entre as malhas do sistema. Como o João Miranda deveria saber, a tortura não é apenas moralmente errada e juridicamente impossível. A tortura é igualmente ineficaz.


Hitchens confessa: "sim, deus existe!"

27 de janeiro de 2009

The Crying Light


Tentei, sem conseguir, ouvir o disco antes de ler isto. Agora, depois do que li e do que ouvi, tenho que confirmar. Não é todos os dias que nos aparece – a nós que amamos a música – um artista como Antony e os Johnsons dele. Inventividade, subtileza e uma voz absolutamente única fazem dele uma das melhores coisas que aconteceu à música popular nos últimos anos. Sou também obrigado a reconhecer que The Crying Light é o álbum da maturidade: comparado a I Am A Bird Now, é um álbum mais trabalhado, com arranjos mais subtis e delicados. É sobretudo um álbum de independência: contrariamente a I Am A Bird Now, que contava com a colaboração de amigos (Rufus) e heróis (Lou Reed, Boy George), The Crying Light é o grito do Ipiranga de Antony, que assume a responsabilidade que lhe pedem.
Sim, confirmo.
Então porque é que continuo a gostar mais de I Am A Bird Now?
A reconfirmar ao vivo em Abril (o bilhete já cá canta).

26 de janeiro de 2009

Free? De certeza?

Da mesma maneira que mais dez milhões de portugueses, também tenho uma opinião sobre o Freeportgate. Como alguns deles, também acho que me vou escusar a fazer comentários. A não ser este. Quatro milhões de contos? QUATRO milhões de contos? 20 milhões de euros de “luvas” para licenciar uma obra? Mas isso não chegava para construir dois ou três Freeports?

25 de janeiro de 2009

Fim de Semana

- toc toc...
- sim?

22 de janeiro de 2009

Day 1

- Lixados, pá, lixados...

- Huummm...

Changes

Tentou mexer-se mas não conseguiu. Concentrou-se no que o rodeava. Estava deitado na cama, nu. Em frente, o plasma debitava, em silêncio, imagens de clips de hip-hop. À esquerda, parecia ser a casa de banho. À direita, a entrada para a sala. Sobre uma cadeira, repousava uma peça de lingerie. Ao lado do plasma, um cinzeiro com duas ou três beatas. Começou a lembrar-se quando ouviu os saltos dela a ecoar no soalho, logo ali ao lado. O aquecimento estava, como sempre, demasiado alto e ele começava a transpirar. Havia pouca luz, mas ele conseguia ver uma silhueta cada vez que ela parecia aproximar-se da entrada do quarto. Fez mais uma tentativa para se mexer, desta vez só a perna direita. Nada. Quando finalmente ela entrou, a prmeira coisa em que ele reparou foi no peito nu, a balançar lentamente à medida que ela avançava. Ela sorriu-lhe, depois pegou em qualquer coisa – um maço de cigarros? – e saiu. Mas antes disso, ele ainda viu, distintamente, sem margem para dúvidas, uma enorme maçã de adão deformando a garganta dela.

Desde esse dia, a vida daquele peluche nunca mais foi a mesma.

19 de janeiro de 2009

Inauguration (3)

Programa das festas, às quais se seguirão as tradicionais bifanas, couratos e ginginha.
Event: Swearing-In CeremonyThe President-elect and Vice President-elect and their families will participate in the traditional inaugural ceremonies and events. Begins at 11:30 a.m. at the West Front of the U.S. Capitol. No tickets are required to view the Inaugural Ceremony on the National Mall west of 4th Street.
Musical Selections: The United States Marine Band, followed by The San Francisco Boys Chorus and the San Francisco Girls Chorus
Call to Order and Welcoming Remarks: Senator Dianne Feinstein
Invocation: Dr. Rick Warren
Musical Selection: Aretha Franklin
Joseph R. Biden, Jr. will be sworn into office by Associate Justice of the Supreme Court, the Honorable John Paul Stevens
Musical Selection: John Williams, composer/arranger with Itzhak Perlman, (violin), Yo-Yo Ma (cello), Gabriela Montero (piano) and Anthony McGill (clarinet)
Barack H. Obama will take the Oath of Office, using President Lincoln’s Inaugural Bible, administered by the Chief Justice of the United States, the Honorable John G. Roberts, Jr.
Inaugural Address
Poem: Elizabeth Alexander
Benediction: The Reverend Dr. Joseph E. Lowery
The National Anthem: The United States Navy Band "Sea Chanters"

Event: LuncheonPresident Obama will escort outgoing President George W. Bush to a departure ceremony before attending a luncheon in the Capitol’s Statuary Hall.
Event: ParadeThe 56th Inaugural Parade will then make its way down Pennsylvania Ave. from the Capitol to the White House with groups traveling from all over the country to participate. While there is no official start time for the parade, it traditionally begins around 2:30 p.m.
Event: Inaugural BallsThe Presidential Inaugural Committee will host 10 official Inaugural Balls throughout Washington. A ticket is required for admission to each ball.

Inauguration (2)

Alguns incréus duvidam, mas o efeito Obama já começou. O Diplomata descobriu o primeiro milagre aqui. O desejo do Random Precision, que pede castigo para os crimes da Administração Bush, também já começou a ser concretizado, como se vê por esta foto.

Jack Bauer ouvido pelo Senado sobre actos de tortura que teria praticado

Inauguration

William Harrison, o nono Presidente dos EUA, fez, em 1841, o mais longo discurso inaugural de que há memória: falou cerca de duas horas, num dia excepcionalmente frio e ventoso, que é aliás o tempo previsto para amanhã. O Presidente Harrison fez depois o mais curto mandato de sempre da História dos Presidentes americanos. Morreria cerca de dois meses mais tarde. De pneumonia.

17 de janeiro de 2009

16 de janeiro de 2009

Mas o Ronny joga à bola??

Não sei se aquele ganda maluco do Debord concordaria com esta definição de situacionismo. Mas com a Taça da Liga a decorrer, tenho coisas mais importantes com que me preocupar.

15 de janeiro de 2009

Burn After Reading

Deve ser a lei dos ciclos: depois de uma obra-prima, não mais que serviços mínimos. Não deixa de haver uma certa dignidade nesta preguiça criativa.


Anyone but

Ainda arranjarei tempo para escrever sobre o estranho mundo dos grupos do Facebook. Enquanto isso não acontece, fiquem-se com este.




E lembrem-se: provavelmente, Deus não existe

Quando se é líder religioso, é suposto, como referido - muito bem - aqui, ter uma certa atenção ao que se diz. É inevitável, ainda mais se a asneira é grande, que as consequências se multipliquem, sobretudo num contexto difícil, marcado por mais uma crise no Médio Oriente. Nem o Cardeal Patriarca é blogger, nem a Igreja que ele representa é um blog. Aqui sim, admite-se que o pessoal possa dizer umas bojardas, para gáudio e regozijo da audiência islamofóbica e marialvo-trauliteira do costume.

12 de janeiro de 2009

Repetição

Um dos grandes problemas de ter vivido um – chamemos-lhe incidente – durante o período natalício é a quase obrigação de descrever o rumo dos acontecimentos a quem nos pergunta como passámos as Festas. Isto é mais difícil do que parece. Com efeito, deparam-se-nos em geral três hipóteses: a) não contar nada e responder o tradicional “correu bem”; b) fazer um breve resumo, desvalorizando implicitamente a importância do acontecimento; c) contar detalhadamente o que aconteceu.
Se a escolha de uma destas três hipóteses é já uma operação delicada, tudo se complica quando devemos adaptar cada uma destas versões à pessoa que nos coloca a pergunta. Atente-se no seguinte: se o nosso interlocutor tem um certo grau de intimidade, embora não do primeiro círculo, connosco, será admissível responder, sem mais, “correu bem”? E quando outra pessoa da mesma categoria – isto é, um não membro do primeiro círculo – lhe contar no dia a seguir “e então, que me dizes do que aconteceu ao bloom?”, como é que nos vamos safar da justa indignação do amigo que foi deixado no desconhecimento das peripécias bloomianas de Natal? É duvidoso que a explicação que primeiro nos ocorre – a distância que nos separa do acontecimento é inversamente proporcional à quantidade de tempo e à profusão de detalhes que estamos dispostos a dar – consiga salvar-nos de uma embaraçosa reprimenda.
Por outro lado, dar a versão c) – detalhada e sumarenta – a quem conhecemos superficialmente vai pôr o nosso interlocutor a morrer de tédio, pensando enquanto consulta não muito discretamente o relógio “mas o que é me interessa saber o que aconteceu a este palhaço?”
E assim comecei 2009, mergulhado na angústia, na dúvida e, infelizmente, na repetição.

10 de janeiro de 2009

Fim de Semana

Será normal preferir o riff de Sweet Jane aos concertos de Brandenburgo? Impacientes, avançai até ao 1,40 min.

7 de janeiro de 2009

Top Filmes 2008

ou Os pobres também têm direito aos tops.

1. No Country for Old Men (o melhor penteado desde Eduardo Mãos de Tesoura)

2. The Darjeeling Limited (o melhor empregado – por acaso indiano – desde The Servant)

3. We own the Night (a melhor cena de perseguição automóvel desde Bullitt)


4. Two Lovers (a melhor cena de sexo no terraço desde Holly does Hollywood)

5. Les Chansons d’Amour (as melhores cenas à chuva desde Seven)

Como se vê, James Gray mete dois filmes neste Top bloom. É de homem!

Saber perder

E se a dignidade estivesse em saber que já não podemos fazer mais nada, que não conseguimos? Ter a coragem de não dizer tudo. Não dizer.

Num segundo momento, saber partir para uma terra distante, onde só o frio e a neve nos despertem do incómodo de existir.

5 de janeiro de 2009

Trânsito Fluido

Como se comprova pelo ano novo, que inevitavelmente sucede ao ano velho. Ou pela morte de um blogue, no mesmo dia em que um outro nasce. Aqui estamos. Aqui continuamos.