7 de novembro de 2007

Vitória!

Quandos os verdes-e-brancos ganham aos encarnados, eu fico sempre contente.

6 de novembro de 2007

Nothing but the Facts

A propósito deste post do Pedro Sales, ainda estou à espera que apareça em Portugal o equivalente do FactCheck.org, que se dedica já há alguns anos a confrontar os dislates dos políticos com os factos. Ferozmente independente e imparcial, e criado no âmbito de uma Universidade, o FactCheck.org não poupa ninguém – democrata ou republicano – e tornou-se já indispensável para todos aqueles que se interessam pela coisa pública. Eu sei que não existe grande tradição em Portugal de verificação factual e que os jornalistas gostam muito mais de esconder a opiniãozinha sob o véu diáfano da informação, mas a transparência da nossa vida política terá bastante a ganhar quando aparecer o nosso FactCheck. Já agora, e a título de exemplo, eis a apreciação do FactCheck.org sobre o anúncio do cancro do Rudy.

Paranoid World

E qual é o mal de se (re)fazer sempre o mesmo filme? Sexo, culpa e morte, não necessariamente por esta ordem. Outros temas disponíveis? Agradece-se. Pensando melhor, não. Não se agradece.

5 de novembro de 2007

Let's (literally) look at the trailer

Raskolnikov faz skate!

"But that is the beginning of a new story—the story of the gradual renewal of a man, the story of his gradual regeneration, of his passing from one world into another, of his initiation into a new unknown life. That might be the subject of a new story, but our present story is ended." (http://www.bartleby.com/318/72.html)


É o fim de Crime e Castigo, claro (desculpem lá pessoal só encontrei on line uma tradução inglesa, para a versão cirílica vão ter que esperar). E é o fim do espantoso Paranoid Park! Como acabei agora de o ver, ainda não estou em condições de falar. Mas que é uma pôrra dum ganda filme, isso é!!

Let's look at the trailer*


Com The Assassination of Jesse James by the coward Robert Ford, não se recupera apenas a tradição de filmes com nomes grandes. Pretende-se também fazer um verdadeiro western psicológico, à semelhança do que fazia por exemplo Anthony Mann há umas décadas atrás. Sem ser uma obra-prima, The Assassination… defende-se bem e consegue prender o espectador, não obstante a duração um nadinha demasiado longa do filme. É verdade que não se consegue evitar alguma lentidão inútil a meio, mas os 20 minutos iniciais e sobretudo o quarto de hora final são bastante bons. Parece que foi Brad Pitt (que parece que também é produtor executivo ou isso...) a receber o prémio de interpretação em Veneza mas é Casey Affleck (irmão do Ben) que monopoliza toda a atenção, com uma composição absolutamente extraordinária do cobarde Robert Ford. Depois de alguns anos exclusivamente dedicados ao cinema independente (sobretudo no extraordinário Gerry de Gus Van Sant), Casey Affleck parece ter-se rendido ao mainstream. Para o bem dele e nosso, que um actor assim merece ser conhecido por um número de pessoas tão grande quanto possível. Ah, é verdade, e tem o James Carville a fazer de governador. Wunderbar!
*título da série em homenagem óbvia

23

Com a greve dos argumentistas, parece que o próximo dia do Jack Bauer terá apenas 23 horas. Link especialmente dedicado à malta do filme Corrupção aqui.

Vespera


1. Acabei a leitura do novo Hitchens, de que é fácil gostar. Hitchens escreve bem e de maneira escorreita, não esquecendo nunca de dar, com humor, exemplos práticos que ilustram as ideias que pretende transmitir, independentemente de god is not great ser de facto, como se diz aqui, um livro oportunista. A tese é conhecida: foi o homem que criou deus (com minúscula, como o autor do livro o grafa) e não o contrário. A vantagem do livro é que Hitchens sistematiza de modo simples e lógico os principais pontos da tese ateísta e rebate por antecipação os argumentos fundamentais dos religiosos. O problema do livro é que, como todos os panfletos, não chega a apresentar soluções alternativas, em grande medida por esquecer os detalhes que possam incomodar a perfeição global da teoria; nesta medida, este livro de Hitchens não é diferente de qualquer documentário de Michael Moore. Daí a ausência de resposta à verdadeira questão que resta: qual a alternativa a dar a todas as pessoas que continuam – não só a acreditar mas a desejar acreditar – num deus que toda a lógica racional moderna demonstra, sem sombra de dúvida, não passar de uma criação meramente humana que não tem senão envenenado a história da humanidade ao longo dos tempos. Em todo o caso, eis um livro muito mais giro e entretido que o artigo do Dalrymple, descoberto pelo maradona (super-inspiradores blog e blogger, soit dit en passant). Declaração de interesses: não sou crente e a minha fé – que ainda assim já viu melhores dias – resume-se ao Sporting.

2. Prova do sentido de oportunidade destes novos combatentes teológicos é aliás o suplemento especial do The Economist desta semana sobre as novas guerras da religião. Ainda não tive tempo de ler tudo (e não sei se tenho pachorra para ler mesmo tudo) mas o que vi só reforçou o mistério que representa para mim a emergência, nestes últimos anos, das guerras e polémicas religiosas, num mundo que se julgaria, com os avanços da ciência e da tecnologia, dominado pela Razão e, logo, cada vez mais secular.

3. O que me leva enfim a uma crítica sem dó do irracionalismo: como é possível que o Moutinho continue a ser autorizado a bater penalties?!

4 de novembro de 2007

O Estado capitalista, o Estado socialista e o estado a que isto chegou

Aqui. Discordo no entanto do que é implicitamente sugerido: despedir Mário Lino. A presença deste ministro no Governo é indispensável, para bem dos índices de confiança dos portugueses, que rejubilam com alguma periodicidade com os simpáticos chistes deste jovial governante.

Tortura

Dos vários métodos conhecidos para determinar com exactidão o conceito de tortura, este é seguramente o mais bronco. Parabéns, melhor vai ser difícil.

3 de novembro de 2007

Faltou glamour?!

Poucas coisas representarão melhor o Portugal dos anos 2000 que a reportagem fotográfica da anteestreia de Corrupção, a consultar aqui (via Grande Loja).

2 de novembro de 2007

Cromos

A melhor ideia da semana vem do Il Manifesto. Como vi aqui, o histórico jornal italiano lançou uma colecção de cromos com figuras históricas do marxismo e do comunismo, a que chamou com ternura Album de Famiglia. Assim, ao lado dos craques Staline e Pol Pot, temos também Pasolini (este deve ser dos raros...) ou Angela Davis. Como não podia deixar de ser, temos mesmo um blog "prá troca", onde os felizes coleccionadores podem comparar as presas, guardar as preciosidades (Maïakovski?) e trocar os supérfluos (Enver Hoxha?). Isto levanta toda uma série de questões a que não vou responder por manifesta incapacidade intelectual da minha parte. Agora se este pessoal sabe da coisa... Pensando melhor, talvez deixassem de nos chatear com a pôrra dos rankings...
Mas o mais lindo vem a seguir: é que os gajos vendem cada álbum a 3,90 € e cada saquinho de 5 cromos a 90 cents. Parece que já imprimiram 1,8 milhões de saquinhos!...
Ora, se isto não é o capitalismo em todo o seu esplendor, vou ali e já venho...

Sobre isso, não vou fazer comentários!

Há alguns assuntos que nunca comentarei. Por nenhuma razão em especial (ok, é uma pequena mentira: tenho razões mas não digo quais). O chamado caso Maddie é um deles. Portanto, não vou comentar o caso Maddie.
Poderia eventualmente comentar a cobertura do caso Maddie pelos media. Mas nem isso vou fazer.
No entanto, depois de dar uma vista de olhos distraída pelo especial informação da RTP1 desta noite (ao mesmo tempo que lia o god is not great, que aliás estou quase a acabar...), lembrei-me daquele soundbyte que diz que a primeira vítima de uma guerra é a Verdade.

Mais Drake

É assim que eu gosto dela, a blogosfera. Não sabia sequer da existência desta série de livros 33 1/3, referida aqui. É minha obrigação procurar pelo menos o do Drake, depois de tanto post deixado aí em baixo sobre ele. Vejam lá que até o anúncio (de 2000) da Volkswagen eu encontrei.

Everyman

A partir de determinada altura, o homem começa a passar em revista as razões pelas quais continua onde já está? Ou a ponderar motivos para mudar? Ou a tentar evitar chegar a um ponto onde o que lhe vem mais vezes à ideia é que "é tão triste ter 70 anos e já não poder foder raparigas de 23"? Ou nem por isso?


"Around the grave in the rundown cemetery were a few of his former advertising colleagues from New York, who recalled his energy and originality and told his daughter, Nancy, what a pleasure it had been to work with him. There were also people who'd driven up from Starfish Beach, the residential retirement village at the Jersey Shore where he'd been living since Thanksgiving of 2001 — the elderly to whom only recently he'd been giving art classes.


(...)


In a matter of minutes, everybody had walked away — wearily and tearfully walked away from our species' least favorite activity — and he was left behind. Of course, as when anyone dies, though many were grief-stricken, others remained unperturbed, or found themselves relieved, or, for reasons good or bad, were genuinely pleased."

Welcome to the Real World

Nada como um pouco de trabalho manual para pensar na transitoriedade da vida. E já agora na dor de costas.

1 de novembro de 2007

A obra nasce?

Se livro existisse que tivesse mudado a minha vida (mas toda a gente sabe que tal raramente acontece) What We Talk About When We Talk About Love, de Raymond Carver seria um deles. Quando o li pela primeira vez, teria eu a singela idade de 20 anos ou coisa que o valha, foi como um murro no estômago. Não sabia que podia haver uma escrita assim, possante e frágil ao mesmo tempo. Soube depois que se lhe chamava minimalista. Desde essa altura nunca me cansei de ficar extasiado perante a profunda simplicidade (soa tão cliché mas é, para mim pelo menos, tão verdade) daqueles pequenos contos.
Soube entretanto recentemente que os contos de What We Talk... seriam afinal duas vezes maiores na versão escrita por Carver, mas que foram editados pelo editor Gordon Lish, que os reduziu a metade e, por vezes, mudou o fim. Carver, crivado de dívidas e talvez cansado pelo alcoolismo crónico, terá protestado mas nem por isso, necessitado que estava do dinheirinho.
Terá portanto Carver sido o inventor do minimalismo malgré lui? Em todo o caso, Carver republicou mais tarde, devidamente modificados, alguns dos contos de What We Talk...
É justamente um estudo comparativo entre as duas versões de dois desses contos que se encontra aqui.
Adenda que não tem nada a ver: este post é dedicado ao autor deste.
Adenda que não tem nada a ver II: outra versão do mesmo problema. Ou como mudar "Pintar ou Fazer Amor" em "Pintar ao Fazer Amor", o que não deixa de abrir todo um mundo de infinitas possibilidades...

Lost In Translation

Por acaso, no video que se segue o JPS até aparece a falar um excelente Inglês, embora pena mal intencionada acrescente a dada altura "Voice of Translator".

Sartre vs Beckett

Li com muito interesse este artigo do Theodore Dalrymple, aconselhado pelo maradona. O nosso impetuoso blogger ficou tão maravilhado que adoptou deste artigo a citação de Sartre ("And Jean-Paul Sartre* came up with a memorable line: “God doesn’t exist—the bastard!”) que nele se encontra para a colocar em epígrafe da sua nova e florida causa. Mas, como o artigo é longo, talvez as últimas frases, que figuram em nota de rodapé, lhe tenham escapado. Dizem assim: "* This quotation is from Samuel Beckett, not Sartre. We regret the error."
Eu confesso a minha ignorância: em matéria de citações (e não só mas isso fica para outra altura), sou quase tão analfabeto como o Sartre parecia ser quando tentava falar Inglês.

Night of the Living Dead

É para mim um mistério como é que certos personagens conseguem renascer, vindos da longa noite dos tempos que já lá vão. Arroja é um desses personagens, que regressa, qual zombie vingador, uma década mais tarde. Pergunto-me mesmo se o Arroja existe mesmo: temos sempre a hipótese de algum Dr. Frankestein manhoso o ter reconstruído com peças em segunda mão vindas da Europa Central dos anos 30, fazendo-o publicar postas como esta que é comentada aqui e aqui. Confrontados a estas enormidades, é sempre difícil saber como reagir. Farão bem o Daniel Oliveira e o FJV em dar-lhe ainda mais publicidade? Por outro lado, como conseguir ficar quieto quando o zombie começa a grunhir?